Israel distingue Anthony Fauci: 1 milhão de dólares pela defesa da ciência

Correio do Pantanal

17 fev 2021 às 14:59 hs
Israel distingue Anthony Fauci: 1 milhão de dólares pela defesa da ciência

O cientista norte-americano ganhou o Prémio Dan David, de 1 milhão de dólares, por “defender a ciência” e as vacinas que estão agora a ser administradas em todo o mundo para combater o coronavírus.

Anthony Fauci, de 80 anos, é diretor do Instituto de Alergias e Doenças Infeciosas desde 1984.
Anthony Fauci, de 80 anos, é diretor do Instituto de Alergias e Doenças Infeciosas desde 1984.© EPA/Al Drago

DN16 Fevereiro 2021 — 21:14

AFundação Dan David, com sede em Israel, atribuiu um dos três prémios anuais a Anthony Fauci, o conselheiro médico principal do presidente dos EUA, Joe Biden. Fauci ganhou o prémio pela sua contribuição no campo da saúde pública, disse a fundação, bem como a sua defesa das vacinas contra a covid-19.

O Prémio Dan David, criado em 2000, e que atribui anualmente um milhão de dólares em três categorias, destacou o reconhecimento obtido por Fauci enquanto investigador ao longo de décadas, em especial sobre o VIH.

O dinheiro não deverá ser motivo de especial alegria para Anthony Fauci. O empresário David Rubenstein, do grupo Carlyle, revelou que o convidou há vários anos para o setor privado, e o cientista respondeu que não era o dinheiro que o motivava, mas sim o serviço ao país.

No comunicado, a fundação privada não mencionou o ex-presidente Donald Trump, com o qual Fauci teve uma relação tensa. No entanto, elogiou Fauci pela “defesa corajosa da ciência face a uma oposição desinformada durante a desafiante crise da covid”.

“À medida que a pandemia da covid-19 se desenrolou, impulsionou as suas consideráveis capacidades de comunicação para se dirigir às pessoas dominadas pelo medo e ansiedade e trabalhou incansavelmente para informar indivíduos nos Estados Unidos e noutros locais sobre as medidas de saúde pública essenciais para conter a propagação da pandemia”, disse o comité de prémios da fundação, que destacou ainda Fauci por “falar a verdade ao poder num ambiente político extremamente carregado”.

O imunologista Anthony Fauci, de 80 anos, exerce o cargo de diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas desde 1984, tendo trabalhado com sete presidentes.

Em entrevistas recentes, Fauci reconheceu que por vezes era difícil trabalhar com Trump, que minimizou a gravidade da pandemia, rejeitou a necessidade de usar máscaras e várias vezes sugeriu em público a administração de medicamentos sem eficácia comprovada, como a hidroxicloroquina, e até a injeção de lixívia.

Quando as sondagens destacavam Fauci e penalizavam Trump, este chegou a pedir o seu despedimento. O seu ex-conselheiro Steve Bannon, entretanto detido por fraude e mais tarde perdoado por Trump, chegou a incitar à decapitação de Fauci.

“Foi muito claro que houve coisas que foram ditas, seja em relação a coisas como hidroxicloroquina e outras coisas, que foram realmente desconfortáveis porque não se basearam em factos científicos”, disse Fauci numa conferência de imprensa.

Para o investigador a eleição de Biden foi “libertadora”, tendo afirmado que não teve qualquer prazer em corrigir o presidente.

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