O misterioso crime que envolve o cabeleireiro mais famoso da Colômbia
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Correio do Pantanal

19 jan 2022 às 22:27 hs
O misterioso crime que envolve o cabeleireiro mais famoso da Colômbia

Inicialmente tido como um assassinato seguido de suicídio, a história apresenta agora contornos diferentes. O irmão de Maurício Leal, o cabeleireiro mais famoso da Colômbia, foi detido e é o principal suspeito.

O misterioso crime que envolve o cabeleireiro mais famoso da Colômbia
© peluquería mauricio leal

DN18 Janeiro 2022 — 17:14

Maurício Leal era o cabeleireiro mais conhecido da Colômbia. Apareceu morto em novembro de 2020, ao lado da mãe. Inicialmente, a investigação apontava para si como o principal autor do crime. No entanto, novas provas levaram à detenção do irmão de Leal.

Aos 47 anos, Maurício Leal estava no auge da sua carreira. Não era fácil fazer uma marcação no seu negócio em Bogotá e em breve ia assinar contratos com a Victoria’s Secret e uma colaboração com a Miss Universo. Foi por isso que, quando apareceu morto ao lado da mãe em novembro de 2021, todos ficaram em choque. Inicialmente, pensou-se que o estilista tivesse apunhalado a mãe e, de seguida, tirado a própria vida. Ao lado de ambos, havia uma nota onde se lia: “Amo-vos, perdoem-me, não aguento mais. Aos meus sobrinhos e aos meus irmãos deixo tudo. Todo o meu amor, perdoa-me, mamã.”

Dois meses passaram e as autoridades colombianas acreditam agora o crime pode ter contornos diferentes. Na realidade, as autoridades suspeitam que ambos foram assassinados, com o assassino a forçar Leal a assinar a nota de despedida. O Ministério Público colombiano prendeu o irmão mais velho, Jhonier, como alegado autor dos crimes. Segundo o perfil traçado pelo El País, é também o oposto do irmão: um homem fracassado, com negócios falhados. Quando a polícia entrou em sua casa para o prender na passada sexta-feira, encontraram números de contas e registos de propriedade que tencionava herdar agora que estava por sua conta.

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Na manhã do dia em que morreu, a 22 de novembro, Leal escreveu uma mensagem na rede social WhatsApp a um dos seus trabalhadores. Disse-lhe que estava a tirar um dia de folga, algo raro para o famoso cabeleireiro. Na loja, as pessoas estão à sua espera, a ficar impacientes, exigindo a presença do estilista. Os cabeleireiros substitutos pedem-lhe que apareça, mas Leal arranja desculpas.

De acordo com a investigação, Maurício Leal já estaria morto há muitas horas. Quem respondia às mensagens era o seu assassino, algo que nessa altura ainda ninguém sabia. Segundo a reconstituição do caso, o seu irmão Jhonier e o motorista de Maurício Leal apareceram na sua mansão por volta das 14.40. As portas estavam trancadas, mas um dos empregados viu que uma das janelas do quarto estava aberta. Ao entrar pela janela, o funcionário deparou-se com os corpos de Maurício Leal e da sua mãe, lado a lado. A cena é dura: teoricamente, o crime foi cometido com recurso a arma branca.

Jhonier, o irmão, vivia na casa com os dois assassinados. Quando questionado pelas autoridades, afirmou que deixara a mãe e o irmão a tomar o pequeno-almoço nesse dia de manhã. Contudo, a autópsia revelou que ambos estavam mortos há mais de um dia, e que Maurício Leal tinha tomado Zopiclone, um medicamento para dormir. À atenção da polícia estiveram também cortes nas mãos de Jhonier, que disse terem sido feitos com um acidente com uma tesoura.

A investigação sobre este crime levou a um outro de branqueamento de capitais e enriquecimento ilegal. De acordo com a acusação, o cabeleireiro tinha ligações ao tráfico de droga. Leal tinha aberto três contas correntes com pouco mais de meio milhão de dólares. Durante meses, foram feitos depósitos quase diários de 50 mil dólares nestas contas, que foram depois transferidos para outros bancos. A polícia acredita que o negócio do estilista, por mais próspero que fosse, não poderia ter gerado tais quantidades. Suspeitam que ele trabalhava para La Gran Alianza (“A Grande Aliança”, em português), o sindicato de vários traficantes de droga de Cali.

As autoridades colombianas estão agora a utilizar mecanismos legais que permitam expropriar os bens de pessoas envolvidas em atividades ilícitas.

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