Escândalo sexual e crime no convento acaba em prisão perpétua quase 30 anos depois

Correio do Pantanal

24 jan 2021 às 19:26 hs
Escândalo sexual e crime no convento acaba em prisão perpétua quase 30 anos depois

Padre e freira de Kerala condenados pela morte de uma freira, que os surpreendeu em pleno ato sexual na cozinha.

Escândalo sexual e crime no convento acaba em prisão perpétua quase 30 anos depois

Ocorpo da irmã Abhaya foi encontrado num poço próximo do convento indiano, St. Pius X Convent Hostel, na cidade de Kottayam (Kerala, no sul da Índia), a 27 de março de 1992. A primeira tese apontou para suicídio, mas, sabe-se agora que se tratou de um crime para esconder um escândalo sexual na diocese católica. Em dezembro, um padre e uma freira foram condenados a prisão perpétua pelo assassinato da jovem.

Os chinelos estavam espalhados pelo chão da cozinha do convento, o véu branco encontrado preso na porta. No canto da sala havia um machado. Esta foi a cena do crime que a polícia encontrou e que descreve na acusação a que a CNN teve acesso.

Um exame post-mortem revelou que a freira tinha marcas de unhas em ambos os lados do pescoço e duas feridas laceradas na cabeça. O corpo tinha escoriações múltiplas e uma fratura no crânio. Apesar disso, e da descrita cena do crime, ninguém foi acusado ou levado a tribunal pela morte da jovem de 27 anos durante quase 30 anos.

Os detalhes do que aconteceu naquela noite só vieram à tona anos depois, depois de muita pressão de ativistas e da família da jovem freira. O pai ficou inconformado com a tese de suicídio e recusou desistir de encontrar o assassino da religiosa. Morreu em 2015, cinco anos antes do tribunal atribuir as culpas a um padre e uma freira, em dezembro de 2020.

Segundo a acusação, Thomas Kottoor (padre) e Sephy (freira) tinham um relacionamento ilícito e foram surpreendidos em pleno ato sexual na cozinha do convento pela jovem, tendo-a matado para esconder o caso. Juraram inocência, mas foram agora condenados a prisão perpétua, quase 30 anos depois, num julgamento que começou em abril de 2019 e se arrastou até dezembro passado. A polícia acreditava que um outro padre estava envolvido no assassinato, mas a acusação foi retirada por falta de provas.

O caso chocou a Igreja Católica e abalou a comunidade cristã na Índia. Kerala tem uma comunidade cristã considerável, cerca de 18% de sua população (que é de maioria hindu). A diocese e a polícia foram acusados de adulterar provas para esconder o crime violento no convento. O véu da freira e os chinelos desapareceram da lista de provas, por exemplo.

E, de acordo com o principal gabinete de investigação criminal do país (o CBI), que assumiu a investigação ao fim de mais de duas décadas, a irmã Sephy foi submetida a uma himenoplastia, uma operação para restaurar ou reconstruir o seu hímen, um dia antes de se detida, em 2008, para fazer parecer que ainda era virgem e assim deitar por terra a acusação da prática de sexo com o padre.

Em Kerala, nos últimos anos, várias vítimas apresentaram queixas de agressão sexual no seio da Igreja Católica. Em abril de 2019, o bispo católico Franco Mulakkal foi acusado de violar uma freira várias vezes entre 2014 e 2016. Já o ex-padre católico Robin Vadakkumchery foi condenado a 20 anos de prisão em 2019 por violar uma menina de 16 anos em Kerala. O caso foi exposto depois da vítima dar à luz em fevereiro de 2017.

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