Personagens mulheres têm pouca voz nos filmes premiados com o Oscar, aponta levantamento da BBC

Correio do Pantanal

5 mar 2018 às 06:29 hs
Personagens mulheres têm pouca voz nos filmes premiados com o Oscar, aponta levantamento da BBC

Janelle Monae, Rachel McAdams e Lupita Nyong'oDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAtrizes costumam ter falas menores que seus colegas masculinos de elenco

Em meio aos acalorados debates sobre igualdade de gênero em Hollywood, a indústria cinematográfica anglófona ainda não foi capaz de garantir a representatividade feminina no cinema, aponta uma análise realizada pela BBC a partir do chamado “teste de Bechdel”, que mensura a participação de mulheres em obras de ficção.

Desde a primeira cerimônia do Oscar, em 1929 (a deste ano será realizada neste domingo), a influência política e social das mulheres cresceu em muitas áreas, mas não tanto no cinema – pelo menos segundo os critérios do teste.

Um filme passa no teste de Bechdel se tem ao menos duas personagens femininas que conversem entre si pelo menos uma vez sobre algo que não seja um homem.

Até agora, neste 90º ano dos prêmios da Academia, menos da metade dos vencedores do prêmio de melhor filme foram “aprovados” nessa mensuração, segundo a pesquisa da BBC.

E não houve melhora com o passar das décadas: vencedores recentes e relativamente recentes como Moonlight: Sob a Luz do Luar, Gladiador Quem Quer Ser um Milionário? não passam no teste, bem como dois dos indicados neste ano.

“Acho que está ocorrendo como sempre ocorreu – histórias contadas de forma similar a como foram contadas antes, sem questionamento”, opina Ellen Tejle, que lançou um ranking para destacar, na Suécia, filmes que passam no teste de Bechdel.

Gráfico com proporção de falas com mais de 100 palavras ditas por personagens de filmes premiados com o Oscar

“Os integrantes da indústria (cinematográfica) precisam entender que têm poder e responsabilidade no processo de produção de um filme.”

O Destino de uma Nação, indicado ao Oscar de melhor filme neste ano, cumpre o pré-requisito de ter duas mulheres, mas em nenhum momento do filme elas conversam entre si sobre algo que não seja um homem.

Dunkirk, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, sequer tem personagens mulheres com nomes – apenas intérpretes de uma “enfermeira” e uma “comissária de bordo”.

Limitações

“O que eu odeio é que mulheres são enfiadas em filmes sobre homens; nós merecemos nossa própria narrativa”, afirma a crítica de cinema Rhianna Dhillon. “Não é o bastante começar a fazer um filme antes de se dar conta de que apenas homens brancos são representados nele.”

O teste foi batizado com o sobrenome da artista gráfica Alison Bechdel: em um cartum de 1985, duas personagens mencionam a mensuração como indicativo de se o filme deve ser visto ou não.

Ainda que a proposta nunca tenha sido criar um método oficial de mensuração, o teste é hoje amplamente utilizado na crítica cinematográfica – ainda que tenha diversas limitações.

“Adoro o fato de que o teste de Bechdel abre o diálogo a respeito do que está acontecendo (na indústria de cinema)”, diz Holly Tarquini, diretora do festival de cinema de Bath, no Reino Unido.

“(Mas) a dificuldade é que muitos filmes misóginos passam no teste; ele não atesta nada a respeito de quem está contando a história. (O filme pornô) The Bikini Carwash Company passa no teste de Bechdel, mas Gravidade (em que a protagonista feminina, interpretada por Sandra Bullock, é praticamente onipresente) não passa.”

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