Tribunal diz que médicos podem desligar as máquinas a mulher contra vontade da família após dar à luz

Correio do Pantanal

24 fev 2021 às 15:39 hs
Tribunal diz que médicos podem desligar as máquinas a mulher contra vontade da família após dar à luz

Médicos dizem que mulher infetada com covid-19 e em coma induzido não tem possibilidade de recuperar significativamente. Família refere que só Deus pode determinar a morte

Tribunal diz que médicos podem desligar as máquinas a mulher contra vontade da família após dar à luz
© Piero CRUCIATTI / AFP

DN24 Fevereiro 2021 — 18:19

Os médicos podem desligar o suporte de vida a uma mulher na casa dos 30 anos que teve covid-19 e permanece em coma induzido após dar à luz, mesmo contra a vontade da sua família, determinou um tribunal britânico.

Um juiz disse que os médicos podem desligar a máquinas já que há provas de que o que está em causa não é a vida da mulher mas sim o prolongamento da sua morte, tendo descrito o caso “uma tragédia de dimensão quase inimaginável” e foi informado de que as hipóteses de a mulher ter uma recuperação significativa eram “zero”.

A mulher, muçulmana, casa e com uma filha de três anos desenvolveu sintomas de covid-19 quando estava em casa e foi levada apressadamente para o hospital há um mês quando estava grávida de 32 semanas.

Os médicos disseram que ajudaram a der à luz o bebé por cesariana logo após o internamento, mas que o pâncreas da mulher tinha parado de funcionar e que um pulmão tinha “morrido”.

Um especialista que supervisiona o tratamento da mulher diz que as tomografias não mostraram “nenhuma atividade pulmonar normal”. “As hipóteses de ela ter uma recuperação significativa são mínimas. A sensação de toda a equipa é que ela chegou a um ponto em que é, em essência, zero”, disse a um juiz.

A mulher sofria da doença de Addison, um distúrbio raro das glândulas que produzem hormónicos essenciais, disseram os médicos.

O juiz apreciou o caso em audiência virtual de urgência no tribunal de tutela, onde são analisadas questões relativas a pessoas que não têm capacidade mental para tomar decisões por si próprias, na noite de terça-feira.

Os chefes dos hospitais universitários do Leicester NHS Trust pediram que ele decidisse que o fim do tratamento de suporte de vida seria do melhor interesse da mulher.

No entanto, o marido e a irmã da mulher disseram que o tratamento deveria continuar por mais tempo e que a família era muçulmana e acreditava que apenas Deus poderia acabar com a vida. “Desligar a máquina é como pedir a alguém para a matar. Quando Deus escreve a nossa morte é quando morremos”, disse a irmã, citada pelo The Guardian.

Contudo, o juiz concluiu que encerrar o tratamento seria do melhor interesse para a paciente e que ela deveria ter permissão para morrer com dignidade. “Esta família está a procurar um milagre. É uma mãe muito jovem em circunstâncias de tristeza quase indescritível”, frisou.

O juiz ouviu que a mulher sabia que estava grávida de um menino e tinha escolhido um nome para ele e que os médicos prepararam um plano de cuidados paliativos e que a família da mulher a poderá ver. “O objetivo não é encurtar a vida dela mas sim evitar o prolongamento da sua morte”, sustentou.

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