Trump é o pior presidente num ranking que Lincoln lidera

Correio do Pantanal

24 fev 2018 às 09:05 hs
Trump é o pior presidente num ranking que Lincoln lidera

Trump e a mulher, Melania, saúdam a multidão diante da estátua de Lincoln na Make America Great Again – Welcome Celebration na véspera da sua posse, em 2017

  |  REUTERS/MIKE SEGAR

Atual inquilino da Casa Branca surge em último lugar em estudo que avalia presidentes americanos. Da lista de 2014, a última realizada, para esta Barack Obama sobe dez lugares – é 8.º.

Confrontado com acusações de não ter uma atitude suficientemente presidenciável, Donald Trump não hesitou em julho a comparar-se a Abraham Lincoln. “Com exceção do grande Abraham Lincoln, posso ser mais presidenciável do que qualquer outro presidente dos EUA”, garantiu no Ohio, num comício em que afirmou ainda que muitos americanos não sabem que Lincoln era republicano. Ora serem republicanos é dos poucos pontos comuns entre o homem que aboliu a escravatura e conseguiu manter a América unida após a guerra civil e o atual inquilino da Casa Branca. No último ranking dos presidentes americanos elaborado pela Boise State University e Universidade de Houston, Lincoln continua a surgir no primeiro lugar. Trump é último.

“James Buchanan, que estava ao leme dos EUA quando o país caminhava descontroladamente para a Guerra Civil, foi desalojado do lugar de pior presidente da nossa nação pelo atual presidente, Trump”, escreveram Brandon Rottinghaus e Justin S. Vaughn no The New York Times. Os professores, das universidades de Houston e Boise, lembram num artigo em que partilham os resultados do seu estudo que o 45.º presidente dos EUA tem agora “pelo menos três anos” para melhorar depois de um início “vergonhoso”.

Mesmo olhando só para as respostas dos republicanos, Trump não sai dos últimos cinco lugares, ficando em 40.º.

Em janeiro, Trump terminou o primeiro ano no cargo com a pior taxa de aprovação dos últimos sete chefes do Estado americano – 36%, segundo dados do instituto Gallup. Feita a média dos primeiros 12 meses no cargo, Trump mantém o último lugar, com menos quase 11 pontos percentuais do que o segundo mais impopular – 38,4% contra os 49,3% do democrata Bill Clinton.

Obama sobe, Clinton cai

Voltando ao estudo de Rottinghaus e Vaughn, os números mostram uma forte subida do democrata Barack Obama. De 2014 para 2017, o antecessor de Trump na Casa Branca subiu dez posições, de 18.º para 8.º. O último estudo semelhante data de 2014 e já tinha os mesmos presidentes nos sete primeiros lugares – Lincoln, George Washington, Franklin Roosevelt, Theodore Roosevelt, Thomas Jefferson, Harry Truman e Dwight Eisenhower. Uma das maiores quedas na nova lista pertence a Bill Clinton – que passa de 8.º para 13.º -, muito devido às acusações de abusos sexuais de que foi alvo na altura e que agora voltaram a estar no centro das atenções na sequência de escândalos em Hollywood e também na política.

A sondagem da Boise e Houston foi realizada entre 22 de dezembro de 2017 e 16 de janeiro de 2018 junto de 170 membros das Presidents & Executive Politics Section da Associação de Ciência Política Americana, que junta os principais peritos em política presidencial dos EUA. Os inquiridos tiveram de classificar os 45 presidentes – na verdade são 44 porque Grover Cleveland foi duas vezes presidente: o 22.º e o 24.º – numa escala de 0 (falhanço) a 100 (excelente), com o 50 a corresponder ao médio.

O primeiro estudo do género foi feito em 1948 por Arthur M. Schlesinger Sr. O professor da Universidade de Harvard pediu a 45 historiadores para classificarem os presidentes dos EUA – com exceção de William Henry Harrison e James Garfield, que morreram ambos pouco depois de assumir o cargo) – dando-lhes notas de Excelente, Perto do Excelente, Médio, Abaixo da Média e Fracasso. Os resultados foram publicados na revista Life. E em 1962, o The New York Times pediu-lhe para fazer um novo estudo para o jornal. Passados 34 anos, em 1996 a New York Times Magazine pediu a Arthur Schlesinger Jr para retomar o trabalho do pai, elaborando novo ranking. Nos últimos anos, além da Boise e Houston, um dos rankings mais populares é o da cadeia de televisão C-SPAN. Com Lincoln a conseguir uma quase unanimidade na liderança.

Ao longo dos anos, alguns presidentes questionaram a legitimidade destas listas e dos historiadores que as fazem. Sem chegar ao “a História me absolverá” de Fidel Castro, em 1988 Richard Nixon afirmava na NBC “a História vai ser justa comigo. Os historiadores provavelmente não, porque a maioria dos historiadores é de esquerda”. Num artigo para o Political Science Quaterly, Schlesinger Jr. escreveu que alguns presidentes “sentem que pessoas que nunca foram presidentes não podem apreciar aquilo por que os eles têm de passar”. O historiador recorda como Eisenhower, mal classificado em 1962, acusou os académicos de “avaliarem a dedicação de uma pessoa pela sua retórica bombástica, a determinação pela repetição em público de uma frase sonante, e os feitos, pelo uso exagerado do “eu””.

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