Ludhmila Hajjar recusa convite para ser ministra da Saúde

Correio do Pantanal

15 mar 2021 às 21:45 hs
Ludhmila Hajjar recusa convite para ser ministra da Saúde

Metrópoles

Foto: Wanezza Soares/Divulgação

A médica cardiologista Ludhmila Hajjar recusou, na manhã desta segunda-feira (15/3), o convite do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para assumir o Ministério da Saúde, atualmente dirigido pelo general Eduardo Pazuello.

“Infelizmente, acho que esse não é o momento para que eu assuma a pasta, principalmente por motivos técnicos. Eu sou médica, cientista, tenho todas as minhas expectativa em relação à pandemia. Eu acho que isto está acima de qualquer ideologia, essa é a minha posição. Eu fiquei honrada com o convite, mas pautei minha vida toda na ciência”, disse Hajjar, momentos após recusar a pasta, em entrevista à CNN.

No domingo (14/3), veio a público informação de que Bolsonaro estava disposto a substituir Eduardo Pazuello do cargo de ministro. E que Pazuello havia colocado o posto à disposição do presidente. No mesmo dia, o presidente Bolsonaro se reuniu, no Palácio da Alvorada, com Hajjar para discutir a sucessão.

À tarde, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com Pazuello e Ludhmila Hajjar. Mesmo assim, à noite, o Ministério da Saúde informou que o atual ministro seguiria no comando da pasta.

“Não estou doente, o presidente não pediu o meu cargo, mas o entregarei assim que o presidente pedir. Sigo como ministro da Saúde no combate ao coronavírus e salvando mais vidas”, afirmou Pazuello, por meio de sua assessoria de imprensa.

Ameaças

Defensora da vacina, a cardiologista reforça o discurso da necessidade de imunização no país e é totalmente contra o tratamento precoce, ferrenhamente defendido por Jair Bolsonaro, em especial, o uso da cloroquina.

Exatamente por essas posições, Hajjar afirmou que passou a ser ameaçada por bolsonaristas. Outro motivo para os ataques foram o apoio que ela recebeu do presidente da Câmara, Arthur Lira, e do ministro do STF Gilmar Mendes. Sites direitistas também publicaram vídeos em que a médica aparece em uma live com a ex-presidente Dilma Rousseff e em fotos ao lado do ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Hajjar é doutora em anestesiologia e já coordenou UTIs cardiológicas de diversos hospitais de ponta do país e já tratou contra a Covid-19 diversas figuras do cenário político. Em entrevista ao Metrópoles no fim de fevereiro, Ludhmila defendeu a celeridade na aquisição de imunizantes contra a Covid-19.

A médica foi a responsável pelo tratamento de Covid-19 do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), e do ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ), entre outros políticos.

Outros nomes

Com a recusa da médica, há dois nomes cotados para substituir Pazuello: o cardiologista Marcelo Queiroga e o deputado federal Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ), o Dr. Luizinho. O parlamentar preside a comissão especial do Congresso que acompanha as medidas de enfrentamento à Covid-19.

Marcelo Queiroga é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

No campo político, o deputado federal Dr. Luizinho é aliado do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Além da comissão especial da Covid-19, em 2021 ele passou a presidir a Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara. O deputado é médico e deputado federal em primeiro mandato. Ele foi secretário estadual da Saúde do Rio de Janeiro entre 2016 e 2018.

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