Homem baleado perto de escola é um dos agiotas que trocava cheque em branco com ex-prefeito em MS

Correio do Pantanal

3 fev 2018 às 08:43 hs
Homem baleado perto de escola é um dos agiotas que trocava cheque em branco com ex-prefeito em MS

Salem Pereira Vieira, de 36 anos, foi surpreendido na manhã desta sexta-feira (2) por suspeitos em um carro, que atiraram e fugiram.

Agiota que teria trocado cheques em branco de eleitores para ex-prefeito de Campo Grande (MS) (Foto: Reprodução/TV Globo/Arquivo)

Agiota que teria trocado cheques em branco de eleitores para ex-prefeito de Campo Grande (MS) (Foto: Reprodução/TV Globo/Arquivo)

O homem de 36 anos em estado gravíssimo na Santa Casa depois de ser ferido por vários disparos perto de uma escola no bairro Guanandi, região sul de Campo Grande , na manhã desta sexta-feira (2), é o agiota Salem Pereira Vieira, que trocou cheques em branco por dinheiro para o ex-prefeito da capital sul-mato-grossense Gilmar Olarte (sem partido), durante a campanha de 2012.

Segundo a assessoria do hospital, ele foi atingido por cinco tiros no tórax e um de raspão no braço. A vítima está na ala vermelha da Santa Casa.

Os disparos ocorreram na rua Jaime Ferreira Barbosa, por volta das 9h (de MS). No local, testemunhas disseram que a vítima estava deixando o enteado na escola, quando foi surpreendido por dois suspeitos em outro veículo. Eles teriam atirado e fugido em seguida.

Homem baleado é um dos agiotas que trocavam cheque em branco com Gilmar Olarte em MS

Homem baleado é um dos agiotas que trocavam cheque em branco com Gilmar Olarte em MS

Na época da investigação, Salem afirmou ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul que entregou o dinheiro ao pastor Ronan Ronan Feitosa de Lima em troca de cheques. Ronan era considerado um funcionário do ex-prefeito. O subordinado pegou o dinheiro e entregou em mãos a Olarte, segundo a denúncia. Os dois são pastores da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Nova Aliança do Brasil.

As folhas de cheques eram de eleitores que acreditaram nas promessas de Olarte, então candidato a vice-prefeito de Campo Grande, em 2012. Alguns emprestaram 10 folhas, outros 25 unidades. Uma mulher teve prejuízo de R$ 110 mil, mas o valor do golpe pode ter atingido a R$ 1 milhão.

O promotor de Justiça Marcos Alex Vera de Oliveira explicou que Olarte pegava folhas de cheque em branco que normalmente eram trocadas com agiotas, mediante pagamento de juros. Aos donos dos cheques eram prometidos cargos públicos e contratos com a administração municipal.

Salem disse ao MP que começou a desconfiar dos cheques quando começaram a voltar. Os donos dos cheques, ficaram com a conta bancária zerada e passaram a sofrer ameaças dos agiotas. Apesar de ter colaborado, ele é investigado pelo crime de agiotagem.

Ex-prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte, prometia benefício na administração municipal (Foto: Reprodução/TV Morena/Arquivo)

Ex-prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte, prometia benefício na administração municipal (Foto: Reprodução/TV Morena/Arquivo)

O caso

A investigação começou em outubro de 2013, mas veio à tona após a prisão de Ronan Feitosa no dia 11 de abril de 2014, em São Paulo. Ele foi solto cinco dias depois, após prestar depoimento. Também no dia 11 de abril, os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de Olarte, recolheram documentos, pendrives e computadores.

Os valores obtidos com a suposta lavagem de dinheiro, segundo a investigação, teriam sido usados para a “compra de vereador”. Na época, Jail Azambuja, advogado de Olarte, afirmou que o prefeito não seria alvo da investigação e seria ouvido na condição de testemunha. Disse ainda que não houve compra de vereador, não há relação do prefeito com os empréstimos e que as pessoas “utilizaram o nome do político para obter vantagens”.

No dia 12 de abril de 2014, um pastor, um jornalista e um funcionário de uma empresa de factoring também foram ouvidos por causa da investigação. Pelo menos 12 pessoas prestaram depoimento, entre elas, os então vereadores Otávio Trad (PTB), Flávio César (PSDB) e Eduardo Romero (Rede). O advogado que representava os parlamentares, Valdir Custódio da Silva, afirmou na época que os clientes foram ouvidos como testemunhas e não como investigados.

Também foram convocados um secretário da prefeitura, além de um ex-assessor parlamentar que trabalhou na Assembleia Legislativa. No dia 1º de agosto de 2014, Olarte foi ouvido no gabinete do desembargador Ruy Celso Barbosa Florence. O depoimento teria durado cerca de três horas.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) recebeu, no dia 13 de novembro de 2014, denúncia contra Olarte, feita pela Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público Estadual. O processo tem mais de três mil páginas.

No dia 6 de fevereiro de 2015, o TJ-MS divulgou o teor da ação penal proposta pelo MP-MS contra o então prefeito de Campo Grande e outras duas pessoas.

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