Pai de três vítimas ataca Larry Nassar durante audiência

Correio do Pantanal

3 fev 2018 às 07:11 hs
Pai de três vítimas ataca Larry Nassar durante audiência

Já condenado a até 175 anos de prisão, antigo médico da seleção de ginástica dos EUA enfrenta nova sentença

Foi numa sessão de um novo julgamento por outros crimes de abusos sexuais de Larry Nassar, 54 anos – condenado na semana passada a entre 40 e 175 anos de prisão -, que o pai de três das vítimas do antigo médico da seleção de ginástica dos EUA perdeu a cabeça. Em fúria, o homem lançou-se sobre o réu e agrediu-o, sendo necessária a intervenção da segurança do tribunal.

A cena caótica teve início depois de as irmãs Lauren e Madison Margraves terem acabado de ler as suas declarações de vítima no segundo dia de audiências num tribunal do Michigan. Ao lado das filhas e da mulher, Randall Margraves pediu à juíza para falar, segundo descreve a agência Reuters.

“Peço-lhe como parte desta sentença que me conceda cinco minutos numa sala trancada com este demónio”, pediu. A juíza, Janice Cunningham, explicou que não o podia fazer e, depois de o pai das vítimas ter dirigido mais impropérios contra Larry Nassar, aplicou-lhe um castigo. Não satisfeito, Randall Margraves insistiu, mas em vez de cinco minutos com o abusador pediu um. A juíza voltou a negar-lhe o pedido, ao mesmo tempo que o ambiente na sala dava sinais de aquecer.

O homem dirigiu-se então a Larry Nassar, que estava sentado, e atacou-o. A segurança teve de intervir: atirou Margraves ao chão e algemou-o e retirou o réu em segurança.

Esta é a segunda acusação de abusos sexuais que Larry Nassar enfrenta. O antigo médico da seleção de ginástica dos Estados Unidos, que em dezembro de 2017 foi condenado a 60 anos de prisão por posse de pornografia infantil, declarou-se culpado das agressões sexuais de que era acusado. O acordo com a procuradoria implica duas sentenças, consoante a localização dos vários casos em que está implicado.

Na primeira sentença, datada de 24 de janeiro, foi condenado a uma pena entre 40 a 175 anos de prisão por crimes de abusos sexuais a dezenas de atletas ao seu cuidado. A juíza Rosemaria Aquilina classificou as ações de Nassar como “precisas, calculadas, manipuladoras, desviantes e desprezíveis”, antes de declarar ter assinado “a sentença de morte” do antigo médico, que servirá um mínimo de 25 a 40 anos de prisão antes de ser elegível para sair em liberdade condicional.

“É minha honra e privilégio sentenciá-lo. Não merece caminhar fora de uma prisão. Não fez nada para controlar os seus desejos e, onde quer que vá, destruição vai acontecer aos mais vulneráveis”, acrescentou a juíza, que classificou as atividades no seio da ginástica como “o sítio perfeito” para os abusos, que Nassar classificava perante as atletas como ‘tratamentos’.

As audiências para a segunda sentença iniciaram-se na quarta-feira passada, dia 31, dia em que a juíza anunciou que o número de mulheres a acusar Larry Nassar tinha subido para 265, mais 65 que anteriormente.

Uma delas, Jessica Thomashow, disse que o médico se aproveitou da sua “inocência e confiança” para a molestar quanto tinha nove anos, fazendo-o novamente quanto tinha 12.

Outra mulher, Annie Labrie, defendeu que na ginástica existe uma “cultura específica” que permite que tais abusos ocorram, acrescentando que as meninas aprendem cedo que a autoridade não deve ser questionada.

Vários nomes de topo dos Estados Unidos, entre as quais a quádrupla campeã olímpica de ginástica Simone Biles, vieram a público denunciar terem sido vítimas de abusos sexuais por parte de Larry Nassar.

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