Um terço dos peixes de água doce está sob ameaça de extinção

Correio do Pantanal

24 fev 2021 às 15:20 hs
Um terço dos peixes de água doce está sob ameaça de extinção
Salmão é um dos peixes em risco
Salmão é um dos peixes em riscoFoto: AFP

Sílvia RodriguesHoje às 14:26

Em Portugal, algumas espécies de lampreia, o sável, o salmão ou a enguia estão em declínio, considerado, “catastrófico”. Segundo o relatório “Os Peixes Esquecidos do Mundo”, elaborado por 16 organizações de conservação ambiental, os peixes de água doce estão sob ameaça de extinção.

“Temos que agir com urgência ou um dia será tarde demais”, disse Jon Hutton, diretor executivo da World Wildlife Fund (WWF), uma organização não-governamental dedicada ao ambiente, no documento que vaticina a extinção de alguns peixes. Os ecossistemas de água doce (rios, lagos e zonas húmidas) têm mais de metade das espécies de peixes no mundo e a extinção levanta inúmeros problemas.

Os motivos para a extinção são das mais variadas ordens. Segundo o jornal “Público”, Cláudia Correia, especialista em Gestão Pesqueira de Base Comunitária, aponta que, no caso de Portugal, as principais ameaças estejam, sobretudo, ligadas à “construção de barreiras nos cursos de água, extração de inertes, poluição e à pesca comercial desajustada”. Além disso, “espécies como o sável, a lampreia-marinha e o salmão têm visto as suas populações diminuírem devido à inacessibilidade dos locais de desova”.

A especialista sublinha ainda o impacto da pesca ilegal, especialmente de meixão (enguia juvenil). “Apesar de estar regulamentada como crime, continua a ter uma forte expressão”, explica.

Em causa não está apenas o meio ambiente, mas também milhões de pessoas que dependem do peixe para alimentação e comércio. “Mais do que nunca são urgentes soluções baseadas na natureza para que protejam as espécies de água doce, ao mesmo tempo que garantem que as necessidades humanas sejam atendidas”, afirmou Carmen Revenga, da The Nature Conservancy, uma organização internacional sem fins lucrativos.

“Temos de encontrar vontade política coletiva e colaboração efetiva com o setor privado, governos, ONGs e comunidades para implementar soluções”, sublinha Revenga, citada pela BBC.

Segundo o relatório “Os Peixes Esquecidos do Mundo“, as soluções para o problema passam por implementar um Plano de Recuperação de Emergência destes ecossistemas. O plano, desenvolvido por cientistas e especialistas de água doce, contempla seis pilares, entre os quais, “proteger os rios livres e remover as barragens obsoletas”. O documento refere ainda que “o momento ideal para avançar com a proposta será na Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica” que se irá realizar em Kunming, na China. O objetivo é “reverter décadas de declínio”.

“Se os nossos ecossistemas aquáticos se deteriorarem ao ponto de não conseguirem suportar uma população saudável de peixe, podemos ter a certeza de que também não serão adequados para os humanos”, alerta o relatório.

“Das 35 768 espécies conhecidas, 18 075 (51%) vivem em água doce”, refere-se no documento. Segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN (sigla inglesa para União Internacional para a Conservação da Natureza), um dos inventários mais detalhados do mundo sobre várias espécies, “80 peixes de água doce foram declarados extintos e 115 foram classificados como “possivelmente extintos”.

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