Portuguesa espera há 31 anos pelo marido preso. “Foi Pablo Escobar quem matou”

Correio do Pantanal

3 fev 2018 às 07:46 hs
Portuguesa espera há 31 anos pelo marido preso. “Foi Pablo Escobar quem matou”

Krishna Maharaj poderá voltar a ser julgado este ano. O homem, que foi condenado à pena de morte, declarou-se sempre inocente

“O meu marido está preso há 31 anos por homicídio duplo, mas não foi ele quem matou, foi Pablo Escobar”, alega Marita Maharaj, de 78 anos, a mulher de Krishna Maharaj, 79, detido desde 1986 pelas mortes de dois empresários nos EUA. O ex-homem de negócios passou os primeiros 15 anos da pena no “Corredor da Morte”, mas novas provas podem vir a alterar a sentença que recebeu.

Durante mais de 30 anos, a mulher tem lutado na justiça para provar que o marido está inocente e que as mortes foram “encomendas” do narcotraficante colombiano, Pablo Escobar, morto pela polícia em 1993.

O casal conheceu-se no Reino Unido, para onde Marita, de naturalidade portuguesa, foi estudar e Krishna Mahara, nascido nas ilhas de Trinidade e Tobago, perto da Venezuela, emigrou para trabalhar. Estavam nos EUA, na Florida, devido aos negócios de Kris, como Marita chama o marido.

Na última entrevista em que abordou o caso, Marita Maharaj disse ao jornal The Daily Mirror que só deseja que o marido seja libertado para que possam passar os últimos anos de vida juntos.

“Quero passear com ele junto ao mar, tomar um chá juntos na cama. Se eu quisesse abraçá-lo poderia, se eu quisesse beijá-lo, poderia”, desabafou a portuguesa, num discurso emocionado.

Apesar de Kris Maharaj lhe ter dito para voltar a Londres, quando foi preso, Marita prometeu ao marido que nunca o abandonaria e desde então que vive nos EUA, perto da cadeia, sozinha e dependente da caridade de amigos. A fortuna do ex-empresário já desapareceu e Marita visita o marido semanalmente. E todos os dias escreve cartas a Kris.

“Eu era uma mulher bonita, mas nunca quis conhecer mais ninguém. Já quiseram casar comigo, mas eu uso sempre a minha aliança de casamento. É verdade que sinto uma grande solidão, mas quando amamos realmente alguém, não pensamos noutras pessoas”, confessou a mulher.

Foi a 16 de outubro de 1986 que dois empresários, Derrick e Duane Moo Young, pai e filho, foram mortos na sala 1215 do Dupont Plaza Hotel, em Miami. Eles eram sócios de Kris e deviam ao empresário uma elevada soma de dinheiro. O marido de Marita já os estava a processar e a acusação usou esse processo como um motivo para o crime – apesar de Maharaj não ter antecedentes criminais.

As impressões digitais de Kris foram encontradas no quarto do hotel, uma vez que, alega o homem, ele tinha visitado os dois sócios. Mas nega que os tenha assassinado. A organização britânica de Direitos Humanos Reprieve tem lutado pela liberdade de Kris ao lado de Marita.

Finalmente, um juiz da Florida ordenou que o caso fosse reexaminado até ao final do mês de fevereiro, o que veio dar uma nova esperança à portuguesa. A Reprieve também descobriu provas de que as autoridades dos EUA sempre souberam do envolvimento de Pablo Escobar nos homicídios.

Mesmo sem essa prova, alega Marita, a acusação estava “repleta” de inconsistências: o depoimento da testemunha principal da acusação caiu por terra durante o julgamento e Kris passou no teste do detetor de mentiras. Seis outras testemunhas afirmaram que tinham visto o ex-empresário noutro local, à hora em que o crime foi cometido.

Marita recordou que o marido desmaiou quando o condenaram. “Eu gritei”, lembrou.

O fundador da Reprieve, Clive Stafford Smith, dedica-se ao caso de Krishna Maharaj há mais de duas décadas e foi por causa dele que investigadores norte-americanos foram à Colômbia, onde falaram com seis associados de Escobar que estão dispostos a dizer em tribunal que foi Pablo quem ordenou as mortes.

De acordo com a organização, o caso de Krishna Maharaj é “um erro épico de justiça”.

O novo julgamento de Krishna Maharaj poderá acontecer ainda este ano e Marita acredita que o marido possa ser libertado.

A Reproeve divulgou um vídeo com o testemunho de Marita Maharaj :

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