Resgate de Julen vai demorar pelo menos mais 35 horas

Correio do Pantanal

20 jan 2019 às 09:33 hs
Resgate de Julen vai demorar pelo menos mais 35 horas

Perfuração de túnel paralelo ao poço onde estará a criança espanhola de dois anos já começou, mas especialistas alertam para as dificuldades do terreno

Seis dias depois, a corrida contra o tempo acelerou. A equipa de resgate que desde domingo tenta chegar a Julen, a criança espanhola que caiu num poço de 110 metros de profundidade, começou este sábado a perfurar um túnel vertical em Totalán, Málaga, empreitada complexa em que as autoridades depositam grandes esperanças para resgatar o menino de dois anos. Um resgate que, ainda assim, nunca acontecerá antes de domingo à noite, avisam os engenheiros no local.

As equipas terminaram durante a manhã a plataforma onde decorrerão os trabalhos de perfuração do túnel paralelo ao poço com mais de 100 metros e 25 centímetros de largura onde a criança caiu, perfuração que começou ao início da tarde deste sábado. Agora, se tudo correr bem, serão precisas pelo menos 15 horas para concluir a galeria vertical, a que se somarão mais vinte para escavar os quatros metros que restarão até ao local onde se pensa estar Julen.

Se tudo correr bem, serão precisas pelo menos 15 horas para concluir a galeria vertical, a que se somarão mais vinte para escavar os quatros metros que restarão até ao local onde se pensa estar Julen

Isto porque, óbvia consequência da urgência da situação, não foi feito qualquer estudo técnico prévio, num terreno que já provou ser complicado, com deslizamentos de terras e estruturas rochosas que já tinham obrigado a adiar o início da perfuração. Uma situação que obriga a cuidados redobrados para não colocar em risco a segurança da criança e dos trabalhadores. A hipótese de fazer um segundo túnel, no caso na horizontal, parece ter sido colocada de parte.

No local estão duas enormes perfuradoras, uma que já está a executar o trabalho e outra para entrar ao serviço em caso de alguma avaria. As atenções da equipa de resgate estão todas concentradas num ponto a 71 metros de profundidade, onde as autoridades acreditam que Julen pode estar ainda com vida. Os especialistas da brigada de resgate de minas vão perfurar até aos 72 metros de profundidade, para dar alguma margem para chegar ao local certo no poço principal. A ligação final será feita de forma manual, por uma equipa de oito especialistas que viajaram das Astúrias.

Para determinar por geolocalização onde o poço subterrâneo passa, dois técnicos da empresa sueca Stockholm Precision Tools AB juntaram-se à operação de resgate. Foram especialistas desta empresa que determinaram em 2010 o local onde 33 mineiros chilenos ficaram presos por cerca de dois meses (e todos foram resgatados com vida).

Nos últimos dias, as equipas de resgate encontraram cabelo da criança no túnel bem como restos biológicos que, após testes de ADN, se confirmou pertencerem a Julen. Na quinta-feira, uma câmara robot usada para verificar esgotos foi colocada no túnel, mas as autoridades só conseguiram chegar até aos 73 metros de profundidade.

A criança de dois anos caiu no domingo num poço junto à necrópole da Tumba Del Moro, local turístico em Málaga, na região da Andaluzia. Uma centena de pessoas participam da operação de resgate da criança desde as 14:00 de domingo, quando o pai do menino e o serviço 112 avisaram a Guarda Civil que ele tinha caído no poço, um buraco para prospeção e busca de água naquela zona de serra.

Para o local foram destacados elementos do serviço 112, do Consórcio Provincial de Bombeiros, Proteção Civil, a Equipa de Resgate e Intervenção de Montanha (EREIM) de Álora e Granada, submarinistas e bombeiros de Málaga. Algumas empresas privadas estão a ajudar nas buscas fornecendo equipamento para tentar localizar a criança.

Os pais da criança continuam no local e têm recebido apoio da população. O casal perdeu um filho (Oliver) em 2017 devido a um problema cardíaco.

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