UnB ameaça despejar família de aluna com paralisia cerebral de alojamento

Correio do Pantanal

29 ago 2018 às 08:57 hs
UnB ameaça despejar família de aluna com paralisia cerebral de alojamento

Estudante, mãe e irmã vivem em apartamento da assistência estudantil. Regras da UnB proíbem a permanência de criança de 11 anos; após mobilização, reitoria diz que vai rever o caso.


Por G1 DF

A luta de uma estudante da UnB com paralisia para não se separar da família
A luta de uma estudante da UnB com paralisia para não se separar da família

A Universidade de Brasília (UnB) emitiu uma “ordem de despejo”, com prazo até esta terça-feira (28), contra uma criança de 11 anos que mora em uma das residências estudantis da instituição. A menina é irmã de uma estudante de 19 anos, que tem paralisia cerebral e depende do benefício (veja detalhes abaixo).

Contrários à notificação, colegas da estudante fizeram um ato nesta terça em frente à Reitoria da UnB. Após a repercussão do caso, o Decanato de Assuntos Comunitários informou que vai reanalisar o caso – e que a criança não terá mais de deixar o imóvel.

A família se mudou para o prédio da UnB no começo deste ano, quando Millena Silva foi aprovada no curso de direito. Ela sempre estudou em escola pública, e conseguiu uma vaga no Programa de Avaliação Seriada (PAS) da universidade.

A mãe, Jocília Conceição, parou de estudar no ensino fundamental, mas voltou à sala de aula para ajudar a filha. A paralisia faz com que Millena precise de ajuda para tarefas simples como se alimentar, ir ao banheiro e copiar a matéria passada no quadro.

“Eu falei para ela que eu estava aqui para fazer o que eu pudesse fazer, que eu ia lutar junto com ela por esse sonho, e fomos em busca dessa conquista”, relembra a dona de casa.

A alternativa dada pela UnB é pagar o valor de R$ 530 para a família alugar um apartamento na Asa Norte, mas a mãe alega que não há aluguel nesse valor na região.

Benefício e restrições

Antes, a família de Millena morava em Ceilândia – a mais de 30 km do campus Darcy Ribeiro, onde as aulas acontecem. Por causa dessa distância, a caloura recebeu autorização para usar uma das residências estudantis no mesmo campus.

O problema é que, segundo as regras da UnB, alunos com necessidades especiais podem levar um único acompanhante para os alojamentos. Não bastasse a restrição numérica, o regulamento também proíbe a presença de crianças e adolescentes nos apartamentos cedidos.

O apartamento que abriga a família é espaçoso – tem, inclusive, um piano na sala. Jocília, Millena e a irmã dividem a mesma unidade com outras duas estudantes e os acompanhantes delas.

“Eu vejo o sonho da minha filha ser frustrado, eu vejo minha outra filha perdendo a família, que é o que todo ser humano necessita […] e eu não sei o que fazer”, diz a mãe.

Reitoria volta atrás

O protesto em frente à reitoria, nesta terça, reuniu colegas de Millena, membros do Centro Acadêmico de Direito e até a Associação de Bocha Paralímpica do DF, da qual a estudante faz parte.

No fim da tarde, o decano de Assuntos Comunitários da UnB, André Reis, anunciou o cancelamento da ordem de despejo anterior.

“Nossa reitora, baseada no que nós instruímos, [decidiu] que Milena vai continuar conosco, com a mãe e a irmã, lá na Casa do Estudante. Está resolvido. Agora, vamos discutir as resoluções para deixá-la amparada legamente, na questão dessa permanência aqui”, declarou.

Mãe da estudante, Jocília recebeu a notícia com emoção. E relembrou, em entrevista à TV Globo, as dificuldades enfrentadas pela família para garantir a educação de Millena.

“Quantas vezes a gente ficou na parada porque o elevador do ônibus estava quebrado? Quantas vezes a gente não conseguiu chegar, a gente perdeu a primeira aula?”, disse.

“Isso aqui é importante pra gente, é muito importante pra gente se entregar mais ainda. Porque se a gente perder o estudo, é tudo. O estudo não é tudo para chegar em algum lugar?”

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