Há 50 anos enviou o primeiro email da história, agora vê um lado obscuro na internet
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Correio do Pantanal

29 out 2019 às 08:08 hs
Há 50 anos enviou o primeiro email da história, agora vê um lado obscuro na internet

Leonard Kleinorck, o norte-americano que enviou o primeiro email, diz que os programadores atuais não querem saber de segurança e privacidade. Só interessa chegar primeiro e obter o lucro.

Leornard Kleinrock na UCLA, numa imagem de 2011
Leornard Kleinrock na UCLA, numa imagem de 2011© reuters

DN

Tudo começou há 50 anos e até foi uma mensagem com erro. A Internet deu o seu primeiro passo em 29 de outubro de 1969, quando a primeira transmissão de dados foi efetuada nos Estados Unidos da América. Leonard Kleinrock estava numa sala da Universidade da California em Los Angeles com o estudante Charley Kline e enviaram aquilo que seria o primeiro email da história.

A mensagem seria Login e o destinatário Douglas Engelbart, do Stanford Research Institute a mais de 500 km de distância. Acabou por seguir apenas Lo, já que o sistema caiu a meio, mas estava transmitida a primeira mensagem “host to host”. Era o primeiro email e um passo decisivo para a internet. Até essa data, as comunicações só tinham acontecido por troca de mensagens entre terminais do mesmo computador. Hoje, o cientista vê a internet de forma mais negra e tem reservas sobre a forma como os programadores e as companhias operam.

Naquele dia de 1969, foi o início de uma nova era. “Enviei a primeira mensagem online, mas era como qualquer outro dia no escritório. Mal dei importância. Estávamos a tentar resolver um problema complexo e sabíamos que poderia ter impacto. O que nos entusiasmava era o desafio da engenharia, a excitação de fazer algo novo. A recompensa obviamente não era financeira, mas era resolver um problema e criar algo que mais alguém usaria“, recorda Leonard Kleinrock citado pelo jornal El País.

O investigador, hoje com 85 anos, fez, contudo, a previsão do que vemos agora no nosso mundo, como relembra hoje o site da UCLA. “A partir de agora”, disse Kleinrock na época, “as redes de computadores ainda estão gatinhando. Mas, à medida que crescerem e se tornarem mais sofisticadas, provavelmente veremos a disseminação de ‘utilitários de computador’ que, como os atuais serviços de eletricidade e telefone, vão servir residências e escritórios individuais em todo o país”.

Ficou claro que chegaria a cada casa, mas na época não pude ver, nem eu nem ninguém, a parte poderosa da comunidade [redes sociais] e o seu impacto em cada aspeto da sociedade. Só quando o correio eletrónico inundou a rede em 1972 é que percebi o poder que a Internet teria em permitir a interação entre as pessoas“, diz agora Kleinrock.

A segurança e privacidade foram temas que não foram levados em devida conta. Não havia ainda roubo de dados nem emails fraudulentos, ou outras ‘piratarias’. “Não precisávamos de segurança ou privacidade”, admite Kleinrock. “Ninguém precisava. Havia algo incluído na tecnologia inicial chamada interface de linha privada que foi criptografada. Mas ninguém usou porque não era necessário. Por isso, não se desenvolveu “, explica.

“Os programadores são péssimos”

Em abril de 1994, os investigadores deram de caras com a primeira mensagem de spam. “Tratava-se de um sorteio de green cards, as autorizações de residência permanente nos Estados Unidos, com a mensagem de email a sugerir que era o último sorteio e incentivava os destinatários a responder mais informações. Daqui a exigir dinheiro por nada, foi apenas um passo”. Quando Kleinrock viu essas mensagens falsas em 1994, ficou surpreendido. A única maneira de remediar seria reiniciar a Internet, o que exigia desconectar todos os equipamentos. Era tarde demais. “As grandes empresas não se importam. Elas exploram a falta de privacidade. As pessoas corrompem-se com muita facilidade”, afirma.

A internet é frágil e exige cuidados. Kleinrock não está muito otimista. “Os programadores são péssimos. Porquê? Tentam algum código, não funciona; procuram mudar alguma coisa, não funciona. E se tentam algo diferente e funciona, pronto, já está. Como teórico e matemático, tenho que analisar e avaliar, qual é o seu desempenho? Funciona bem? Quais são os limites? Os programadores não pensam assim. Só querem que funcione e quando isso acontece, lançam no mercado”, explica, acrescentando “Para um sistema operacional ou aplicativo, é importante ser o primeiro no mercado, não o mais perfeito em segurança ou privacidade. Para isso, existem as atualizações subsequentes. Há muito dinheiro em jogo para quem chega primeiro.”

Neste 50º aniversário, Kleinrock organizou um dia de comemoração na sua universidade, UCLA. Não será um evento nostálgico, diz. Mas está ciente de que haverá muitos lamentos e por isso colocou o ex-campeão mundial de xadrez Gary Kasparov, que tem uma visão otimista da tecnologia, como orador final. É a conclusão de Kleinrock: a internet tem muitos buracos, mas “olhar para ela como um todo, é uma coisa maravilhosa.”

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