Professoras de Psicologia provam que profissão é ato político em meio ao caos

Correio do Pantanal

19 out 2018 às 13:40 hs
Professoras de Psicologia provam que profissão é ato político em meio ao caos

Em conversa lotada a respeito do trabalho da profissão frente ao autoritarismo, foi na neutralidade que o discurso abriu os olhos

Thaís Pimenta
Professora Thaize (esquerda), Inara e Rosilene, do curso de Psicologia da UFMS, discutiram a respeito do papel do profissional frente à ascensão da violência. (Foto: Thaís Pimenta)
Professora Thaize (esquerda), Inara e Rosilene, do curso de Psicologia da UFMS, discutiram a respeito do papel do profissional frente à ascensão da violência. (Foto: Thaís Pimenta)

Passar mais de duas horas sentada na concha acústica da UFMS (Universidade Federalde Mato Grosso do Sul), ouvindo a lucidez de três professoras é uma pausa para respirar argumentos diferentes dos que as redes sociais nos enfiam  goela abaixo.

Mesmo com pouca estrutura, o público, composto em maioria por estudantes do curso de Psicologia, ouviu e, em seguida, pode questionar as professoras Inara Barbosa Leão, RosileneCaramalac e Thaize de Souza Reis que em diferentes abordagens da profissão, seja de forma social ou histórica, psicanalítica ou comportamental, explicaram, amparadas pelo Código de Ética da Psicologia, qual deve ser o papel do profissional frente à ascensão do ódio proliferado em tempos de campanha política.

“Nós podemos ir contra isso e nosso papel é fazer a conscientização”, diz a professora Inara Leão, dando, talvez, uma das poucas respostas conseguidas ali.

Lugar ficou cheio, apesar de a princípio ser destinado só a estudantes. (Foto: Thaís Pimenta)
Lugar ficou cheio, apesar de a princípio ser destinado só a estudantes. (Foto: Thaís Pimenta)

De acordo com a estudante Vanessa Oliveira, uma dos organizadoras, os alunos sentiram a necessidade de trazer o papo para o ambiente acadêmico. “Esse evento era pra ser apenas para estudantes de psicologia mas, quando vimos, tinham uns 900 interessados no evento do Facebook e a gente teve até que readequar o espaço”, conta ela.

Thaize mostra que as questões colocadas muitas vezes como Códio de Ética são fundamentais para colaborar com os avanços sociais. Um exemplo é o ato que destituiu a homossexualidade como doença. “Ela passou a ser tida como uma das formas de sexualidade, e isso é só um exemplo. Por isso o código de ética acaba se posicionando politicamente”, argumenta.

Saber da história também é importante neste momento para não repetir o passado, diz Inara. Na 2ª Guerra Mundial, foram justamente os psiquiatras e um corpo de psicólogos que criaram os métodos de tortura e de lavagem cerebral. “Então, nós não fomos sempre bonzinhos”, arremata ela, na intenção de mostrar que a evolução ocorreu sim, a duras penas, mesmo partindo de um extremo tão violento.

O medo hoje, para a professora Rosilene, faz sentido, porque o discurso atual é de violência às minorias então, por mais que, muitas vezes, o sentimento não seja positivo, “é o que une uma parcela grande da população”.

A conversa, construtiva, e entedível aos que não são da área, se estende para o próximo dia 25 de outubro, no auditório da faculdade, com ciclo de palestras sobre o tema. E aos que não puderam comparecer, o ao vivo transmitido pela Face está disponível no link.

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