Família russa de anúncio LGBT é alvo de ameaças e foge para Barcelona

Correio do Pantanal

7 ago 2021 às 23:00 hs
Família russa de anúncio LGBT é alvo de ameaças e foge para Barcelona
Família russa de anúncio LGBT é alvo de ameaças e foge para Barcelona
Foto: VkusVill

Identidade da família russa homossexual foi revelada e multiplicaram-se as ameaças, até de violação. Apesar do amor à terra natal, é em Barcelona que elas se sentem “seguras” e “normais”.

O anúncio era simples. Um casal lésbico e as duas filhas a publicitarem os produtos da cadeia de supermercados russa “VkusVill” à boleia da legenda “receitas para uma família feliz”. As quatro mulheres estavam, contudo, longe de saber o pesadelo que se aproximava.

Face à forte polémica que a campanha gerou, a empresa viu-se obrigada a retirá-la, na sequência de várias críticas por, alegadamente, ser contra a “lei de propaganda gay” russa, que proíbe todos os conteúdos que possam incentivar a homossexualidade junto a menores. Mas a história não termina com a substituição da imagem pela de um casal heterossexual. A família foi alvo de uma campanha de ódio nas redes sociais e, ameaçada de morte, decidiu fugir para Espanha onde, finalmente, se sente segura.

“Muitas salas de chat publicaram os nossos perfis de Instagram e endereços de email. Surgiram vários comentários estúpidos mas também assustadores, como por exemplo a imagem de um machado coberto de sangue”, contou Mila, a filha mais nova. “Não nos sentimos seguras na Rússia“, reconheceu.

A própria cadeia de supermercados inverteu a sua posição. Se, no início, defendeu que seria “muito hipócrita não falar sobre as famílias reais”, não tardou a reagir às críticas de que foi alvo, sublinhando que a campanha publicitária foi um “erro”, uma “manifestação de falta de profissionalismo” que “feriu os sentimentos de muitos clientes”.

Um volte-face na sequência do qual o casal russo começou a ser bombardeado com telefonemas e comentários de ódio, que incluíam até uma ameaça de violação a uma das crianças da família. “Não temos leis antidiscriminação [na Rússia], por isso, não há nenhuma proteção”, frisou Mila, acrescentando que, desta forma, nem é possível recorrer à polícia.

De recordar que, em 2013, com a publicação da “lei de propaganda gay“, muitos professores e profissionais de saúde foram obrigados a conter os seus discursos sobre homossexualidade e vários portais dedicados a prestar informações a jovens LGBT acabaram encerrados.

Um artigo publicado no espanhol “El País” sobre a história do anúncio russo foi decisivo para a mudança da família. “Muitas pessoas em Espanha disseram-nos que, lá, estaríamos seguras e que merecíamos algo melhor”, contou, assegurando que, apesar do amor ao país natal, a segurança “está em primeiro lugar”.

“Não sabemos como vai ser o nosso futuro, mas sentimo-nos seguras em Barcelona. Aqui podemos ser nós mesmas e viver como uma família normal”, concluiu.

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