Governadores pedem apoio para compra de vacinas e denunciam ameaças

Correio do Pantanal

17 mar 2021 às 05:41 hs
Governadores pedem apoio para compra de vacinas e denunciam ameaças

Eles participaram na segunda-feira (15) de audiência pública remota da comissão de acompanhamento das medidas contra a covid-19.

 16/03/2021 – 07h18

De Brasília 

Governadores pedem apoio para compra de vacinas (Foto: Agência Senado)

Além de pedir apoio do Senado para a negociação, compra e entrega de vacinas contra a covid-19, os governadores dos estados do Espírito Santo, Renato Casagrande, do Maranhão, Flávio Dino, do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e de São Paulo, João Dória, denunciaram ameaças a familiares durante manifestações deste final de semana contra as medidas para conter o avanço da pandemia. 

Eles participaram na segunda-feira (15) de audiência pública remota da comissão de acompanhamento das medidas contra a covid-19.

Todos prestaram solidariedade ao governador Renato Casagrande, cuja mãe, de 88 anos, foi atacada verbalmente  neste domingo por apoiadores do governo Bolsonaro: manifestantes com carro de som fizeram ameaças em frente ao seu endereço.

“]sso coloca em risco a vida de uma pessoa com a idade da minha mãe. É inaceitável! — disse Casagrande, recebendo o apoio dos demais participantes da reunião, como o presidente da comissão, senador Confúcio Moura (MDB-RO).

Sem coordenação 

Os governadores voltaram a apontar a inexistência de uma coordenação nacional que atue para referendar as medidas preventivas aplicadas pelos governos estaduais. E pediram a participação do Senado negociações diplomáticas com outros países para aquisição das vacinas.

Este é o segundo grupo de governadores ouvidos pela comissão para relatar como está a situação da pandemia nos seus estados.

Casagrande, disse que, além da guerra contra o vírus, o país enfrenta uma tensão político-ideológica que atrapalha o combate à pandemia. Ele classificou de contraditórios os discursos e ações do governo federal, impedindo a união nacional no combate a propagação do vírus.

“O governo tem que passar a exercer uma coordenação dessa ação, o que não fez até agora, contraditoriamente. O governo federal ajudou estados e municípios no ano passado com recursos e vai continuar ajudando-os neste ano, mas, contraditoriamente, na política e na ideologia, o governo acaba tendo um comportamento que atrapalha muito o enfrentamento à pandemia. Então, é preciso que o governo mude, mas nós não acreditamos muito na mudança”, disse Casagrande.

Butantan

O governador de São Paulo, João Dória, afirmou que os 21 gestores que integram o Fórum de Governadores têm feito um “esforço gigantesto” para alinhar ações de enfrentamento ao momento mais crítico da crise sanitária. Diante disso, têm recebido  ameaças pessoais por adotar medidas de combate à disseminação do coronavírus. Por outro lado, disse, o presidente da República, Jair Bolsonaro, adota postura negacionista e tem dificultado a aquisição de vacinas.

“Nós acertamos e fizemos o nosso acordo com o laboratório Sinovac [que produz a vacina Coronac em parceria com o Instituto Butantan] em abril do ano passado. Em outubro, já tínhamos aqui a vacina. Poderíamos ter iniciado a imunização dos brasileiros em novembro do ano passado. Hoje já teríamos mais de 40% da população brasileira imunizada e teríamos salvo milhares de pessoas que, infelizmente, foram a óbito”, disse Dória, ressaltando que nove de cada 10 brasileiros vacinados têm recebido a vacina do Butantan.

Compra de vacinas 

Os participantes da audiência integram um grupo de 21 governadores que assinaram uma carta por um pacto nacional entre os poderes da União, estados e municípios no combate à crise. Para eles, o Senado Federal, tem legitimidade para auxiliar nas relações diplomáticas com outros países para acelerar as entregas das vacinas, inclusive contanto com a solidariedade de organismos internacionais, já que o país se tornou o epicentro mundial da crise sanitária.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, creditou ao governo federal o atraso da oferta de imunizantes no Brasil.

“Existe a culpa do governo, que colocou o Brasil no final da fila porque ficou negando durante muito tempo a importância da vacina, não é? Foi negacionista, criticou, atacou as vacinas, então o Brasil pegou o fim da fila para conseguir vacinas. Negociou já mais de 500 milhões de doses, mas a maior parte dos 500 milhões de doses vai chegar só no final, no segundo semestre”, lamentou.

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