“O cenário mais sangrento”. Russos e ucranianos combatem por Soledar

Correio do Pantanal

11 jan 2023 às 13:44 hs
“O cenário mais sangrento”. Russos e ucranianos combatem por Soledar
Soldado ucraniano em Bakhmut
Soldado ucraniano em BakhmutFoto: GEORGE IVANCHENKO/EPA

“O cenário mais sangrento”. Russos e ucranianos combatem por Soledar

As forças ucranianas e russas travam, esta quarta-feira, duros combates em Soledar, onde o grupo mercenário Wagner reivindica o controlo desta pequena cidade, apesar de desmentidos de organizações internacionais.

“Tudo o que está acontecer hoje em Bakhmut ou Soledar constitui o cenário mais sangrento desta guerra”, disse Mykhailo Podoliak, assessor da presidência ucraniana, em declarações à agência de notícias France Presse.

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Soledar, outrora conhecida pelas suas minas de sal, está localizada perto da cidade maior de Bakhmut, que os ucranianos continuam a defender há vários meses contra ondas de ataques das forças russas.

A organização norte-americana Instituto para o Estudo da Guerra assegura que, apesar dos avanços perto de Soledar, as forças russas, auxiliadas pelo grupo Wagner, ainda não conseguiram o controlo total desta cidade.

A sua eventual captura permitirá a Moscovo reivindicar uma importante vitória militar, após vários reveses desde setembro, além de permitir ao líder do grupo Wagner, Yevgeny Prigojine, reforçar a sua crescente influência no cenário político russo.

Contudo, as autoridades ucranianas rejeitam a ideia de que esse cenário esteja iminente.

“Os combates pesados continuam em Soledar”, garantiu o vice-ministro da Defesa ucraniano, Ganna Maliar, numa mensagem na rede social Telegram, confirmando que as forças russas “tentaram romper” a defesa ucraniana e “capturar totalmente a cidade, mas sem sucesso”.

Já anteriormente, o Kremlin tinha sido cauteloso sobre a situação no terreno.

“Não devemos ter pressa. Vamos esperar pelas declarações oficiais”, disse à imprensa o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, considerando que existe “uma dinâmica positiva nos avanços” das forças russas.

As declarações dos exércitos russo e ucraniano, no entanto, contradizem as palavras do líder do grupo paramilitar russo Wagner, que afirmou hoje que as suas unidades assumiram sozinhas o controlo de todo o território de Soledar.

Contudo, de seguida, Prigojine admitiu que prosseguem “batalhas urbanas” contra bolsas de resistência no centro da cidade, tornando incerta a extensão do controlo do grupo mercenário russo sobre esta pequena cidade de pouco mais de 10 mil habitantes antes da guerra.

O exército ucraniano nega estas alegações, garantindo que Soledar “foi, é e sempre será ucraniano” e que “não é verdade” que Prigojine esteja dentro das minas de sal de Soledar.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 7,9 milhões para países europeus –, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

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