Estudo. Mais de metade dos contágios poderá ser de pessoas sem sintomas

Correio do Pantanal

7 jan 2021 às 13:01 hs
Estudo. Mais de metade dos contágios poderá ser de pessoas sem sintomas

O estudo foi publicado esta quinta-feira num boletim científico da Associação Médica Americana, dos Estados Unidos.

Estudo. Mais de metade dos contágios poderá ser de pessoas sem sintomas

Lusa07 Janeiro 2021 

Mais de metade dos contágios pelo novo coronavírus poderá ser provocado por transmissão assintomática, consideram investigadores norte-americanos que reforçam a importância de medidas como o uso de máscaras.

No modelo que elaboraram, estimam que 59 por cento dos contágios podem ser provocados quer por pessoas antes de desenvolverem sintomas (35%), quer por pessoas que, embora infetadas, nunca vêm a ter sintomas.

O estudo foi publicado esta quinta-feira num boletim científico da Associação Médica Americana, dos Estados Unidos.

Ressalvando que o modelo é limitado porque se baseia em suposições, sem ser possível obter números exatos, defendem que reduzir o risco de propagar as infeções pelo SARS-CoV-2 passará por contar com a transmissão por assintomáticos e, especialmente, pela testagem de pessoas sem sintomas a par das outras medidas mais difundidas.

“Essas medidas podem ser suplementadas pela testagem estratégica de pessoas que não estão doentes, tais como as que estiveram expostas a casos confirmados ou estão em risco de expor outros [ao vírus] “, como trabalhadores de instalações comunitárias ou que estão em contacto frequente com o público.

Salientam que “o controlo bem-sucedido do SARS-CoV-2 não pode basear-se apenas na identificação e isolamento de casos sintomáticos, que mesmo que fosse aplicada eficazmente, seria insuficiente”.

No estudo cujo principal autor é Michael A. Johansson, da universidade norte-americana de Harvard, assume-se que “cada componente é incerta” para calcular os riscos de transmissão, pelo que se analisaram cenários diferentes baseados em dias diferentes da infeção, escolhendo a mediana de o quinto dia ser o mais passível de provocar contágio.

“Mantendo a premissa de 24% de transmissão por indivíduos que nunca tiveram sintomas, mas mudando o pico de infecciosidade para o quarto dia de infeção, a transmissão pré-sintomas aumentava para 43% e a transmissão assintomática para 67%. Um pico mais tardio, no sexto dia, diminuía a pré-sintomática para 27% e a assintomática para 51%”, exemplificam os autores do estudo.

Se o fator de reprodução do vírus (Fator R0) “num determinado contexto for 02, então é precisa uma redução de 50% na transmissão para reduzir o fator de reprodução para menos de 01”.

“Como em alguns cenários o R é provavelmente muito superior a 02, e mais de metade dos contágios podem ter origem em indivíduos que estavam sem sintomas, um controlo eficaz tem que mitigar o risco de transmissão também de pessoas sem sintomas”, concluem.

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