O que devemos comer quando ficamos mais velhos?
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Correio do Pantanal

12 set 2019 às 22:48 hs
O que devemos comer quando ficamos mais velhos?

A alimentação desempenha um papel muito importante para um envelhecimento com qualidade. Melhora o bem-estar e saúde dos mais velhos, ajuda a prevenir e controlar doenças, aumenta os anos de vida com mais saúde.11/09/2019

Texto Sara Dias Oliveira JN

Hoje é o dia dedicado aos mais velhos e o que cai nos seus estômagos é de uma importância vital. A alimentação na terceira idade faz toda a diferença e convém não esquecer que os idosos de hoje viveram costumes sociais numa época distinta da atual, o que poderá condicionar a forma como acham que se devem alimentar. Mas uma coisa é certa. “Uma alimentação saudável é um investimento para garantir independência e uma transição segura para a terceira idade”, garante à NM Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

Os anos passam, o corpo altera-se, o organismo muda, as necessidades também. Tudo isso implica vários cuidados. Cuidados redobrados com a hidratação porque aumentam as necessidades hídricas, mais vitamina D porque a deficiência dessa vitamina é uma das principais deficiências nutricionais nessa faixa etária, necessidades de adaptar a consistência da alimentação em casos de dificuldades de mastigação.

Alexandra Bento lembra que há fatores que decorrem do envelhecimento que podem limitar a ingestão alimentar e condicionar o seu estado nutricional, nomeadamente problemas de mastigação e ou de deglutição, desidratação, e que justificam uma intervenção individualizada quanto à prescrição de um plano alimentar – e aqui a intervenção do nutricionista pode ser determinante.

Um plano alimentar saudável deve incluir pequeno-almoço, almoço e jantar, intercalados com duas ou três merendas ligeiras.

Não há grandes diferenças entre homens e mulheres. “As preocupações alimentares de homens e de mulheres deverão ser as mesmas, ou seja, ter um aporte alimentar que satisfaça as necessidades nutricionais. Contudo, tal como nas restantes faixas etárias, as necessidades nutricionais das idosas, na sua maioria, são inferiores às dos idosos”, revela Alexandra Bento. Em todo o caso, as refeições devem acontecer num ambiente calmo e confortável, em companhia de outras pessoas, família, amigos, cuidador, para proporcionar mais prazer.

A alimentação deve ser repartida ao longo do dia em número adequado de refeições, o que beneficia a redução do colesterol, melhora a tolerância à glicose, melhora o controlo de peso e reduz a tendência para deposição de gordura. Nesse sentido, a distribuição alimentar ao longo do dia é recomendada para as várias doenças que são prevalentes nos idosos, como, por exemplo, a diabetes tipo 2.

O que colocar, então, no prato? Os mais velhos devem, todos os dias, privilegiar os hortícolas na forma de sopa e como acompanhamento no prato, a fruta e a água. Devem evitar consumir sal em excesso, moderar o consumo de bebidas alcoólicas, bem como de alimentos com elevado teor de açúcar e ou gorduras trans.

A Organização Mundial da Saúde recomenda a ingestão máxima de 5 gramas de sal por dia. Em Portugal mais de 85% dos idosos consomem sal em excesso.

Há outro ponto muito importante: a ingestão alimentar não deve exceder as necessidades energéticas diárias. A bastonária da Ordem dos Nutricionistas explica que, tradicionalmente, devem ser realizadas três refeições principais: pequeno-almoço, almoço e jantar, intercaladas com duas ou três merendas ligeiras. “A ingestão de cinco refeições diárias está também associada, significativamente, ao aumento da ingestão de líquidos, diminuindo o risco de desidratação. É ainda importante que sejam estabelecidos horários regulares para as refeições, contribuindo dessa forma para maior conforto e regulação do apetite da pessoa idosa”, salienta.

Nessa fase da vida, fala-se mais em doenças, há mais maleitas que aparecem. De que forma a alimentação ajuda a prevenir alguns males da terceira idade? “Faz parte do processo de envelhecimento o aparecimento progressivo de doenças crónicas (por exemplo, hipertensão arterial e diabetes) que, se bem controladas, podem não afetar a qualidade de vida no idoso.” Mas, mesmo sem doenças, o envelhecimento representa várias perdas: a nível sensorial no olfato e no gosto; orgânicas em termos cardiovasculares e musculares; cognitivas já que a memória ressente-se do desgaste dos anos e o raciocínio perde qualidades. “Estas perdas podem interferir direta ou indiretamente com as escolhas alimentares”, afirma Alexandra Bento.

“Um número adequado de refeições ao longo do dia está também associado a uma melhor qualidade da alimentação dos idosos”, refere Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

Os portugueses vivem mais anos, a esperança média de vida tem aumentado, mas Portugal é um dos países europeus com menor número de anos de vida saudável depois dos 65 anos. E, por cá, os idosos consomem muito sal na comida, o que aumenta o risco de doença cardiovascular. “A evidência científica tem demonstrado que existe uma relação linear, positiva e de dose-resposta entre a ingestão de sódio e a mortalidade e morbilidade por doença cardiovascular”, realça a bastonária.

“Sabemos que os hábitos alimentares são o fator de risco que mais contribui para o número de anos de vida saudável perdidos pelos portugueses (15,8%), sendo que a ingestão excessiva de sal e o consumo inadequado de hortofrutícolas se afiguram como os riscos alimentares evitáveis que mais contribuem para esta perda. Assim, uma alimentação adequada pode contribuir para prevenir o aparecimento de doenças crónicas e melhorar a qualidade de vida.”

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