Temer diz que “seria cobardia” não se candidatar a presidente

Correio do Pantanal

31 mar 2018 às 07:21 hs
Temer diz que “seria cobardia” não se candidatar a presidente

Após semanas de especulação, Michel Temer assumiu-se como candidato para defender tudo aquilo que o seu governo fez

  |  REUTERS

Apesar de o seu governo ter aprovação de 6% e de o seu nome reunir 1% de apoiantes nas sondagens, o atual chefe do Estado está disposto a defender o seu legado em outubro.

Depois de semanas de especulações, Michel Temer assumiu-se como candidato à sua própria sucessão. O presidente da República do Brasil quer “defender” o seu “legado” nas eleições de outubro e considera “uma cobardia” não o fazer. Temer, do Movimento da Democracia Brasileira (MDB), precisa, de facto, de coragem: a aprovação à sua gestão nos últimos dois anos é de 6% e as sondagens que incluíram o seu nome na lista de concorrentes não lhe deram mais de 1%.

“Tenho 6% de aprovação?”, questionou Temer, quando confrontado por jornalistas com a sua baixa popularidade. “Antes tinha 3%, sinal de que a aprovação cresceu 100%”, concluiu. Para ele, “não há como abandonar tudo o que foi feito por este governo”. “Porque se chega alguém que vai destruir o que fizemos, vai destruir necessidades do Brasil. Como vou abandonar tudo isso?”, perguntou-se novamente durante a inauguração em Xique-Xique, pequena cidade no sertão da Bahia, de uma obra iniciada em 1999.

A inauguração em Xique-Xique já fez parte de uma agenda positiva que Temer prepara para os próximos meses, chamada pelos seus assessores de “pacote eleição”. Temer vai anunciar um aumento de 5% no Bolsa Família, que distribui verbas para famílias carentes, e contratar 650 mil novas residências do Minha Casa, Minha Vida, programas sociais iniciados durante o governo Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). O presidente pretende ainda entregar a última estação do eixo norte da transposição do rio São Francisco, um trecho que já estava concluído a 80% quando assumiu o governo, visitar o Hospital Dom Tomás, construído no ano passado em Petrolina, Pernambuco, e participar das inaugurações de parques desportivos em Petrópolis, no Rio de Janeiro, Teresina, no Piauí, e Maceió, em Alagoas. Em maio, quando se completarem dois anos da chegada do político do MDB ao poder em substituição de Dilma Rousseff, do PT, fará uma cerimónia a lembrar as suas realizações.

Mas por enquanto o anúncio de Temer não mobilizou os partidos da sua base de apoio no Congresso Nacional. Dois deles, o Partido Trabalhista Brasileiro e o Partido Social Democrático, porque já declararam apoio a Geraldo Alckmin, atual governador do estado de São Paulo e candidato do Partido da Social Democracia Brasileira, e outro, o Partido da República, porque equaciona apoiar Lula, caso o antigo presidente possa concorrer.

O Partido Social Cristão e o Partido Republicano Brasileiro, por sua vez, apresentam candidaturas próprias, respetivamente de Rabello de Castro e de Flávio Rocha. O mesmo motivo por que o Democratas, do presidenciável Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara dos Deputados, considerou “pouco atrativo” apoiar Temer. O Partido Progressista e o Solidariedade, aliás, estão com Maia. Carlos Marun, ministro de Temer e quadro do MDB, desdramatiza: “O jogo recomeçou quando o presidente admitiu possibilidade de se candidatar. Os próximos 60 dias serão eletrizantes.”

Meirelles alternativa

Em paralelo, o ministro das Finanças, Henrique Meirelles, também está disposto a concorrer. E pelo partido de Temer, no qual se filiou nos últimos dias. Já anunciou que, como manda a lei, vai abandonar o posto seis meses antes das eleições, ou seja, no dia 7, e confia agora que o presidente reconsidere a candidatura própria e o apoie. Como Temer, Meirelles também tem em torno de 1% nas intenções de voto das sondagens, motivo pelo qual as próximas pesquisas de opinião serão essenciais para o MDB perceber quem está mais bem posicionado. Não está colocada de parte uma candidatura de Temer, que terá 78 anos na data das eleições, à presidência, e de Meirelles, que terá 73, à vice-presidência.

Temer, eleito como vice-presidente de Dilma em 2014, chegou ao poder em maio de 2016, com o impeachment da colega de lista. Meirelles, que havia sido um elogiado presidente do Banco Central no governo de Lula, aceitou o convite de Temer para assumir o Ministério das Finanças e, regra geral, tem sido aplaudido pelos analistas dada a melhoria dos indicadores económicos do país.

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