Bolsonaro responde a Lula: “Defendeu que o Irão pudesse enriquecer com urânio”

Correio do Pantanal

8 jan 2020 às 15:43 hs
Bolsonaro responde a Lula: “Defendeu que o Irão pudesse enriquecer com urânio”
Bolsonaro responde a Lula: "Defendeu que o Irão pudesse enriquecer com urânio"
Foto: REUTERS

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, respondeu esta quarta-feira aos ataques lançados pelo ex-chefe de Estado Lula da Silva, declarando que o histórico líder do partido dos Trabalhadores (PT) defendeu, no passado, o direito do Irão a enriquecer urânio.

“O senhor Luiz Inácio Lula da Silva, quando era Presidente da República, esteve no Irão, e lá defendeu que aquele regime pudesse enriquecer urânio acima dos 20%, isso para fins pacíficos”, declarou o atual chefe de Estado do Brasil, após assistir às declarações do seu homólogo norte-americano, Donald Trump, acerca do conflito com o Irão.

As declarações de Jair Bolsonaro surgem horas depois de Lula da Silva ter usado a rede social Twitter para defender a não interferência do Brasil no conflito entre os EUA e o Irão, acrescentando que o seu país é construtor de paz e não se deve “meter”.

“O momento não é adequado para o Brasil se meter numa briga externa. O Brasil não tem contencioso com o mundo, sempre manteve uma política diplomática harmoniosa. Devemos ser um construtor de paz”, escreveu Lula da Silva.IRÃO ATACA BASES NO IRAQUE COM MILITARES DOS EUAVER MAIS

O antigo chefe de Estado, condenado duas vezes por corrupção, acusou ainda o atual Presidente do Brasil de “lamber as botas” a Donald Trump.

“Na relação internacional sempre há dois interesses: o seu e o do outro. Você tem sempre que equilibrar o deles com o seu. O Bolsonaro não faz a menor questão de não ser um lambe-botas do Trump. (…) Os EUA gostam de criar confusão e de preferência longe do território deles. Não há necessidade de se inventar ‘terrorismo’ no Irão”, indicou o ex-governante.

Jair Bolsonaro fez hoje uma transmissão de vídeo em direto, na rede social Facebook, em que assistia às declarações de Donald Trump sobre o ataque iraniano às bases militares dos EUA no Iraque, ocorrido na madrugada.

Além de criticar a posição de Lula da Silva enquanto Presidente, em relação ao Irão, Jair Bolsonaro declarou, com uma cópia da Constituição brasileira nas mãos, que o Brasil não se pode omitir diante dos acontecimentos, mas sublinhado que também não pode “extrapolar”.IRÃO ATACA BASES NO IRAQUE COM MILITARES DOS EUAVER MAIS

“Muitas pessoas acham que o Governo [brasileiro] se deve omitir diante dos acontecimentos. Nós temos que seguir as nossas leis. Nós não podemos extrapolar, mas acredito que a verdade tem que fazer parte do nosso dia a dia, que nós queremos para o mundo”, advogou o chefe de Estado.

Bolsonaro concluiu o vídeo frisando que a Constituição do país sul-americano diz “no artigo quarto, que a República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: a defesa da paz e o repúdio ao terrorismo”.

Na sexta-feira, Jair Bolsonaro declarou que o Brasil “não tem forças armadas nucleares para poder dar opinião tranquilamente sem sofrer retaliações”, defendendo que o posicionamento do Brasil seja “pacífico”.

Apesar de o chefe de Estado defender que manterá uma posição pacífica em relação a conflitos externos, o seu Governo manifestou, no domingo, apoio ao Governo dos EUA após a morte do general iraniano, o que levou a um pedido de explicações por parte do país do Médio Oriente.VÍDEOS MOSTRAM ATAQUE DO IRÃO A BASES DOS EUA NO IRAQUEVÍDEO

Maria Cristina Lopes, encarregada de negócios da embaixada do Brasil em Teerão, capital do Irão, já se reuniu com representantes do Governo iraniano, mas o teor da conversa não foi revelado.

Num comunicado divulgado na sexta-feira pelo Itamaraty (como é conhecido o Ministério das Relações Exteriores do Brasil) defendeu a “luta contra o flagelo do terrorismo”, após um ataque dos EUA em Bagdad, capital do Iraque, matou o general iraniano Qassem Soleiman.

Jair Bolsonaro declarou na terça-feira que manterá o comércio com o Irão, mas garantiu que irá reunir-se com o seu ministro das Relações Exteriores para discutir a solicitação de explicações do Irão.

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