Sargento é investigado por usufruir de caminhões ligados ao contrabando

Correio do Pantanal

5 jul 2018 às 10:42 hs
Sargento é investigado por usufruir de caminhões ligados ao contrabando

CORREIO DO ESTADO

Militares da Corregedoria durante cumprimento de mandado. – Foto: Arquivo/Correio do Estado

O segundo sargento da Polícia Militar, Ricardo Campos Figueiredo, é investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual por manter sob sua tutela caminhões ligados a contrabandistas de cigarros. Durante a Operação Oiketicus, o militar destruiu dois aparelhos de telefone celulares que continham provas, motivo pelo qual foi preso em flagrante por obstrução da justiça.

Consta no processo que o setor de inteligência do Gaeco descobriu que Ricardo estava com caminhões registrados em nomes de terceiros, supostamente a serviço de contrabandistas que agem em Mato Grosso do Sul, razão pela qual obtinha vantagens financeiras. “Fato este que ainda não foi comprovado”. Levantamento fiscal mostrou que em 2015 o militar apresentou R$ 182.709, 76 de variação patrimonial sem origem declarada, a indicar “que sobreveio de corrupção”.

“O acréscimo patrimonial descoberto é vultoso e foi maior que a remuneração bruta (sem descontos) do requerido no ano de 2015, que alcançou o montante de R$ 140.523,08. Importante observar que o segundo sargento não possui nenhuma outra fonte de renda declarada, a revelar que o citado montante adveio de corrupção. (…)”, lê-se nos autos.

DESTRUIÇÃO DE PROVAS

Justamente por conta da possível ligação com os cigarreiros, Ricardo se tornou alvo de apuração minuciosa do Gaeco. No dia 16 de maio, quando a Operação Oiketicus foi deflagrada, ele foi um dos alvos. Durante buscas na residência dele o promotor que acompanhava o cumprimento dos mandados questionou sobre os aparelhos de celular que estavam no banheiro. Ricardo foi para o local, se trancou e destruiu os celulares.

“Instante após a porta ter sido encostada [o promotor] ouviu uns barulhos (pancadas, entre outras) e nisso o condutor ouviu o indiciado dizer ‘achei'”. O promotor empurrou a porta e viu Ricardo agachado de lado com dois celulares danificados nas mãos, alegando que haviam sido danificados no dia anterior, como forma de despistar as investigações. Os aparelhos foram apreendidos e aparentavam estar esfarelados.

Ricardo foi preso em flagrante por obstrução da justiça e posso ilegal de arma de fogo de uso restrito. Os telefones foram encaminhados para perícia técnica e, por meio de laudo, não foi possível repará-los por conta dos danos nas placas e processadores. “Infere-se, portanto, que ao danificar os aparelhos celulares – os quais eram objeto específico da busca e apreensão – o indiciado agiu com o manifesto animusde destruir provas e prejudicar as investigações”.

No dia 16 de maio, o Gaeco e a Corregedoria da Polícia Militar deflagraram a Operação Oiketicus para desarticular o esquema que benefiaciava policiais corruptos que agiam em Mato Grosso do Sul. Ao todo, 20 deles foram presos. Na ocasião, Ricardo foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de uso restrito e obstrução da justiça pois, ao perceber a chegada de agentes do Gaeco, destruiu seus celulares que poderiam conter provas.  No último dia 13 de junho, a Corregedoria da Polícia Militar realizou desdobramento da operação, com ais oito pessoas presas em Campo Grande e interior.

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