Focus: mercado projeta crescimento econômico de menos de 1% em 2022

Correio do Pantanal

16 nov 2021 às 20:59 hs
Focus: mercado projeta crescimento econômico de menos de 1% em 2022

16 de novembro de 2021 0

Foto: Getty Images

Cada vez menor, a expectativa do mercado financeiro para o desempenho da atividade econômica em 2022 já é de leve avanço de 0,93%. Embora seja a sexta redução consecutiva na projeção, essa é a primeira vez que o patamar fica abaixo de 1%. Há quatro semanas, o crescimento esperado era de 1,50%.

Os números são do Boletim Focus do Banco Central (BC), divulgado nesta terça-feira (16). O documento reúne a estimativa de mais de 100 instituições do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos.

Ao mesmo tempo, a média das previsões dos agentes financeiros para o Produto Interno Bruto (PIB) 2021 também recuou novamente, de 5,01%, há um mês, para 4,88%.

Inflação segue avançando

Por outro lado, as estimativas para a inflação deste e do próximo ano continuam subindo. Para 2021, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, passou de 8,49% para 9,77% em um mês. No mesmo período, a expectativa para o IPCA em 2022 passou de 4,18% para 4,79%.

Segundo a meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o IPCA não deveria ultrapassar os 5,25% este ano. O centro da meta é de 3,75%, no entanto, a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo permite que o índice varie de 2,25% a 5,25%.

Nesta terça-feira (16), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comentou, em Lisboa, que é a primeira vez que o Brasil sofre pressão inflacionária interna e importa, ao mesmo tempo, inflação de outros países.

“Demoramos a entender onde de fato estava o problema. O que a gente vê é uma grande alta da inflação mundial. (Para o pós-pandemia,) O comércio mundial foi organizado para minimizar estoques e fazer o máximo de eficiência em termos de estoque possível e maximizar vantagem comparativa”, disse.

PUBLICIDADE

“Isso significa que cada país produz o que tem de vantagem comparativa: vou voltar a fazer coisas em que eu não tenho vantagem comparativa. É preocupante. (Significa) Crescimento mais baixo e com menos eficiência lá na frente. Os governos demoraram a entender. O volume de recurso colocado foi muito grande”, acrescentou o chefe da autoridade monetária.

Nos últimos meses, o BC trabalha no movimento de alta da taxa básica de juros, a Selic, que é o principal instrumento monetário para controlar a alta inflacionária. No momento, a taxa está em 7,75% ao ano. O mercado já espera que a Selic finalize 2021 em 9,25% a.a. e alcance 11% a.a. em 2022. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece nos dias 7 e 8 de dezembro.

ATENÇÃO: Comente com responsabilidade, os comentários não representam a opnião do Jornal Correio do Pantanal. Comentários ofensivos e que não tenham relação com a notícia, poderão ser retirados sem prévia notificação.