As revelações de um ex-espião do KGB: Trump é um “ativo” da Rússia há mais de 40 anos
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Correio do Pantanal

29 jan 2021 às 20:51 hs
As revelações de um ex-espião do KGB: Trump é um “ativo” da Rússia há mais de 40 anos
Donald Trump, presidente cessante dos Estados Unidos, terá sido "angariado" pelo KGB como um "ativo"
Donald Trump, presidente cessante dos Estados Unidos, terá sido “angariado” pelo KGB como um “ativo”Foto: AFP

Rita Neves CostaOntem às 16:32

Um novo livro sobre o ex-presidente dos EUA acrescenta mais uma camada à alegada e polémica relação de Donald Trump com altas figuras da Rússia. Um ex-espião do KGB garante que o empresário norte-americano foi um “alvo perfeito” para que Moscovo ganhasse poder.

No final dos anos 70, Donald Trump era um empresário em ascensão nos EUA e começou a chamar a atenção dos serviços de inteligência russos, nomeadamente na então Checoslováquia. O norte-americano tinha casado com a modelo checa Ivana Zelníčková e era um dos alvos perfeitos para o KGB, os serviços secretos da União Soviética. No livro “Kompromat Americano: Como o KGB cultivou Donald Trump e contos relacionados de sexo, ganância, poder e traição”, publicado este mês e escrito pelo jornalista Craig Unger, traz novas revelações sobre a intrínseca relação, de mais de 40 anos, entre Trump e a Rússia. E tudo começa numa fonte: Yuri Shvets, ex-espião russo colocado em Washington nos anos 80 pela União Soviética.

Ivana Zelníčková, ex-mulher de Donald Trump, que terá viajado com ele até à Rússia
Ivana Zelníčková, ex-mulher de Donald Trump, que terá viajado com ele até à RússiaFoto: AP

Shvets começou a trabalhar na América como correspondente da agência russa de notícias Tass, durante 1980. Mais tarde, em 1993, mudou-se permanentemente para os Estados Unidos e conseguiu a cidadania norte-americana. Hoje, aos 67 anos, vive no estado da Virgínia e é ele que expõe a proximidade entre o presidente cessante dos Estados Unidos e Moscovo. Trump é “um exemplo de pessoas que foram recrutadas quando eram apenas estudantes e depois chegaram a posições importantes“, contou ao jornal “The Guardian”.

Para o KGB, na década de 80, Donald Trump era uma figura importante e fácil de manobrar. “Eles reuniram muita informação acerca da sua personalidade, sabiam como ele era pessoalmente. Havia a sensação de que ele era extremamente vulnerável, a nível intelectual e psicológico, era propício à adulação”, descreve o ex-espião russo.

A sua vaidade e o narcisismo faziam dele um alvo natural para recrutar

Após ter chamado a atenção aos serviços de inteligência russa na Checoslováquia, Trump abre no início da década de 80 o seu primeiro grande hotel, o Grand Hyatt, em Manhattan. Para equipá-lo, segundo Yuri Shvets, o empresário compra 200 televisões a Semyon Kislin, um emigrante soviético que era o coproprietário da eletrónica Joy-Lud. De acordo com Shvets, a empresa de eletrónica era controlada pelo KGB e Kislin era uma espécie de olheiro. Um dos alvos foi Donald Trump, na altura um jovem empresário que poderia ajudar Moscovo. “A sua vaidade e o narcisismo faziam dele um alvo natural para recrutar”, esclarece Craig Unger, autor do novo livro, numa altura em que “os russos tentavam recrutar como loucos”.

No entanto, a “operação de charme” torna-se ainda mais pormenorizada. Em 1987, Donald Trump viaja com a esposa Ivana Zelníčková para São Petersburgo e Moscovo: é nesta viagem que contacta com vários agentes do KGB, que o elogiam e o incentivam a entrar na política. “Eles jogaram o jogo como se estivessem imensamente impressionados com a sua personalidade e acreditassem que este é o homem que um dia deveria ser o presidente dos Estados Unidos”, recorda o ex-espião Shvets.

No regresso aos Estados Unidos, um Trump empolgado começa a explorar como pode ser indicado pelo Partido Republicano para uma corrida presidencial, algo que viria a acontecer em 2016, quando foi eleito presidente dos EUA. Como medida imediata, o empresário promove tomadas de posição políticas nos meios de comunicação social e na rua. Trump publica anúncios de página inteira no “The New York Times”, “Washington Post” e “Boston Globe”, onde aborda a política de defesa externa da América e questionava a participação do país na NATO e a relação com o Japão.

Eles jogaram o jogo como se estivessem imensamente impressionados

Na Rússia, a ação de Trump foi recebida com ânimo. Yuri Shvets recorda que quando estava em Moscovo recebeu um telegrama que rejubilava com a nova “contratação” do empresário norte-americano como um “ativo” do KGB. Terá sido assim durante mais de 40 anos, até ao momento em que Trump foi eleito – é ainda de recordar as suspeitas de interferência russa nas presidenciais de 2016. Contudo, Craig Unger não acredita que a intenção da Rússia fosse que Trump chegasse ao mais alto cargo dos EUA. Na altura, foi mais um ativo e não existia um “plano engenhoso” para que chegasse à presidência.

Para o livro foram ouvidas várias pessoas, entre “soviéticos que renunciaram à KGB e se mudaram para os Estados Unidos, ex-oficiais da CIA, agentes da contra espionagem do FBI, advogados” e analisados milhares de documentos e de notícias “em inglês, russo e ucraniano”, descreve um texto de apresentação de “Kompromat Americano”. Desta forma, espera o autor, será mais fácil entender “as operações kompromat [material comprometedor]” que “documentaram os segredos mais sombrios das pessoas mais poderosas do mundo e os transformaram em armas potentes”.

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