Coronavírus: Maia critica governo e diz que fronteiras já deveriam ter sido fechadas

Correio do Pantanal

17 mar 2020 às 16:05 hs
Coronavírus: Maia critica governo e diz que fronteiras já deveriam ter sido fechadas

Para presidente da Câmara, governo ‘erra’ ao não restringir circulação de pessoas e ao não restringir voos internacionais. G1 procurou Planalto e aguarda resposta.

Por Luiz Felipe Barbiéri, Fernanda Calgaro e Pedro Henrique Gomes, G1 — Brasília

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao conceder entrevista coletiva nesta terça (17) — Foto: Luiz Felipe Barbiéri/G1

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao conceder entrevista coletiva nesta terça (17) — Foto: Luiz Felipe Barbiéri/G1

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-AP), criticou nesta terça-feira (17) o governo do presidente Jair Bolsonaro por não ter adotado algumas medidas em meio à pandemia do coronavírus.

Em uma entrevista coletiva no Salão Verde da Câmara, Maia disse que, na opinião dele, o governo já deveria ter determinado o fechamento das fronteiras e restringido voos internacionais.

G1 procurou o Palácio do Planalto e aguardava resposta até a última atualização desta reportagem.

“Acho que o governo já deveria ter fechado as fronteiras. Acho que já deveria ter restringido os voos internacionais e já deveria ter restringido a circulação das pessoas, principalmente nos estados, onde a projeção é de problemas maiores, como no estado do Rio e no estado de São Paulo. Mas estas posições são comandadas pelo Poder Executivo”, afirmou Maia.

Segundo o presidente da Câmara, não se pode, pela questão econômica, “correr o risco de ter um problema maior na área de saúde pública”.

“A economia vai ser afetada de qualquer jeito. Você achar que manter a circulação para que a economia continue funcionando vai garantir algum crescimento, do meu ponto de vista está errado esse ponto de vista”, disse Rodrigo Maia.

Mais cedo, nesta terça, Bolsonaro disse em uma entrevista que as medidas para evitar aglomerações, adotadas por governadores para conter o avanço do vírus no país, vão “prejudicar muito” a economia.

Na avaliação do presidente da República, a economia “estava indo bem”, mas a pandemia do novo coronavírus provocou “certa histeria”.

“Olha, a economia estava indo bem, fizemos algumas reformas, os números bem demonstravam taxa de juros lá embaixo, o risco, a confiança no Brasil, a questão de risco Brasil também. Então, estava indo bem. Esse vírus trouxe uma certa histeria”, declarou Bolsonaro.

Plano de contingência

Maia afirmou que o governo já deveria ter criado um plano de contingência no Rio e em São Paulo, com o objetivo de restringir a circulação nas cidades a pessoas indispensáveis para a manutenção de serviços essenciais, como o abastecimento de alimentos, por exemplo.

De acordo com o presidente da Câmara, no momento em que os problemas começarem a aumentar, “as pessoas naturalmente vão ficar em casa”.

“Se dependesse da minha opinião, eu acho que as fronteiras já deveriam ter sido fechadas, os voos já deveriam ter sido reduzidos, a maioria dos voos internacionais, e o quarto ponto que eu acho é que o governo já deveria ter pensando em políticas públicas com a ampliação do gasto público, como todos os países vem fazendo. Acho inevitável que a redução do dano na economia seja garantida pelo Estado brasileiro. Não há outra saída”, reforçou.

Eventual fechamento do Congresso

Questionado se o avanço de casos de coronavírus no país poderia levar a um eventual fechamento temporário do Congresso, Maia respondeu: “Não, nunca. O Congresso brasileiro fechou só na ditadura. Não vai fechar mais.”

Apesar da presença de poucos deputados na Câmara, Maia disse que é possível manter a casa funcionando e anunciou a votação de dois projetos relacionados ao combate ao Covid-19.

O presidente da Câmara afirmou que deve votar ainda hoje um projeto de lei que propõe o tabelamento de preços e proibição de exportação de produtos como álcool em gel, máscaras, ventiladores e respiradores mecânicos.

A outra proposta que pode ser apreciada nesta terça autoriza estados e municípios a transferirem saldos dos respectivos Fundos de Saúde, provenientes de repasses do Ministério da Saúde, para outras ações na mesma área, permitindo que possam ser utilizados no combate ao coronavírus.

Atualmente, essa verba dos fundos é carimbada, ou seja, o ministério condiciona os repasses à adesão a programas e projetos específicos e ao cumprimento dos critérios de cada um. O projeto propõe alterar a utilização dos recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro, para aplicá-los em ações de prevenção à Covid-19.

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