Médicos Sem Fronteiras acusados de usar prostitutas e trocar medicamentos por sexo

Correio do Pantanal

22 jun 2018 às 08:48 hs
Médicos Sem Fronteiras acusados de usar prostitutas e trocar medicamentos por sexo

Diário de Notícias,

Trabalhadores da ONG Médicos Sem Fronteiras numa conferência de imprensa depois do desembarque dos refugiados que chegaram a Espanha a bordo do Aquarius

  |  EPA /MANUEL BRUQUE

Antigas trabalhadoras humanitárias acusaram elementos da organização não-governamental de recorrerem a prostitutas e de se gabarem de fornecer medicamentos em troca de sexo, avançou a BBC

Ex-trabalhadoras da organização não-governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras (MSF) que quiseram permanecer anónimas revelaram ao programa Victoria Derbyshire da BBCque o recurso a prostituas era “corrente” e casos como o de um colega que afirmou ser possível trocar medicamentos por sexo. As acusações não visam médicos e enfermeiros, mas staff dos MSF que trabalha a nível logístico.

Uma das ex-trabalhadoras, que trabalhava com pessoas portadoras do vírus HIV, disse que o recurso a prostitutas era “corrente”. Um “colega mais velho”, conta, chegou mesmo a levar uma prostituta para o alojamento da MSF, onde esta passou então a viver. “Era bastante óbvio que era uma prostituta mas ele dizia que era sua namorada e ela passava noite atrás de noite com ele.”

Um colega mais novo que ela, conta ainda a mesma mulher à BBC, terá ido para a casa de banho com uma prostituta local, que, afirma, lhe confirmou depois “que fizeram sexo e que ele lhe pagou”. Outra das denúncias da mesma fonte foi a de assédio sexual às próprias trabalhadoras da organização.

“[Um colega] torturava-me e trazia prostitutas para casa à minha frente”, relatou. “A pior parte foi quando saí por algumas semanas e quando voltei para o meu quarto encontrei preservativos usados que ele deliberadamente disse às pessoas ter deixado.” A mulher terá feito queixa ao chefe da missão, que a ameaçou de despedimento caso não deixasse o caso para trás.

Outra das testemunhas viu um membro da equipa levar raparigas para o seu alojamento no Quénia e que estava “implícito” que estavam ali para atividades sexuais. “As raparigas eram muito novas e dizia-se que eram prostitutas”, afirmou, acrescentando que outra colega sua corroborava a alegação.

A mulher, ex-trabalhadora da organização em Londres, afirmou ainda que não confrontou os homens “predadores” os seus atos pela sua idade e posição na organização. “Senti que com alguns dos homens mais velhos havia abuso de poder. Eles estavam lá há muito tempo e tiravam partido do seu estatuto como trabalhadores humanitários ocidentais.”

“Era frequente ver homens mais velhos, de meia-idade, em festa com raparigas locais muito mais novas. Era algo sexualizado.”

Uma terceira ex-trabalhadora relatou que um colega se gabara de ter trocado medicação por sexo durante o surto do vírus Ébola na Libéria, há alguns anos. “Ele estava a sugerir que muitas das raparigas que tinham perdido os pais durante a crise do Ébola fariam qualquer coisa, em termos de sexo, em troca de medicação”, denunciou.

A BBC indicou não ter conseguido verificar a veracidade das acusações. A ONG Médicos Sem Fronteiras declarou não ter conseguido confirmar as acusações divulgadas pela BBC por falta de informação pormenorizada.

O setor da ajuda internacional ao desenvolvimento tem sido abalado por denúncias de abuso sexual por parte de funcionários de agências especializadas da ONU e grupos de ajuda humanitária.

A ONG Médicos Sem Fronteiras declarou não ter conseguido confirmar as acusações divulgadas pela BBC por falta de informação pormenorizada. Em comunicado, a organização frisou igualmente que não tolera “abusos, assédio ou exploração”. “Sabemos que a MSF não está imune a estes problemas e levamos quaisquer denúncias a sério. Temos mecanismos criados para impedir, detetar e lidar com má conduta do pessoal”, precisou.

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