Aprovada nova fase do impeachment. “Maior caça às bruxas da História”, reage Trump
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Correio do Pantanal

31 out 2019 às 17:51 hs
Aprovada nova fase do impeachment. “Maior caça às bruxas da História”, reage Trump

Presidente Donald Trump reagiu no Twitter à votação na Câmara dos Representantes onde os democratas obtiveram votos suficientes para passar à fase seguinte do inquérito. Em causa estava a formalização do inquérito que poderá ou não levar ao impeachment.

Nancy Pelosi
Nancy Pelosi© REUTERS/Tom Brenner

Helena Tecedeiro DN

Amaioria na Câmara dos Representantes dos EUA conseguiu votos suficientes para aprovar a passagem à próxima fase do processo de destituição (o famoso impeachment) contra o presidente Donald Trump. .

Esta votação foi o primeiro teste formal para se perceber se a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, tem apoio para a investigação lançada a 24 de setembro.

A própria Pelosi, que geralmente não vota nestas ocasiões, desta vez abriu uma exceção e votou a favor da passagem à fase seguinte.

A medida passou com 232 votos a favor e 196 contra. Quatro membros da Câmara dos Representantes não votaram por estarem ausentes.

Em causa estava não o impeachment do presidente, mas sim a formalização do inquérito que poderá ou não levar a esse impeachment. A investigação pode agora prosseguir com as audições na Comissão dos Serviços Secretos da Câmara, que só devem terminar em meados de novembro.

A investigação do impeachment visa esclarecer se Trump procurou pressionar o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky para o ajudar a investigar Hunter Biden, o filho de Joe Biden, ex-vice-presidente dos EUA e um dos favoritos à nomeação democrata para as presidenciais de 2020.

Trump não tardou a reagir no Twitter, denunciando “A Maior Caça às Bruxas da História Americana!”

Donald J. Trump@realDonaldTrump

The Greatest Witch Hunt In American History!104K11:31 AM – Oct 31, 2019Twitter Ads info and privacy69.5K people are talking about this

Numa entrevista feita à rádio britânica LBC, conduzida por Nigel Farage, líder do Partido do Brexit, o presidente norte-americano comentou a votação como sendo um ato de “desespero” dos democratas. “Eles não têm nada. Vão tentar vencer as eleições desta maneira porque não conseguem fazê-lo de forma justa“, disse Trump.

A Casa Branca também criticou a votação, com o porta-voz de Trump a denunciar a “obsessão dos democratas com procedimentos ilegítimos de impeachment”. Num comunicado, Stephanie Grisham garantiu: “O presidente não fez nada de errado, e os democratas sabem disso”. Para a porta-voz esta “perseguição” de que o presidente está a ser alvo “está a prejudicar o povo americano”.

Numa conferência de imprensa, Pelosi garantiu, por seu lado, que “estas regras [que agora foram votadas] são mais justas do que qualquer coisa que tenha sido aprovado num processo de impeachment”.

Apesar desta primeira vitória dos democratas, é ainda muito cedo para gritarem vitória. Os republicanos, que nas intercalares de 2018 perderam a maioria na Câmara dos Representantes, continuam a dominar o Senado. Ora para ser aprovado o impeachment seriam necessários dois terços dos votos no Senado. Um cenário que parece difícil de concretizar. Até porque nenhum dos republicanos da Câmara votou esta quinta-feira a favor do avançar do processo.

Dois democratas votaram contra

Na votação desta quinta-feira, dois democratas votaram contra a passagem à próxima fase do processo de destituição. São eles Jeff Van Drew, congressista de New Jersey, e Collin Peterson, do Minnesota.

Van Drew justificou o seu voto por acreditar que o processo de impeachment “vai dividir, ainda mais, o país destruindo tudo, acabando por fracassar no Senado”. Num comunicado, o congressista de New Jersey referiu ainda que, agora que o processo avançou para uma nova fase, irá fazer o seu julgamento “baseado nas provas apresentadas por esta investigação”.

Audiências vão deixar de ser à porta fechada

Para o presidente do Comissão dos Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, Adam Schiff, a formalização do processo de destituição do presidente não é um motivo de “alegria”. “Não nos alegramos em ter que seguir por este caminho e prosseguir com a investigação de impeachment, mas também não nos esquivamos dela”, disse o democrata.

Adam Schiff explicou que nesta nova fase do processo as audiências vão deixar de ser à porta fechada. De acordo com a CNN, a aprovação desta medida vai permitir ao presidente da Comissão de Serviços Secretos divulgar as transcrições dos depoimentos que até agora foram realizados à porta fechada.

“Os eleitores vão castigar os democratas que apoiam esta farsa e o presidente Trump será facilmente eleito”. Esta foi a reação de Brad Parscale, presidente da campanha de Donald Trump para as eleições presidenciais 2020. “A votação de hoje apenas prova que todo o inquérito de impeachment foi uma farsa desde o início”, considerou.

Brad Parscale defende que todos os americanos conseguem ver que este processo “é uma tentativa de afastar um presidente eleito por razões estritamente políticas, um processo estritamente partidário e ilegitimo”.

Na Constituição dos EUA lê-se que o Congresso pode destituir um presidente se considerar que cometeu “traição, suborno ou outros crimes e delitos graves”. Ora é esta última expressão que abre a porta ao processo agora votado pela Câmara dos Representantes contra Donald Trump.

Olhando para o passado, a verdade é que nunca aconteceu. Só três presidentes americanos foram alvo de impeachment – Andrew Johnson em 1868, Richard Nixon em 1974 e Bill Clinton em 1999. Um por ter destituído o secretário da Guerra à revelia do Senado, outro por espionagem e o terceiro por ter mentido sobre a relação sexual com uma estagiária da Casa Branca. Nenhum foi afastado: Johnson e Clinton foram ilibados; Nixon demitiu-se antes do início do processo.

Com Susete Henriques.

Atualizado às 17:23.

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