Três amigos foram libertados após 36 anos presos. Eram inocentes
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Correio do Pantanal

26 nov 2019 às 14:28 hs
Três amigos foram libertados após 36 anos presos. Eram inocentes

Tinham 16 e 17 anos quando foram condenados pelo homicídio de um adolescente de 14. Durante o julgamento, foram escondidas provas e abafados testemunhos que provavam a inocência de cada um deles.

Três amigos foram libertados após 36 anos presos. Eram inocentes
© D.R.

DN

Havia provas que os ilibavam, mas mesmo assim foram condenados pelo homicídio de um adolescente de 14 anos. Os três jovens de Baltimore (EUA), agora adultos, passaram os últimos 36 anos presos, apesar de serem inocentes. Foram libertados na segunda-feira, depois de um deles ter procurado a Conviction Integrity Unit de Baltimore – unidade que revê a integridade das provas contra condenados na prisão.

Alfred Chestnut, Ransom Watkins e Andrew Stewart foram finalmente considerados inocentes, após receberem duras penas pelo homicídio de um adolescente, DeWitt Duckett, em 1983.

“Foi um inferno”, disse Chestnut sobre a experiência na prisão. Chestnut e Watkins tinham apenas 16 anos e Stewart 17 quando receberam a sentença. Têm agora mais de cinquenta anos e são adultos em liberdade pela primeira vez nas suas vidas.

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A decisão de procurar apoio para provar a inocência dos três, após mais de três décadas na cadeia, partiu de Chestnut. A Conviction Integrity Unit de Baltimore ajuda prisioneiros a pedirem a revisão das suas penas.

Duckett, 14 anos, foi baleado por causa de um casaco da equipa de basquetebol da Universidade de Georgetown em novembro de 1983, segundo a versão da polícia. Os três condenados eram ainda adolescentes e tinham faltado às aulas para visitarem antigos professores, uma vez que já não frequentavam aquela escola.

O testemunho dos docentes foi um dos que não foram tidos em conta pela justiça: os professores disseram que os três amigos estavam a ser “tolos”, mas não ameaçadores. Acabaram os três por ser expulsos pelo segurança da escola – na versão dos então adolescentes, a expulsão aconteceu meia hora antes do crime.

Um casaco igual ditou a condenação dos três

Como base para a condenação estava uma prova – crucial para algumas testemunhas e para os procuradores: o casaco desportivo, pelo qual Duckett foi assassinado. Um casaco igual foi encontrado no quarto de Chestnut. No entanto, a peça de roupa não tinha sangue e a mãe de Chestnut apresentou um recibo que provava a compra do casaco. Um funcionário da loja testemunhou que o casaco tinha sido realmente comprado pela mulher.

As provas e testemunhos não evitaram que os três adolescentes tivessem sido detidos numa manhã do Dia de Ação de Graças, contou o advogado de Watkins à CNN.

Os advogados envolvidos no caso disseram à estação de televisão que ficaram “horrorizados” ao ver a quantidade de provas que foram escondidas da equipa de defesa e do júri. Aquele que terá sido o real culpado pelo crime acabaria por ser visto a passear com o casaco de Duckett e acabaria eventualmente por confessar o homicídio. Entretanto, o verdadeiro culpado já morreu.

Na altura em que foram libertados, os três receberam ainda um pedido de desculpas – mas será este suficiente para colmatar 36 anos de liberdade roubada?

O estado de Maryland – de onde os três são naturais e onde foi decretada a condenação – não possui um sistema formal de compensação para aqueles que são falsamente condenados por um crime. Por causa deste caso, esse sistema será revisto, bem como os interrogatórios a menores – será obrigatória a presença dos pais na mesma sala.

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