Vacinação de crianças está a avançar em todo o mundo

Correio do Pantanal

14 dez 2021 às 14:35 hs
Vacinação de crianças está a avançar em todo o mundo

Países de todo o mundo estão a expandir os respetivos programas de vacinação contra a covid-19 e a incluir crianças, à medida que o número de infeções aumenta e sobretudo depois de ter sido detetada a variante Ómicron

Vacinação de crianças está a avançar em todo o mundo
© MENAHEM KAHANA / AFP

Lusa13 Dezembro 2021 — 19:20

No dia em que chegaram a Portugal cerca de 300 mil doses de vacinas pediátricas contra a doença covid-19, a Lusa reuniu dados de vários países de todo o mundo, com destaque para a Europa, sobre a situação da vacinação contra o coronavírus SARS-CoV-2 na população infantil e adolescente.

EUROPA:

O regulador de saúde da União Europeia (UE), a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), aprovou em novembro a extensão do uso da vacina Pfizer para crianças com idades entre 5 e 11 anos, considerando essa opção segura e eficaz.

A agência recomendou que a vacina fosse administrada em duas injeções, com intervalo de três semanas, em doses de 10 miligramas, em vez dos 30 miligramas recomendados para maiores de 12 anos.

A EMA também está a avaliar os dados apresentados pela farmacêutica Moderna para estender a sua licença europeia de vacina para incluir crianças com idades entre os 6 e os 11 anos.

Na maior parte da Europa, incluindo Portugal, o arranque da campanha de vacinação das crianças com idades entre 5 e 11 anos está previsto para os próximos dias.

Quase metade (45%) dos adolescentes na Alemanha entre os 12 e os 17 anos já está vacinada. Inicialmente, as vacinas eram recomendadas apenas para crianças com doenças subjacentes, mas a disseminação da variante Delta levou o país a decidir, em 16 de agosto, oferecer uma vacina a todas as crianças com mais de 12 anos.

O comité Stiko – órgão especializado que aconselha o Governo alemão sobre vacinas — considerou que “as vantagens da vacinação superam o risco de efeitos colaterais muito raros”, mas tem havido preocupações com miocardites, uma inflamação muito rara do músculo cardíaco associada à vacina sobretudo em jovens do sexo masculino.

As crianças menores de 12 anos deverão começar a ser vacinadas no primeiro trimestre de 2022.

A Autoridade de Saúde dinamarquesa autorizou, em junho, a vacinação de crianças entre os 12 e os 15 anos e a campanha começou no mês seguinte.

Até agora, mais de 200.000 crianças desta faixa etária já foram totalmente vacinadas, o que significa que 76% de toda a população do país está imunizada

As autoridades de saúde anunciaram querer vacinar as crianças dos 5 aos 11 anos antes de levantar as restrições atualmente em vigor no país, como a obrigação de mostrar o certificado de vacinação à entrada de espaços públicos e do uso de máscara.

O Governo espanhol já garantiu que quer começar a vacinar as crianças com idades entre os 05 e os 11 anos o mais rapidamente possível, estando a receber hoje 1,3 milhões de doses da vacina pediátrica da Pfizer.

A data apontada para o início da vacinação deste grupo etário é a próxima quarta-feira, dia 15.

Segundo o Ministério da Saúde do país, 87,6% dos adolescentes entre os 12 e os 19 anos tinham recebido, em 3 de dezembro, a primeira dose de vacina anti-covid-19 e 84,5% estão totalmente vacinados.

No entanto, esta percentagem não é idêntica em todas as regiões do país, já que a decisão de oferecer a vacina a menores de 18 anos é da competência das autoridades regionais.

A França foi um dos primeiros países a introduzir a vacinação de menores a partir de 12 anos, tendo começado a campanha em 15 de junho.

Atualmente, cerca de 80% dos jovens entre os 12 e os 17 anos já receberam pelo menos uma dose da vacina e 76% estão totalmente vacinados.

Desde o final de setembro, os adolescentes com mais de 12 anos são obrigados a mostrar o certificado de vacinação para entrar em locais como cinemas ou restaurantes.

O regulador de saúde francês apoiou a vacinação para crianças vulneráveis dos 5 aos 11 anos em 30 de novembro, processo que poderá arrancar em meados deste mês.

As autoridades de saúde gregas autorizaram a vacinação de crianças dos 5 aos 11 anos a partir de 15 de dezembro, sendo que esta população receberá uma dose menor do que a dos adultos.

O primeiro lote de vacinas chega hoje ao país que, face a uma “explosão” de casos de infeção, adotou, na semana passada, a vacinação obrigatória para pessoas com mais de 60 anos e determinou que todos os adultos devem tomar um reforço da vacina três meses após a última injeção, em vez de esperarem os seis meses inicialmente indicados.

O país começará a vacinar as crianças entre os 5 e os 11 anos no dia 15 de dezembro, estando a receber os lotes de vacinas pediátricas hoje.

A Hungria já tinha começado a vacinar os jovens entre os 16 e os 18 anos em maio e a decisão de incluir os mais novos foi anunciada na sexta-feira pelo Governo, com o argumento de que só a vacinação permitirá ter “um grande Natal”.

Menos de dois terços (63%) da população tem o esquema completo de vacinas, mas 30% já foi inoculada com uma terceira dose (reforço).

O país autorizou a vacina pediátrica da Pfizer para crianças dos 5 aos 11 anos no dia 01 de dezembro, depois de o programa ter sido autorizado pela EMA.

Em Itália, cerca de 73% dos jovens entre os 12 e os 19 anos receberam pelo menos uma dose de vacina anti-covid-19, segundo anunciou o Governo na semana passada.

Na Irlanda, a vacina pediátrica para crianças entre os 5 e os 11 anos tem de ser aprovada pelo Comité Consultivo Nacional de Imunização, o que deverá acontecer nas próximas duas semanas.

O país tem quase 90% da população com mais de 12 anos já totalmente vacinada e pouco mais de 60% dos jovens entre os 10 e os 19 anos recebeu pelo menos uma dose.

Nas últimas semanas, o país tem-se concentrado sobretudo na campanha de vacinação de reforço das doses já recebidas.

A Noruega começou a vacinar as crianças entre os 12 e os 15 anos em setembro, mas as autoridades de saúde interromperam a administração de segundas doses devido a um raro efeito colateral relacionado com uma inflamação do coração.

O Ministério da Saúde holandês decidiu iniciar, no dia 20 de dezembro, a vacinação contra a covid-19 em crianças entre os 5 e os 11 anos que tenham maiores riscos médicos, o que inclui condições como asma grave ou doenças pulmonares crónicas.

A recomendação foi feita pelo Conselho de Saúde.

O Governo considera que mais de 42.000 crianças deverão participar nesta primeira parte da campanha de vacinação infantil, embora não esteja decidido se a oferta será estendida às demais crianças desta faixa etária.

Cerca de 63% dos holandeses com idades entre os 12 e os 17 anos estão totalmente vacinados

O Ministério da Saúde polaco anunciou que o país iria começar a vacinar crianças entre os 5 e os 11 anos em dezembro, sem especificar, no entanto, uma data.

O Governo já tinha aprovado, em junho, a administração das vacinas da Pfizer e da Moderna a crianças entre os 12 e os 17 anos, mas só 1,7 milhões de doses foram administradas.

Esta baixa aceitação da vacinação das crianças, justificada sobretudo pela oposição de muitos pais, levou a uma suspensão do plano de aplicação de vacinas nas escolas.

O país não aprovou, até agora, uma vacina para menores de 12 anos.

Os adolescentes ingleses entre os 16 e os 17 anos começaram a receber as vacinas a partir de 23 de agosto, e os da faixa etária entre 12 e 15 anos seguiram o mesmo caminho a partir de setembro.

No início de dezembro, cerca de 45% dos jovens entre os 12 e os 15 anos tinham recebido pelo menos uma dose, até porque, inicialmente, só era administrada à faixa etária uma dose.

No entanto, em resposta às preocupações com a variante Ómicron, passou a ser disponibilizada uma segunda dose.

Na Escócia, 59,1% dos jovens dos 12 aos 15 anos receberam pelo menos uma dose, enquanto no País de Gales a percentagem é de 54%.

A Irlanda do Norte não divulga dados sobre a vacinação desta faixa etária.

A República Checa foi um dos primeiros países a aprovar a vacinação de crianças com menos de 12 anos e encomendou vacinas para 700.000 crianças com idades entre os 05 e os 11 anos.

Na República Checa, a vacinação é obrigatória, exceto em casos justificados de saúde. No entanto, as inoculações não podem ser feitas contra a vontade e as crianças não podem ser excluídas da escola primária.

O Ministério da Saúde russo certificou, em 24 de novembro, a vacina Sputnik M para uso contra a covid-19 em adolescentes dos 12 aos 17 anos, devendo o país passar a disponibilizar o fármaco para esta faixa etária a partir do final deste mês.

De acordo com o vice-ministro da Saúde, Oleg Salagay, foram registados mais de 570.000 casos de infeção em menores de 17 anos desde o início do ano.

A Suécia começou a disponibilizar vacinas anti-covid-19 para menores em agosto, primeiro apenas para jovens entre os 16 e os 18 anos e, recentemente, para adolescentes maiores de 12 anos.

A percentagem de menores de 18 anos que receberam uma dose é de 12,2%, sendo que só 10,6% estão totalmente vacinados, de acordo com o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças.

ÁFRICA:

A maior parte dos países do continente africano não têm planos nem condições para vacinar os menores de idade, até porque, mesmo entre a população adulta, a vacinação está muito atrasada.

Entre os 52 países do continente, apenas 6,6% da população está totalmente imunizada e 9,8% tomaram uma dose de vacina.

Ainda assim, países como a África do Sul, Marrocos, Guiné e Namíbia iniciaram, em outubro, a imunização de crianças com idades entre os 12 e os 17 anos, enquanto o Zimbábue tornou jovens de 14 anos elegíveis para vacinas anti-covid-19 e o Egito anunciou, em novembro, que irá começar a vacinar adolescentes dos 15 aos 18 anos.

ÁSIA-PACÍFICO:

A China aprovou duas vacinas, das farmacêuticas próprias Sinopharm e Sinovac, para crianças a partir dos três anos, sendo que a província de Zhejiang (leste) pretende terminar de vacinar as crianças dos 3 aos 11 anos ainda este mês.

Em Taiwan, a administração da segunda dose da vacina da Pfizer em jovens entre os 12 e os 17 anos foi suspensa devido a preocupações com o risco de miocardite (inflamação do músculo cardíaco) e pericardite (inflamação do revestimento externo do coração).

Na Índia, o regulador dos medicamentos aprovou, em agosto, a vacina ZyCoV-D sem agulha para jovens a partir dos 12 anos.

A Bharat Biotech, fabricante da vacina indiana Covaxin, também pediu autorização para uso em crianças a partir dos 12 anos, mas os reguladores ainda não anunciaram uma decisão.

A vacinação de alguns grupos de crianças deverá, segundo a imprensa do país, começar em janeiro.

O Paquistão está atualmente a administrar a vacina Pfizer-BioNTech a crianças com mais de 15 anos, e as vacinas chinesas Sinovac e Sinopharm a crianças com mais de 12 anos.

Em Hong Kong, o limite de idade para receber a vacina da Sinovac foi reduzido, no final de novembro, para os três anos.

Singapura pretende alargar a vacinação a crianças entre os 5 e os 11 anos a partir de janeiro, enquanto o Japão o deverá fazer em fevereiro.

A Malásia também já anunciou que vai comprar a vacina da Pfizer dedicada a essa faixa etária.

A Indonésia vai começar a vacinar crianças entre os 6 e os 11 anos a partir de 24 de dezembro com a vacina chinesa Sinovac, começando pela ilha de Java (a mais populosa do país) e pelo centro turístico de Bali.

A Coreia do Sul, a Austrália e as Filipinas já vacinam crianças com mais de 12 anos, mas a Austrália quer começar a administrar o fármaco também a crianças mais novas a partir de janeiro.

O Vietname começou a vacinar adolescentes de 16 e 17 anos no final de outubro.

AMÉRICA DO NORTE:

As autoridades de saúde dos Estados Unidos da América (EUA) aprovaram, logo em maio, a vacina Pfizer-BioNTech para uso em crianças dos 5 aos 17 anos, já que, desde o início da pandemia, as crianças representaram 16,9% de todos os casos confirmados, de acordo com a Academia Americana de Pediatria.

No início de novembro foi recomendado que as crianças entre os 5 e os 11 anos começassem também a ser vacinadas, o que teve início há cerca de um mês, sendo que 10% da população dessa faixa etária já recebeu a primeira dose.

No Canadá, a autorização da administração da Pfizer pediátrica para crianças dos 5 aos 11 anos foi dada em 19 de novembro.

AMÉRICA LATINA:

Cuba começou a distribuir, em setembro, vacinas para crianças a partir dos dois anos de idade, com as vacinas Soberana-02 e Soberana Plus, de produção nacional.

Na Venezuela, as autoridades anunciaram, no início de novembro, que a Soberana-02 iria ser distribuída para vacinar crianças com idades entre os 2 e os 11 anos.

No Brasil, a agência reguladora de saúde, Anvisa, aprovou o uso da vacina Pfizer-BioNTech para crianças entre os 12 e os 17 anos e o Governo tem incentivado as autoridades locais a dar prioridade às crianças e adolescentes com comorbidades.

A Argentina está a vacinar crianças de até três anos com a vacina de Sinopharm, enquanto El Salvador começou a vacinar crianças dos 6 aos 11 anos em setembro.

A Costa Rica tornou a vacinação anti-covid-19 obrigatória para crianças a partir dos 05 anos e o Equador vacina toda a população maior de seis anos com a Sinovac.

Na Colômbia, são disponibilizadas vacinas da Pfizer, AstraZenenca, Moderna, Sinopharm e da Johnson & Johnson (Janssen) a todos os que têm mais de 12 anos.

O Chile anunciou, na semana passada, que irá administrar a vacina Coronavac a crianças a partir de 3 anos, depois de, em setembro, ter aprovado a administração da mesma vacina a crianças dos 06 aos 15 anos, enquanto os adolescentes dos 16 aos 18 anos tomam a Pfizer.

MÉDIO ORIENTE:

Israel, um dos primeiros países a lançar, em dezembro passado, uma vasta campanha de vacinação graças a um acordo com a gigante farmacêutica Pfizer, começou a vacinar crianças dos 5 aos 11 anos em novembro passado.

Na altura, o primeiro-ministro israelita, Naftali Bennett, acompanhou no momento da vacinação o seu filho David, de 9 anos, para tentar incentivar os pais a vacinarem os seus filhos.

O país já tinha começado a vacinar adolescentes entre 12 e 17 anos, mas decidiu reduzir a idade mínima para 05 anos.

Nos Emirados Árabes Unidos, a vacinação de crianças com idades entre os 03 e os 11 anos foi aprovada em agosto, com a vacina Sinopharm e, em novembro, as autoridades aprovaram a vacina Pfizer-BioNTech para crianças entre os 5 e os 11 anos.

O Bahrein, a Arábia Saudita e Omã seguiram os mesmos passos a partir de outubro.

Na Jordânia, a vacinação só é dada a crianças com mais 12 anos.

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