Bélgica registra primeira morte atribuída ao uso do cigarro eletrônico

Correio do Pantanal

15 nov 2019 às 05:44 hs
Bélgica registra primeira morte atribuída ao uso do cigarro eletrônico

Jovem de 18 anos morreu por insuficiência respiratória atribuída ao uso de dispositivo vaporizador, informaram as autoridades do país europeu.

Por G1

Usuário de cigarro eletrônico; doença pulmonar não identificada está ligada ao produto — Foto: Christopher Pike/Reuters

Usuário de cigarro eletrônico; doença pulmonar não identificada está ligada ao produto — Foto: Christopher Pike/Reuters

Um jovem de 18 anos morreu na Bélgica devido a uma insuficiência respiratória atribuída pelas autoridades ao vaping e a uma mistura de produtos nocivos em um cigarro eletrônico, o que é uma novidade no país.

“A conexão com o cigarro eletrônico está estabelecida. Não há neste paciente nenhuma outra explicação para uma pneumonia tão grave”, declarou nesta quinta-feira (14) a ministra da Saúde belga, Maggie De Block.

Médicos e cientistas têm dúvidas sobre o que está causando os graves problemas pulmonares. Autoridades pedem que o uso do produto seja suspenso até que haja uma maior compreensão dos efeitos sobre o corpo humano.

Os cigarros tradicionais funcionam por combustão. Já os eletrônicos, por vaporização, e aparecem também na forma de “canetas” com um líquido interno. Utilizam bateria para evaporar uma mistura geralmente feita com álcool, água, glicerina, propilenoglicol e essências. Ele é uma espécie de dispositivo “vaporizador” de aromas, sabores e outros produtos químicos: álcool, glicerina e, na maioria deles, nicotina.

Cigarro comum x cigarro eletrônico: compare o funcionamento de cada um — Foto: Roberta Jaworski/G1

Cigarro comum x cigarro eletrônico: compare o funcionamento de cada um — Foto: Roberta Jaworski/G1

Não são vendidos no Brasil

Embora o produto seja proibido no país desde 2009, sem nunca ter sido registrado por aqui, seu uso já é observado em várias cidades brasileiras. Em um parecer de 2017, a Anvisa informou que o cigarro eletrônico transmite uma falsa sensação de segurança ao fumante.

A “Food and Drug Administration” (FDA), a “Anvisa” norte-americana, ainda não determinou a regulação do produto e jogou essa resolução para 2022, algo que gerou muitas críticas internas. Mais de 9 milhões de pessoas fumam os e-cigaretts nos Estados Unidos, de acordo com o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) norte-americano.

A Anvisa justifica essa decisão com “a falta de comprovação científica sobre a eficácia e segurança do produto”, especialmente quando apresentado como instrumento para parar de fumar. Também está vetada a publicidade e a importação do produto.

Doutora Ana Responde: Cigarro eletrônico ajuda a parar de fumar?

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O que diz a ciência

Estudos realizados nos EUA com os cartuchos utilizados nos “e-cigarros” demonstraram que, em muitos deles, de variadas marcas, havia substâncias não especificadas, potencialmente tóxicas ou cancerígenas, e com concentrações duvidosas, que poderiam ser deletérias para a saúde das pessoas.

De acordo com a “American Heart Association” (Associação do Coração dos EUA), os diferentes sabores dos e-cigarros tendem a incentivar um maior consumo desse produto e levar ao vício. Usuários da vaporização com essências disseram aos pesquisadores que se sentiam mais viciados à prática do que aqueles que não usavam nenhum produto extra.

Outro estudo dessa associação relacionou o consumo de cigarros eletrônicos ao aumento do risco de doenças cardiovasculares como o infarto. Já pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) alertaram para os riscos da vaporização para o sistema circulatório, registrando danos aos vasos sanguíneos.

O CDC recomendou que usuários fiquem atentos a sinais como dores no peito e falta de ar. Há também o reforço de autoridades para que não sejam comprados aparelhos e compostos líquidos “na rua” ou que tenham sido modificados. “Receitas caseiras” encontradas no YouTube para melhorar a vaporização também são desaconselhadas até que os problemas sejam esclarecidos.

Com informações da AFP

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