Ligação de oito partidos afasta Netanyahu do poder

Correio do Pantanal

2 jun 2021 às 21:12 hs
Ligação de oito partidos afasta Netanyahu do poder
Oito forças políticas israelitas uniram-se e conseguiram formar Governo
Oito forças políticas israelitas uniram-se e conseguiram formar GovernoFoto: AFP

Ana Sofia RochaOntem às 21:46

Oito forças políticas israelitas uniram-se e conseguiram o principal objetivo: formar Governo com uma coligação histórica e destronar o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, no cargo há 12 anos.

A 90 minutos do fim do prazo para apresentar ao presidente cessante, Reuven Rivlin, o novo Executivo de coligação, a Lista Árabe Unida (Ra’am, partido conservador), o Nova Esperança, partido de centro direita, e o Yamina, partido de extrema-direita – do candidato a futuro primeiro-ministro, Naftali Bennett, no quadro de uma rotação do poder -, decidiram assinar o acordo de constituição governamental com Yair Lapid (líder do partido centrista Yesh Atid, que ficou em segundo lugar nas legislativas de março).

Depois de dias a fio de negociações e de uma série de reuniões com os líderes do campo anti-Netanyahu no Knesset (Parlamento) o novo Governo juntará as mais diversas ideologias políticas com partidos da esquerda à extrema-direita do espectro político.

Este entendimento único, que vai juntar no mesmo Executivo o líder de um partido árabe-israelita e os líderes de um partido judaico-nacionalista, mudará, certamente, o cenário político, que não passará a ser necessariamente mais estável ou uniforme. A contar com o ultranacionalista Naftali Bennett – ex-ministro da Defesa de Netanyahu – e com o líder da oposição, mandatado pelo presidente, no início de maio, para constituir um Executivo, Yair Lapid, a solução governativa é uma aliança no mínimo invulgar.

Os oito partidos da coligação, que até aqui tiveram como principal objetivo arranjar maneira de derrotar Netanyahu – o chefe de Governo com mais anos de governação da História de Israel -, terão de ultrapassar diversos desentendimentos internos que, já ontem, atrasaram as negociações, escreve o jornal “Haaretz”.

O êxito da coligação é frágil e espera-se que alguns ministros de esquerda e de centro levantem ondas e se desentendam com os colegas de direita ao concentrar esforços na reforma da Polícia ou bloqueando a expansão dos colonatos.

Por outro lado, o sensível acordo com a Lista Árabe Unida, de Mansour Abbas, que exige mais recursos e direitos para a minoria árabe de Israel, poderá também comprometer o Executivo, escreve o jornal norte-americano “The New York Times”.

Ministérios à direita

Num país dividido não somente por ideologias políticas, mas pelas partes a favor e contra o atual primeiro-ministro, que está a ser julgado por corrupção em três casos e que é o primeiro chefe do Governo israelita acusado durante o mandato, urge alcançar a paz partidária interna.

Yair Lapid tem agora sete dias para distribuir as pastas ministeriais e obter um voto de confiança do Parlamento. Para já, nos esboços do acordo de coligação, está já traçada a atribuição de três pastas à direita.

O acordo de rotação dará ao líder da Nova Esperança, Gideon Sa’ar, o Ministério das Relações Externas; a Ayelet Shaked, do Yamina, o Ministério da Justiça e ao líder do Yamina, Naftali Bennett, o Ministério do Interior, escreve o jornal online “The Times of Israel”.

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