Presidente sul-africano classifica as restrições impostas ao seu país de “apartheid sanitário”

Correio do Pantanal

3 dez 2021 às 06:15 hs
Presidente sul-africano classifica as restrições impostas ao seu país de “apartheid sanitário”
Presidente sul-africano classifica as restrições impostas ao seu país de "apartheid sanitário"
Foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP

JN/AgênciasOntem às 16:00

O Presidente sul-africano denunciou esta quinta-feira em Abidjan, “todas as formas de apartheid sanitário” de que o seu país tem sido alvo, através de restrições de deslocações internacionais desde que detetou a nova variante do coronavírus, a ómicron.

“Embora respeitemos o direito de cada país a tomar medidas para proteger a sua população, a cooperação global e sustentável de que precisamos para ultrapassar a pandemia exige que sejamos guiados pela ciência”, declarou o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, após uma reunião com o seu homólogo da Costa do Marfim, Alassane Ouattara.

A África do Sul opõe-se “firmemente a qualquer forma de apartheid sanitário na luta contra a pandemia” de covid-19, acrescentou.

O Presidente Ramaphosa manifestou a “preocupação de que África e o resto do mundo em desenvolvimento continuam a lutar [contra a pandemia] com um acesso limitado às tão necessárias vacinas para salvar vidas”.

Ramaphosa reiterou que a proibição de viajar da África do Sul e Austral, imposta por um grande número de países, é “lamentável, injusta e contrária à ciência” e exortou-os a “reverem urgentemente” a sua posição.

O chefe de Estado disse que a decisão de isolar o seu país foi “uma bofetada na cara à perícia e excelência africanas”, uma vez que foram os seus “próprios cientistas que detetaram primeiro a variante ómicron”.

O Presidente agradeceu a Alassane Ouattara por demonstrar “solidariedade” ao permitir que a sua visita de Estado à Costa do Marfim – a primeira por um Presidente sul-africano desde o estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países em 1992 – se realizasse nestas circunstâncias.

Devido ao aumento da propagação do vírus, a África do Sul acelerou a sua campanha de vacinação, alargando os locais de administração para centros comerciais e paragens de transportes.

Os novos casos diários quase duplicaram. Na quarta-feira o número de casos era de 8561, sendo que no dia anterior tinha sido de 4373.

“Queremos que as famílias estejam seguras nesta época festiva”, declarou esta quinta-feira o ministro da Saúde, Joe Phaahla.

“Antes de irem para casa, antes de partirem de férias, certifiquem-se de que se protegem a si próprios e àqueles que amam. Se visitar os seus pais e eles ainda não tiverem sido vacinados, vá com eles para o local de vacinação mais próximo de si. Isto pode salvar-lhes a vida”, sugeriu o ministro.

A província de Gauteng, onde se encontra a maior cidade da África do Sul, Joanesburgo, e a capital, Pretória, é um foco de novas infeções, com mais de 70% dos novos casos.

Os funcionários de Gauteng dizem que estavam “a preparar-se para o pior”, aumentando as camas dos hospitais e reabrindo alguns hospitais de campo, em antecipação do aumento das admissões de doentes da covid-19.

Os testes indicam que a variante ómicron está a espalhar-se rapidamente e encontra-se agora em cinco das nove províncias da África do Sul. Não se sabe quantos dos novos casos diários envolvem a variante porque os cientistas só podem fazer a sequenciação genética completa num pequeno número de testes positivos.

Contudo, parece que a ómicron está a “tornar-se rapidamente a variante dominante” na África do Sul, de acordo com uma declaração emitida pelo Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis. O instituto afirmou que 74% das 249 amostras sequenciadas em novembro foram identificadas como Ómicron.

O governador de Gauteng, David Makhura, disse que a província começou a registar pelo menos 50 mil vacinações diárias esta semana. No entanto, cerca de metade dos 16 milhões de pessoas da província permanecem não vacinadas, declarou Makhura.

O número inclui muitos migrantes que se encontram na África do Sul sem autorização e que, por conseguinte, não podem ser vacinados porque não podem ser registados no sistema de vacinação digital, explicou o governador.

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