Polícia apura se quadrilha que roubou ouro no aeroporto de Guarulhos é a mesma que fez assalto milionário em Viracopos

Correio do Pantanal

26 jul 2019 às 16:06 hs
Polícia apura se quadrilha que roubou ouro no aeroporto de Guarulhos é a mesma que fez assalto milionário em Viracopos

Assim como na quinta (25) na Grande SP, criminosos foram rápidos e não dispararam nenhum tiro em roubo no aeroporto de Campinas no ano passado.

Por Kleber Tomaz, Paulo Toledo Piza e Bruno Tavares, G1 SP e Jornal Hoje — São Paulo

Polícia descobre semelhanças entre o assalto em Guarulhos com os de Campinas e BlumenauJornal Hoje00:00/02:32

Polícia descobre semelhanças entre o assalto em Guarulhos com os de Campinas e Blumenau

Polícia descobre semelhanças entre o assalto em Guarulhos com os de Campinas e Blumenau

A Polícia Civil investiga se a quadrilha que roubou 718,9 kg de ouro avaliados em US$ 29, 2 milhões (algo em torno de R$ 110,2 milhões) do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, foi a mesma que cometeu um outro assalto milionário ao aeroporto de Viracopos, em Campinas, no interior paulista, no ano passado. Também é apurado se grupo participou do roubo ao aeroporto de Blumenau, em Santa Catarina, em março deste ano.

A maneira como os assaltantes agiram na quinta-feira (25) no terminal de cargas do aeroporto de Guarulhos é semelhante ao crime cometido em 4 de março de 2018 também num terminal, mas no aeroporto de Campinas. Naquela ocasião, um grupo com pelo menos cinco homens armados com fuzis invadiu o pátio de cargas de Viracopos e roubou US$ 5 milhões (cerca de R$ 18,9 milhões, na cotação atual), além de quantias em libras e reais, que iriam para a Suíça.

Assim como em Cumbica, nenhum tiro foi disparado e os criminosos foram rápidos ao fugirem em menos de 6 minutos de Viracopos. Em Guarulhos, quatro bandidos disfarçados com roupas e carros clonados da Polícia Federal (PF), encapuzados, com pistolas, fuzil e carabinas levaram metade desse tempo para roubar 31 malotes com barras de ouro.

Delegado João Carlos Miguel Hueb, do Deic, investiga o roubo de ouro em Cumbica — Foto: Kleber Tomaz/G1

Delegado João Carlos Miguel Hueb, do Deic, investiga o roubo de ouro em Cumbica — Foto: Kleber Tomaz/G1

“Não descartamos nenhuma hipótese. Investigamos todas as possibilidades, inclusive essa, de que eles poderiam ter participado da quadrilha que cometeu o roubo em Viracopos”, disse nesta sexta-feira (26) o delegado João Carlos Miguel Hueb, da 5ª Delegacia de Roubos a Banco do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

O delegado acrescentou que apura se os criminosos fazem parte de alguma facção criminosa que atua em São Paulo, e disse que ainda não descarta a participação de funcionários no crime. Além de empregados da GRU Airport, que administra o aeroporto em Cumbica, no local estavam vigilantes da Brink’s, empresa de transporte de valores responsável por levar o ouro até o terminal.

As barras de ouro que estavam nos malotes seriam levados de avião para Nova York, nos Estados Unidos (24 malotes, com 565,50 kg), e Toronto, no Canadá (sete, com 153,4 Kg).

Câmeras de segurança gravaram a ação dos criminosos em Guarulhos (veja o vídeo acima). Até a publicação desta reportagem nenhum suspeito pelo crime havia sido preso ou detido.

Consultor José Gonçalves Neto diz que empresa oferece R$ 150 mil de recompensa a quem tiver informações sobre paredeiro do ouro e criminosos  — Foto: Kleber Tomaz/G1

Consultor José Gonçalves Neto diz que empresa oferece R$ 150 mil de recompensa a quem tiver informações sobre paredeiro do ouro e criminosos — Foto: Kleber Tomaz/G1

R$ 150 mil de recompensa

Um representante da empresa que fazia gestão de risco para a seguradora da carga roubada informou à imprensa que procurou o Deic para dizer que está oferecendo R$ 150 mil para quem der informações que levem à prisão dos criminosos e ao ouro levado.

“Estou autorizado a declarar que terá recompensa de R$ 150 mil a quem contribuir com informações seguras e efetivas que levem a apreensão do ouro roubado e prisão dos criminosos”, disse o consultor José Gonçalves Neto, da Lowers & Associate International, empresa de gerenciamento que representa um grupo de resseguradoras

Segundo policiais, porém, a recompensa ainda terá de ser homologada e divulgada pela polícia em seus canais de comunicação para ser oficializada.

Polícia procura quadrilha que roubou mais de 700kg de ouro no Aeroporto de GuarulhosSP1–:–/–:–

Polícia procura quadrilha que roubou mais de 700kg de ouro no Aeroporto de Guarulhos

Polícia procura quadrilha que roubou mais de 700kg de ouro no Aeroporto de Guarulhos

O assalto

Segundo a polícia, ao menos dez criminosos participaram do assalto. Armada, a quadrilha invadiu o terminal de cargas por volta das 14h30 de quinta em duas viaturas clonadas da Polícia Federal (PF), sem placas (uma modelo Triton e a outra, uma Pajero Dakar).

No terminal, roubaram o ouro que estava dentro de caixas de metal.

Viaturas da PF clonadas que foram usadas em assalto milionário no Aeroporto de Guarulhos — Foto: Kleber Tomaz/G1

Viaturas da PF clonadas que foram usadas em assalto milionário no Aeroporto de Guarulhos — Foto: Kleber Tomaz/G1

Os criminosos mantiveram o encarregado de despacho da GRU Airport e a família dele refém desde a noite anterior. Segundo a polícia, as vítimas contaram que na quarta-feira (24) foram abordados por criminosos que estavam numa ambulância.

Com os reféns, os bandidos tiveram acesso a informações privilegiadas do funcionamento do terminal. Todos foram liberados sem ferimentos após o roubo.

Depois da fuga, as viaturas clonadas da PF foram abandonadas no Jardim Pantanal, na Zona Leste de São Paulo. Os ladrões fugiram em duas caminhonetes. Esses veículos estavam adesivados com cores diferentes da original, que é preta. Ao todo, o grupo teria utilizado cinco veículos na fuga.

Criminosos adesivaram caminhonete de branco para esconder cor original que é preta — Foto: Kleber Tomaz/G1

Criminosos adesivaram caminhonete de branco para esconder cor original que é preta — Foto: Kleber Tomaz/G1

Criminosos colocaram adesivo cinza em caminhonete preta para disfarçar ação  — Foto: Kleber Tomaz/G1

Criminosos colocaram adesivo cinza em caminhonete preta para disfarçar ação — Foto: Kleber Tomaz/G1

Depoimentos

Nove pessoas prestaram depoimentos ao longo da madrugada desta sexta (26) no prédio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), na Zona Norte de São Paulo.

Falaram à polícia sobre o crime o funcionário e duas mulheres mantidos reféns; o casal dono do galpão onde os veículos falsos da PF foram abandonados; dois funcionários do aeroporto e outros dois da transportadora de valores.

Policiais fizeram a perícia nos carros abandonados. Os criminosos usaram extintor de incêndio nos veículos para tentar apagar as impressões digitais deles. Segundo a polícia, os automóveis clonados da Polícia Federal não foram roubados, mas comprados pela quadrilha. No entanto, seus proprietários ainda não foram localizados.

A GRU Airport, concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de São Paulo, comunicou que o roubo não prejudicou o embarque e desembarque de passageiros, e que não houve tiroteio nem feridos.

A Brink’s, responsável pelo transporte do ouro até o terminal, informou que “está colaborando com as autoridades competentes para apuração do ocorrido”.

Arte mostra como foi o roubo de quase 720 kg de ouro no Aeroporto de Guarulhos — Foto: Juliane Souza/G1

Arte mostra como foi o roubo de quase 720 kg de ouro no Aeroporto de Guarulhos — Foto: Juliane Souza/G1

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