Sem líder e em queda nas sondagens, SPD vota coligação com Merkel

Correio do Pantanal

21 fev 2018 às 07:22 hs
Sem líder e em queda nas sondagens, SPD vota coligação com Merkel

Boletim de voto que os militantes do SPD estão desde ontem a preencher e enviar pelo correio

  |  EPA/FRANZISKA KRAUFMANN

Com o partido em crise, militantes sociais-democratas iniciam consulta sobre participação em governo com a CDU

A Alemanha tem mais de 80 milhões de habitantes, dos quais 61,5 milhões podem votar. Mas o futuro governo, a liderança de Angela Merkel e o futuro do mais antigo partido do país está nas mãos de 463 723 militantes do SPD, que ontem começaram a votar via postal se aprovam ou rejeitam a reedição da coligação governamental com a CDU e o seu partido gemelar da Baviera, a CSU. O início do período de votação, que se estende até 2 de março, coincidiu com a divulgação de uma sondagem que deixa os sociais-democratas em terceiro lugar nas preferências dos eleitores.

Se a maioria dos militantes sociais-democratas estiver de acordo, Angela Merkel poderá formar novo governo, o qual tomará forma cerca de meio ano após as eleições legislativas. Caso contrário, entra-se em território desconhecido: ou há novas eleições, ou a chanceler aceita chefiar um governo em minoria.

A possibilidade de a proposta ser rejeitada não é um exercício académico. Só para mandatar a direção do partido a entrar em conversações formais sobre a coligação com a CDU, os afiliados do SPD reuniram-se em congresso extraordinário e 40% votaram contra. A juventude social-democrata, Jusos, tem estado em campanha pelo não e credita-se aos mais novos a recente adesão de 24 mil militantes.

Um deles é um cão chamado Lima e ontem deu que falar. O Bild, diário mais vendido na Alemanha, deu a notícia do militante de quatro patas com uma foto do cachorro envolto num lenço vermelho e o título “Este cão pode votar na grande coligação”. O jornal explica que foi atribuído um cartão de militante ao canídeo, tendo bastado preencher um formulário online. Noutro texto, é explorada a hipótese de a consulta ser alvo de manipulação.

Ainda antes de o Bild ter chamado a si a autoria do fait divers, Andrea Nahles, a provável sucessora de Martin Schulz na liderança, veio a público esclarecer que “um cão não pode votar” e que a formação partidária iria estudar as medidas legais a tomar em caso de apropriação de identidade. Um porta-voz do SPD informou que o partido iria proceder ao cancelamento da filiação.

A ideia de que militantes de um partido decidam pela maioria não é bem vista por todos os alemães e alguns cientistas políticos puseram em causa a constitucionalidade do direito de veto dos sociais-democratas. O Tribunal Constitucional recebeu cinco queixas nesse sentido, mas não lhes deu provimento.

Para muitos militantes de base, o partido está a pagar a fatura das grandes coligações com Angela Merkel – nas últimas eleições o SPD obteve o pior resultado da história. O resultado das negociações com os democratas-cristãos, quer ao nível de programa de governo quer ao nível das pastas governamentais, saldou-se em grandes cedências por parte da CDU. As Finanças e os Negócios Estrangeiros, por exemplo, estão destinadas aos sociais-democratas. Mas a forma como Martin Schulz conduziu o processo – em especial ao dar o dito por não dito e anunciar que ficaria com a pasta da diplomacia – abriu um conflito interno que acabou com a sua demissão.

A turbulência no SPD teve como reflexo uma queda nas sondagens. Pela primeira vez, o partido populista Alternativa para a Alemanha (AfD) surge em segundo lugar nas preferências dos eleitores, segundo a sondagem publicada ontem no Bild. Um dos vice-líderes dos sociais-democratas, Thorsten Schaefer-Guembel, classificou o momento partidário como “grave”. O comentador da Deutsche Welle Thomas Sparrow disse que esta sondagem é uma “bomba”.

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