Hospitais improvisados, UPAs têm 132 pacientes internados

Correio do Pantanal

26 set 2018 às 10:45 hs
Hospitais improvisados, UPAs têm 132 pacientes internados

Com suspeita de tuberculose, mulher está há seis dias no Santa Mônica

Por Redação

A prefeitura informou ao Correio do Estado que não tem como resolver o problema, pois não há leitos suficienbtes disponíveis na rede hospitalar e assim, os pacientes precisam continuar sofrendo com atendimento improvisado e muitas vezes incompleto, já que em alguns casos, exames que não são feitos nas UPAs precisam ser realizados para fechar um diagnóstico.

Caso recente é da aposentada Sandra Aparecida Montiel, 62 anos, que está há seis dias internada na UPA Santa Mônica com suspeita de tuberculose. Segundo a família, o local de isolamento não tem janelas, nem ventilação mecânica, o que piora a situação da mulher.

“Fizeram um exame de raio-x e detectaram que ela está com umas manchas no pulmão. Ela está retendo líquido, inchada, e os médicos não sabem o que é. Mas o pior é que ela não consegue respirar nesta sala.  Ela está escarrando muito sangue, fica fechada naquele quarto, sem respirar, numa maca que não tem nem lençol, só recebendo remédios que não ajudam. Não só minha mãe, mas nós estamos correndo risco, pois o isolamento não funciona”, conta Laís Montiel Casanova, filha da paciente.

Laís diz que já procurou a Defensoria Pública, mas o prazo pedido para uma resposta quanto ao problema foi de 48 horas. “Tenho medo de que ela não tenha esse tempo, é até perigoso, queremos uma solução”, relata.

Procurada, a  Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) afirmou que o caso da aposentada tem um agravante com relação à indisponibilidade de leitos, pois precisa dser de isolamento.

“A regulação de todo e qualquer paciente se dá diante da gravidade do caso, classificação e parecer do médico regulador que é responsável por determinar a urgência de transferência. No entanto, a transferência só poderá ser concretizada mediante disponibilidade de leito por parte do hospital”, justifica a Sesau.

A secretaria afirma que Sandra está recebendo todo o atendimento necessário na UPA, e, inclusive, teria apresentado melhora, pois está sendo acompanhada por uma equipe médica e de enfermagem, que segue todos os protocolos com relação à suspeita de tuberculose.

“A medicação ministrada e o tratamento por isolamento dado a paciente na UPA é o mesmo que ela teria em qualquer unidade hospitalar. Não obstante, mesmo não havendo qualquer negligência ou descaso em relação ao atendimento da paciente, a Sesau está em contato com os hospitais para tentar dar mais celeridade na transferência”, respondeu a secretaria.

A única unidade hospitalar de Campo Grande que poderia recebê-la é o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap).

JUSTIÇA
Em 2014, o Ministério Público Estadual (MPE) entrou com ação na justiça para evitar que casos semelhantes acontecessem. Na ação, o órgão pediu que Estado e prefeitura assegurassem, pelo menos, estrutura mínima aos pacientes, como, por exemplo, que não fossem mantidos por mais de um dia nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e nas demais unidades 24 horas da Rede Pública.

No dia 31 de outubro de 2014, o juiz Marcelo Ivo de Oliveira, na época da 1º Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, emitiu decisão solicitando a transferência dos pacientes que estavam nestas condições e obrigando Estado e município a disponibilizarem leitos hospitalares clínicos gerais, leitos hospitalares cirúrgicos gerais e leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aos pacientes com indicação médica da rede.

A determinação era de que a internação em hospitais fosse imediata, em redes próprias, conveniadas ou contratadas.

O juiz determinou ainda que a situação não deveria se repetir, sob multa diária de R$ 5 mil à prefeitura e ao Governo, mas nada disso foi suficiente para que o problema não voltasse a acontecer.

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