Premiê do Líbano renuncia em meio a onda de protestos
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Correio do Pantanal

29 out 2019 às 17:11 hs
Premiê do Líbano renuncia em meio a onda de protestos

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© Reuters

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O primeiro-ministro do Líbano, Saad Hariri, anunciou nesta terça (29) que vai renunciar ao cargo, dizendo ter chegado a um “beco sem saída” na crise desencadeada por uma onda de protestos sem precedentes que ocorre há duas semanas no país. 

Em um breve discurso transmitido pela televisão -recebido pelos manifestantes nas ruas com gritos de alegria, buzinas e fogos de artifício-, Hariri, 49, afirmou que iria apresentar sua demissão ao presidente Michel Aoun. 

Desde 17 de outubro, os libaneses vêm fazendo manifestações massivas no país, que passa por sua pior crise econômica desde a guerra civil (1975-1990).  Bancos, escolas e universidades estão fechados, e barreiras bloqueiam os principais acessos à capital. 

O levante está sendo chamado de “revolução do WhatsApp” porque começou após o anúncio de um plano para cobrar uma taxa sobre chamadas de voz em aplicativos como esse. A cobrança seria de 20 centavos de libra libanesa -equivalente a R$ 0,83- por dia para ligações feitas por meio de programas que usam a tecnologia Voip, que permite chamadas pela internet. 

O governo recuou horas mais tarde, mas as manifestações continuaram, evidenciando o descontentamento da população frente a políticos que levaram o Líbano à crise econômica.

“Há 13 dias, os libaneses estão esperando por uma solução política que freie a deterioração [da economia]. E eu tentei, durante esse período, encontrar um caminho de saída pelo qual escutar a voz da população”, disse Hariri nesta terla em seu discurso de renúncia, acrescentando que é “hora de um grande choque para enfrentar a crise”. 

“A todos os parceiros na vida política, nossa responsabilidade hoje é em como protegermos o Líbano e recuperarmos sua economia”, completou. 

A saída de Hariri era a principal reivindicação dos manifestantes, mas a revolta é dirigida a toda a classe política, considerada incompetente e corrupta.

O governo, que inclui quase todos os principais partidos do país, está lutando para implementar reformas há muito adiadas e vistas como vitais para começar a resolver a crise.

No último dia 21, Hariri anunciou um plano de reforma que não convenceu: medidas contra a corrupção, um orçamento sem novos impostos, um programa de privatizações para combater a disfunção dos serviços públicos e ajuda aos mais pobres.

Segundo a imprensa, capitais ocidentais como Paris e Washington intervieram para pedir a Hariri que permanecesse em seu posto, em nome da estabilidade.    Abalado por uma guerra civil entre 1975 e 1990, o Líbano é um dos países mais endividados do mundo: o crescimento econômico foi dificultado por conflitos e instabilidade regionais. O desemprego entre pessoas com menos de 35 anos chega a 37%.

Os libaneses sofrem com a escassez crônica de água e eletricidade, e mais de um quarto da população vive abaixo da linha de pobreza.  A crise foi agravada por uma desaceleração dos fluxos de capital para o país do Oriente Médio, que há muito depende de remessas de expatriados para atender às necessidades de financiamento, incluindo o déficit do Estado.

A crise financeira aumentou o ímpeto de reforma, mas as medidas do governo ainda não convenceram os doadores estrangeiros, que ofereceram bilhões de dólares em assistência ao país condicionados a mudanças nas políticas fiscais.

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