Serviços perdem força e devem contribuir para segurar inflação nos próximos anos

Correio do Pantanal

27 abr 2018 às 09:18 hs
Serviços perdem força e devem contribuir para segurar inflação nos próximos anos

Preços dos alimentos, que caíram nos últimos meses, devem voltar a subir; economistas dizem que atividade em serviços ainda está fraca e não há fôlego para alta de preços.

 

G1,

O Brasil está diante de um cenário inflacionário incomum. Se por vários anos os serviços pressionaram a inflação, serão eles que vão desempenhar um papel fundamental de manter os preços em um patamar mais controlado daqui para frente.

De forma geral, a inflação tem surpreendido positivamente desde o ano passado. Em março, o índice acumula alta de 2,68% em 12 meses. Boa parte da melhora, no entanto, ocorreu até agora por causa da deflação de alimentos – ou seja, queda de preços.

“Nós esperamos uma recomposição dos preços dos alimentos este ano e, dessa forma, a inflação de serviços deve colaborar bastante nos próximos anos (para segurar os preços)”, afirma a economista e sócia da Tendências Alessandra Ribeiro.

A inflação de serviços já mostrou desaceleração nas recentes leituras do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em março, por exemplo, acumulava alta de apenas 3,9% no acumulado em 12 meses. No auge, já chegou a rodar no patamar de 9%.

A expectativa é que essa fraqueza da inflação de serviços continue neste e no próximo ano e deverá ficar próxima de 3,5%, segundo cálculos da Tendências Consultoria Integrada. Se confirmado, esse patamar vai ser equivalente ao que se observava no início da década passada. Em 2000, por exemplo, fechou a 3,25%.

Gráfico mostra evolução da inflação e de indicadores que compõem o índice (Foto: Infográfico: Igor Estrella/G1)Gráfico mostra evolução da inflação e de indicadores que compõem o índice (Foto: Infográfico: Igor Estrella/G1)

Gráfico mostra evolução da inflação e de indicadores que compõem o índice (Foto: Infográfico: Igor Estrella/G1)

A inflação de serviços costuma responder ao desempenho da economia. Se a atividade econômica acelera e a taxa de desemprego cai, os preços de serviços costumam subir. O oposto também ocorre. Se há aumento do desemprego, os serviços tendem a desacelerar já que há menos gente disposta a consumir. No trimestre encerrado em fevereiro, o desemprego seguia elevado. A taxa de de desemprego foi de 12,6% e alcançou 13 milhões de pessoas.

“Com esse cenário da economia, vários serviços, como salões de beleza, não subiram os preços nos últimos anos como faziam antigamente”, afirma Salomão Quadro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Saída da recessão

O Brasil tem um cenário bastante positivo para a inflação nos próximos anos, o que é raro quando se analisa a história econômica do país. Hoje, o Brasil alcançou um patamar inflacionário próximo ao de economias maduras e de outros países emergentes que servem de modelo, como é o caso do Chile.

Os economistas consultados pelo relatório Focus, do Banco Central, estimam que o IPCA ficará em 3,49% neste ano e subirá a 4% em 2019.

Agora, o desafio para a economia brasileira é voltar a crescer de forma mais rápida sem que ocorra um retorno da inflação.

“Essa inflação mais baixa permite o planejamento de longo prazo das empresas e famílias”, diz o economista do Itaú Unibanco Elson Teles.

“É um ganho importante. Não há necessidade de tudo estar indexado e essa neura de mudar preço o tempo todo.”

Na avaliação dos economistas, a manutenção do baixo patamar de inflação está condicionada ao prosseguimento da agenda de reformas, sobretudo da Previdência, no próximo governo. Sem a reforma, pode haver uma piora na avaliação de risco da economia brasileira, com alta do dólar sobre real e aumento da inflação.

“O país precisa de várias reformas, como a da Previdência e a tributária. É fundamental que elas sejam feitas para que a economia consiga deslanchar”, diz Salomão Quadros, do Ibre/FGV.

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