Famílias de vítimas de massacre em Suzano fecham acordo de indenização

Correio do Pantanal

6 jun 2019 às 11:24 hs
Famílias de vítimas de massacre em Suzano fecham acordo de indenização

VEJA

Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (Grande SP), onde um ataque em março deixou dez mortos, incluindo os dois atiradores (Johnny Morais/Futura Press/Folhapress)

Todas as famílias dos estudantes vítimas do massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, fizeram acordos extrajudiciais de indenização com o estado. Segundo a Defensoria Pública paulista, 45 pessoas ao todo foram indenizadas. O ataque ocorreu no dia 13 de março, deixando dez mortos, incluindo os dois atiradores.

As indenizações foram para 18 famílias (de cinco estudantes e duas funcionárias que morreram e de 11 alunos que sofreram lesões). Os valores pagos são sigilosos, conforme acordo entre a Defensoria e a Procuradoria-Geral do Estado. O pedido de sigilo, segundo a Defensoria, também foi feito pelas próprias famílias.

No dia do ataque, os atiradores G. T. M., 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25, entraram na escola na hora do intervalo. Eles já haviam matado o tio de G.T.M. com três tiros pelas costas em uma revendedora de carros a 750 metros do local.

Na unidade, atiraram contra estudantes e funcionárias e agrediram alunos com uma machadinha. Sete estudantes e duas funcionárias foram mortos. Os atiradores também morreram.

Em 6 de abril, o governo de São Paulo publicou os critérios para as indenizações. O texto estabelecia prazo de 60 dias para que cada família decidisse se optaria ou não pela proposta de indenização apresentada.

Segundo a Defensoria, cinco dias depois, 11 estudantes feridos no ataque passaram por avaliações física e psicológica de peritos do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc). Os laudos embasaram a definição de valores e acordos indenizatórios.

Responsabilidade

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) aceitou denúncia por homicídio e venda ilegal de arma de fogo contra quatro homens, acusados de vender o revólver calibre 38 e munições usados no massacre. Os réus vão responder por dez assassinatos (incluindo os dois atiradores), além de outras 11 tentativas – os feridos no ataque.

A Polícia Civil concluiu o inquérito do massacre na semana passada e indiciou Cristiano Cardias de Souza, 47 anos, o Cabelo; Geraldo de Oliveira Santos, 41, o Buiu; Marcio Germano Masson, de 33, o Alemão; além de Adeilton Pereira dos Santos.

Todos os réus já estão presos preventivamente. Como eles respondem a processo por homicídio, devem ser julgado pelo Tribunal do Júri (composto por sete pessoas comuns) -e não por um juiz togado.

Para a acusação, embora nenhum dos quatro tenha participado diretamente do ataque na Raul Brasil, os assassinatos só aconteceram porque venderam ilegalmente arma e munições para os atiradores.

Segurança nas escolas

O secretário de Estado da Educação do governo de São Paulo, Rossieli Soares, disse que está revendo os procedimentos de segurança nas escolas públicas da rede estadual. “Estamos licitando redes wi-fi, assim vamos conectar as câmeras existentes e colocar câmeras de segurança nas escolas que ainda não têm. Vamos ampliar o nossa parceria com a Polícia Militar.”

Quanto ao funcionamento da Escola Raul Brasil, o secretário ressaltou que a participação das secretarias de Saúde e de Justiça e Cidadania foram fundamentais para atuar junto à escola e a comunidade. “Hoje, a escola tem funcionado regularmente, e temos colocado ainda mais suporte para apoiar a cidade. Mas um indicador importante é que apenas 20 alunos foram transferidos ou saíram por algum motivo, isso é, nenhum nível acima de outra escolas.”

(com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)

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