“Escobar” do MS, ex-major compra empresa aérea e foge no próprio avião

Correio do Pantanal

26 fev 2021 às 21:22 hs
“Escobar” do MS, ex-major compra empresa aérea e foge no próprio avião
Conhecido em Portugal como “Escobar brasileiro”, ex-policial sul-mato-grossense é o maior narcotraficante procurado na Europa
26/02/2021 15:43 – Bruna Pasche Correio do estado

FOTO DIVULGAÇÃO


Sérgio Roberto de Carvalho, de 62 anos, ex-major da polícia e maior narcotraficante procurado na Europa, comprou uma empresa aérea em Cascais, a 40 km de Lisboa, e fugiu com destino a Kiev, na Ucrânia, no próprio avião. O ex-policial é sul-mato-grossense e conhecido em Portugal como “Escobar brasileiro”, em referência ao colombiano Pablo Escobar.  

Segundo divulgado pelo colunista Josmar Jozino, no portal UOL, documentos mostram que Carvalho encontrou 11 milhões de euros (mais de R $ 73 milhões, na cotação atual) escondidos em malas dentro de uma van na garagem de um prédio alugado em uma das avenidas mais famosas de Lisboa, avenida da Liberdade, em novembro de 2020.  

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O ex-policial vivia em uma luxuosa mansão avaliada em 2,2 milhões de euros (quase R $ 15 milhões), em Marbella, região de Málaga, na Espanha, além de ter dois apartamentos em Lisboa, uma empresa em Dubai, nos Emirados Árabes e viver com identidade falsa. Os bens foram bloqueados judicialmente.

A Operação Enterprise, deflagrada no fim do ano passado pela Polícia Federal concluiu que o “Escobar brasileiro” adicionou 45 toneladas de cocaína do Brasil para a Europa, via portos brasileiros. A quantidade da droga foi avaliada em R $ 2,25 bilhões.  

As autoridades lusitanas afirmaram ainda que Carvalho comprou uma Airjetsul companhia aérea para utilizar os jatos para transportar droga para África, Europa e Ásia.  

A Polícia Judiciária de Portugal investiga agora se os 578 kg de cocaína apreendidos no Falcon 900 da empresa Táxi Aéreo Omni Aviação, no último dia 9, no Aeroporto Internacional de Salvador, na Bahia, foram encomendados por ele.  

A investiga apura se Carvalho está comprando a Omni por meio de lobistas brasileiros e “cartolas” ligados ao futebol português. A imprensa portuguesa divulgou que um dos suspeitos de intermediar a negociação é o empresário João Loureiro, ex-presidente do Boavista, hora da primeira divisão, campeão português em 2000 / 2001.À rede de televisão SIC, ele garantiu não ter qualquer envolvimento neste caso.

Loureiro prestou depoimento à Polícia Federal durante quatro horas e teve seu celular apreendido para análise e depois devolvido. Ele embarcou no Falcon 900 com destino ao Brasil no dia 28 de janeiro deste ano. Além dele estava na aeronave três tripulantes e o espanhol Mansur Mohamed Heredia. O carro desse último foi apreendido no aeródromo de Tires para ser periciado.  

O avião pousou em Salvador e seguiu para o aeroporto de Jundiaí (SP), cidade onde a mesma quadrilha de “Escobar brasileiro” usava um hangar para o transporte de drogas. Alguns dias depois, no início de fevereiro, no retorno a Salvador, o piloto detectou problemas no trem de pouso e comunicou a torre de controle.

Mecânicos, policiais federais e civis de Salvador exclusivos de 578 kg da droga escondidos na fuselagem da aeronave. A cocaína estava em pacotes com marcas de materiais esportivos famosos.  

O portal teve acesso ainda a documentos com uma lista de sete passageiros que embarcariam no jato, sendo a limitação ligada ao futebol português. Um deles, Bruno Carvalho, participou das crianças do retorno técnico Jorge Jesus ao Benfica. Já Bruno Macedo é o agente que levou o treinador Abel Ferreira ao Palmeiras.  

Outra documentação traz os nomes de uma pessoa e da empresa responsável pelo fretamento do jato da Omni. O custo foi de 130 mil euros (R $ 870 mil).

A empresa era sediada na Vila Santa Maria, bairro da zona norte de São Paulo, e um dos sócios é advogado. A reportagem não conseguiu falar com ele.  

A Polícia Federal não quis se manifestar sobre o fretamento da aeronave portuguesa e explicou que as investigações continuam em andamento, mas são sigilosas. 

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