Papa diz que afinal o Arquivo Secreto do Vaticano não é assim tão secreto
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Correio do Pantanal

29 out 2019 às 08:13 hs
Papa diz que afinal o Arquivo Secreto do Vaticano não é assim tão secreto

Líder do Vaticano mudou a designação do acervo de documentos, manuscritos e papiros.

O Papa Francisco durante a oração do Angelus, este domingo
O Papa Francisco durante a oração do Angelus, este domingo© EPA/GIUSEPPE LAMI

DN/Lusa

OPapa Francisco declarou esta segunda-feira que o Arquivo Secreto do Vaticano afinal não é assim tão secreto e mudou o nome para “Arquivo Apostólico do Vaticano”.

Francisco mudou hoje oficialmente o nome do arquivo da Santa Sé para remover o que disse serem conotações “negativas” de ter “segredos” em seu nome.

A partir de agora, o vasto acervo de documentos, manuscritos e papiros do passado dos papas, vai ser oficialmente conhecido como “Arquivo Apostólico do Vaticano”.

Numa nova lei, Francisco observou que o arquivo está há muito aberto a estudantes e que ele próprio decretou que os arquivos da era da Segunda Guerra Mundial, do Papa Pio XII, acusado por alguns de não falar o suficiente sobre o holocausto, abririam a investigadores a partir de 02 de março de 2020.

De acordo com o chefe da Igreja Católica, a mudança de nome reflete melhor a realidade dos arquivos e “o seu propósito para a igreja e o mundo da cultura”.

O arquivo contém documentação sobre a vida da universal igreja católica, desde o século VIII ao presente.

Congrega 600 coleções diferentes que estão organizadas ao longo de 85 quilómetros de prateleiras.

Localizado dentro do Palácio Apostólico, o arquivo tem várias salas de leitura e um “bunker” de cimento armado de dois andares.

Os mais preciosos documentos, incluindo antigos manuscritos banhados a ouro e autos da Inquisição sobre o julgamento de Galileu Galilei, são guardados em seguras e climatizadas salas, onde a humidade é controlada.

Foi o Papa Leão VIII quem, em 1881, abriu as portas do arquivo a investigadores e atualmente cerca de 1.500 por ano são autorizados a entrar.

Atualmente, o mais recente papado disponível para estudantes é o do Papa Pio XI, que morreu em 1939.

A prática usual da Santa Sé tem sido esperar 70 anos após a conclusão do papado para abrir esses arquivos pontifícios.

Mas isto significaria que os arquivos de Pio XII, que liderou a igreja de 1939 a 1958, não ficassem acessíveis a estudantes até 2028, no mínimo.

A Santa Sé tem estado sob pressão para organizar e catalogar a coleção de Pio XII mais depressa, para a tornar acessível a investigadores enquanto ainda estão vivos sobreviventes do Holocausto.

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