Português reconhece dissertação de mestrado em meio às cinzas do Museu Nacional

Correio do Pantanal

6 set 2018 às 09:17 hs
Português reconhece dissertação de mestrado em meio às cinzas do Museu Nacional

Pedaços de documentos queimados se espalharam por bairros da Zona Norte do Rio no incêndio.


Por Lívia Torres, G1 Rio

Dissertação de aluno de mestrado da UFRJ que pegou fogo em incêndio no Museu Nacional (Foto: Fernanda Garrafiel / Arte G1)
Dissertação de aluno de mestrado da UFRJ que pegou fogo em incêndio no Museu Nacional (Foto: Fernanda Garrafiel / Arte G1)

Eram 19h30 de domingo (2) quando a notícia de que o Museu Nacional estava em chamas chegou às redações. Jornalistas do mundo inteiro se deslocaram para Quinta da Boa Vista a fim de ouvir histórias e entender o que de fato havia acontecido. Em meio ao fogo, uma notícia: pedaços de documentos queimados se espalharam por bairros da Zona Norte da cidade.

Nesta quarta-feira (5), a redação recebeu um e-mail do estudante português Pedro Narciso. Atualmente, ele reside em Lisboa, mas em 2016 fez mestrado no Museu Nacional.

No texto, Pedro contou que, ao ler a matéria do G1, reparou que um dos documentos queimados era parte da sua dissertação em arqueologia.

“Entre desabafos, velando uma tristeza comum e uma dor partilhada com os amigos brasileiros, uma grande amiga carioca, igualmente arqueóloga de formação, partilha comigo a folha queimada em anexo e escreve no WhatsApp: “Um pedaço da sua dissertação”. Só faço chorar desde ontem, ao que respondo: “Como você conseguiu isso?” A Fátima envia-me então o link para a sua breve, mas profundamente tocante notícia…”, disse o texto.

“Trata-se do testemunho da minha pesquisa, da minha dissertação de mestrado, do meu mais intenso e amado trabalho científico, ao qual dediquei alguns milhares de horas e que foi defendido em agosto de 2016 nesse querido, único e extraordinário Museu”, relatou o estudante.

Após ter frequentado por anos o museu, Pedro traduz o sentimento ao saber da notícia do incêndio.

“Se metade de mim era dor, a outra metade era uma amálgama de vergonha alheia, revolta, raiva e ódio por esta ser uma tragédia há décadas conhecida, anunciada e alertada, para a qual não existe uma responsabilidade criminosa única, mas que é transversal a todas as cores político-partidárias que têm-se digladiado pelo poder (a todo o custo e sob todas as formas) nos últimos 30 a 40 anos da história recente do Brasil.”

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