Índia ataca área na Caxemira sob controle paquistanês; Islamabad denuncia violação da fronteira

Correio do Pantanal

26 fev 2019 às 12:08 hs
Índia ataca área na Caxemira sob controle paquistanês; Islamabad denuncia violação da fronteira

Por G1


Indianos comemoram anuncio de que o governo atacou campos de treinamento em área da Caxemira controlada pelo Paquistão  — Foto: Adnan Abidi/ Reuters
Indianos comemoram anuncio de que o governo atacou campos de treinamento em área da Caxemira controlada pelo Paquistão — Foto: Adnan Abidi/ Reuters

A Índia anunciou nesta terça-feira (26) ter feito um “ataque preventivo” contra uma área do território da Caxemira controlada pelo Paquistão que deixou vários mortos. Islamabad denunciou a “violação” da fronteira.

Segundo Nova Déli, a ofensiva visou um campo de treinamento do o Jaish-e-Mohammed (JeM), grupo islâmico responsável pelo atentado suicida que matou 40 soldados indianos recentemente. O grupo faz parte da corrente rebelde que luta contra o domínio da Índia da região da Caxemira — disputada entre a Índia e o Paquistão (veja mais abaixo).

“A Índia atacou o maior campo de treinamento do Jaish-e-Mohammed em Balakot. Na operação, muitos terroristas, treinadores, comandantes e jihadistas preparados para atentados suicidas foram eliminados”, declarou Vijay Gokhale, alto funcionário do ministério indiano das Relações Exteriores.

Segundo a Reuters, citando uma alta autoridade do governo indiano, 300 pessoas morreram no ataque.

As autoridades indianas afirmaram que o Jaish-e-Mohammed (JeM, Exército de Maomé), que é um dos grupos armados mais ativos da rebelião separatista na Caxemira, preparava novos atentados suicidas na Índia. “Diante do perigo iminente era necessário um ataque preventivo imediato”, disse Gokhale.

O diplomata explicou que campo de treinamento ficava em uma floresta, no topo de uma colina, afastado da população civil.

O Paquistão tem duas localidades com o nome de Balakot: uma situada praticamente na linha de cessar-fogo na Caxemira e outra na província de Khyber Pakhtunkhwa. O governo indiano não revelou qual das duas foi atacada.

Reação paquistanesa

O Paquistão anunciou mais cedo que respondeu a uma breve incursão da Força Aérea indiana sobre a Caxemira.

O porta-voz das Forças Armadas paquistanesas, o general Asif Ghafoor, afirmou no Twitter que a “a Índia violou a linha de controle” (que serve de fato como fronteira entre os dois países na Caxemira). “A Força Aérea foi mobilizada. Os aviões indianos foram embora”, completou.

As aeronaves indianas fizeram a incursão do lado do setor de Muzaffarabad, capital da Caxemira paquistanesa, indicou o militar em um segundo tuíte.

“Entraram por três ou quatro milhas (4 a 6 km) no território. Confrontados com a resposta oportuna e eficaz da Força Aérea paquistanesa, liberaram às pressas uma carga útil enquanto fugiam, que caiu perto de Balakot. Não há vítimas nem danos”, escreveu o general.

Ghafoor publicou fotos que mostram, segundo ele, o impacto da carga e pedaços de metal retorcido em uma parte da floresta.

‘Iniciativa perigosa’

A Índia acusa o Paquistão de apoiar as incursões de rebeldes islâmicos e a rebelião armada na Caxemira, o que o governo paquistanês nega. Islamabad já ameaçou responder em caso de represália indiana.

As duas potências nucleares do sul da Ásia disputam há sete décadas a região himalaia de Caxemira.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, reuniu nesta terça-feira o comitê de segurança.

O atentado de 14 de fevereiro provocou uma onda de indignação na Índia, com pedidos de represália. O primeiro-ministro Modi cultiva uma imagem de político duro e aspira o segundo mandato.

Soldado indiano examinam destroços de veículos atingidos por explosão de carro-bomba nesta quinta-feira (14) na Caxemira — Foto: Younis Khaliq/Reuters
Soldado indiano examinam destroços de veículos atingidos por explosão de carro-bomba nesta quinta-feira (14) na Caxemira — Foto: Younis Khaliq/Reuters

O analista militar paquistanês Hasan Askari considera que “a iniciativa adotada pela Índia para satisfazer sua opinião pública é perigosa”. “Se tais ações continuarem, podem virar um conflito maior que levará a região a uma grave crise”, disse à AFP.

Conflito entre Índia e Paquistão

A Caxemira, na região do Himalaia, foi dividida entre Índia e Paquistão ao fim da colonização britânica. Os dois países reivindicam a totalidade do território, o que provocou duas das três guerras que enfrentaram desde a independência, em 1947.

De acordo com analistas, a Índia mantém 500.000 soldados mobilizados em sua região, o que faz desta uma das zonas mais militarizadas do mundo.

Grupos rebeldes como o JeM reclamam seja a independência, seja a anexação ao Paquistão, e estão em luta permanente desde 1989 contra meio milhão de soldados indianos mobilizados no território.

Esta guerra deixou em quase 30 anos dezenas de milhares de mortos, principalmente civis.

Em 2017, ao menos 206 supostos ativistas, 78 membros das forças de segurança indianas e 57 civis morreram na Caxemira, no que foi o ano mais mortal em uma década na região.

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