Polícia Federal deflagra nova operação contra líderes de seita religiosa no Sul de MG

Correio do Pantanal

6 fev 2018 às 10:59 hs
Polícia Federal deflagra nova operação contra líderes de seita religiosa no Sul de MG

Líderes são investigados por manter fiéis em situação análoga à escravidão em propriedades rurais e empresas.

Operação da Polícia Federal acontece em quatro cidades do Sul de MG (Foto: João Daniel Alves/EPTV)Operação da Polícia Federal acontece em quatro cidades do Sul de MG (Foto: João Daniel Alves/EPTV)

Operação da Polícia Federal acontece em quatro cidades do Sul de MG (Foto: João Daniel Alves/EPTV)

A Polícia Federal realiza na manhã desta terça-feira (6) uma nova operação contra uma seita religiosa investigada desde 2011. A seita conhecida como “Comunidade Evangélica Jesus, a verdade que marca” é suspeita de manter fiéis em situação análoga à escravidão em propriedades rurais e empresas em Minas Gerais e Bahia, e ainda se apoderar de todos os bens das vítimas.

A Operação “Canaã – A Colheita Final” acontece com apoio do Ministério do Trabalho e cumpre 22 mandados de prisão preventiva, 17 mandados judiciais de interdição de estabelecimentos comerciais, além de 42 mandados de busca e apreensão.

Entre os alvos da operação estão investigados em pelo menos quatro cidades do Sul de Minas – Poços de Caldas, Pouso Alegre, Minduri e São Vicente de Minas.

Policiais estiveram na sede no Ministério do Trabalho em Poços de Caldas (MG) (Foto: João Daniel Alves/EPTV)Policiais estiveram na sede no Ministério do Trabalho em Poços de Caldas (MG) (Foto: João Daniel Alves/EPTV)

Policiais estiveram na sede no Ministério do Trabalho em Poços de Caldas (MG) (Foto: João Daniel Alves/EPTV)

Os trabalhos também acontecem nas cidades de Contagem, Betim, Madre de Deus e Andrelândia (MG), além do estado da Bahia, em Ibotirama, Luiz Eduardo Magalhães, Wanderley e Barra, e São Paulo (SP).

Além de manter trabalhadores em condições de escravos, os líderes da seita religiosa são investigados por tráfico de pessoas, estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Os líderes teriam aliciado pessoas na sede de uma igreja em São Paulo (SP). As vítimas foram induzidas a doarem todos os bens para a organização criminosa. Depois de trabalhos psicológicos e de doutrina, as pessoas eram levadas para centros de convivência em zonas rurais e urbanas de Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

Nos locais, eram submetidos a trabalhos em estabelecimentos comerciais e lavouras sem remuneração. Com o trabalho escravo e a apropriação de bens das vítimas, os líderes viviam de patrimônios luxuosos e altos faturamentos.

Trabalhadores eram mantidos em fazendas e não recebiam salários (Foto: Reprodução/EPTV/Arquivo)Trabalhadores eram mantidos em fazendas e não recebiam salários (Foto: Reprodução/EPTV/Arquivo)

Trabalhadores eram mantidos em fazendas e não recebiam salários (Foto: Reprodução/EPTV/Arquivo)

As investigações apontaram que o grupo conseguiu expandir investimentos para o estado do Tocantins, com exploração ilegal.

Com a terceira frase da operação nesta terça-feira, os investigados podem cumprir até 42 anos de prisão, em caso de condenação. Segundo a polícia, a operação é uma referência bíblica à terra prometida.

Operação “Canaã” em 2013

A seita começou a ser investigada em 2011, e os trabalhos resultaram na deflagração da “Operação Canaã” em 2013, quando a Polícia Federal, o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho fizeram inspeções em propriedades rurais. As precárias condições de alojamento e trabalho foram denunciadas aos órgãos.

Na época, cerca de 800 integrantes da organização moravam em cinco fazendas em São Vicente de Minas e Minduri. Conforme as investigações da época, foi identificado um sofisticado esquema de exploração do trabalho humano e lavagem de dinheiro levado a cabo por dirigentes e líderes religiosos.

Dois membros da seita religiosa “Jesus a verdade que marca” foram presos por apropriação indébita de cartões do programa “Bolsa Família” e de aposentadoria durante a operação.

Operação “De Volta para Canaã” em 2015

Já em 2015, uma nova operação prendeu seis líderes da seita religiosa. Segundo a PF, o pastor que é um dos principais líderes da organização foi preso em Pouso Alegre (MG), e outras cinco pessoas, que formariam a cúpula da seita religiosa, foram detidas em Minas Gerais e Bahia.

Além disso, foram bloqueados bens que pertencem aos líderes da seita, entre eles 39 imóveis rurais em Minas Gerais e Bahia, além das contas físicas e jurídicas dos envolvidos.

Em 2015, Integrantes de seita foram levados para sede da Polícia Federal em Varginha (Foto: Ernane Fiuza/EPTV/Arquivo)Em 2015, Integrantes de seita foram levados para sede da Polícia Federal em Varginha (Foto: Ernane Fiuza/EPTV/Arquivo)

Em 2015, Integrantes de seita foram levados para sede da Polícia Federal em Varginha (Foto: Ernane Fiuza/EPTV/Arquivo)

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