FBI admite falha no caso do atirador da Florida

Correio do Pantanal

17 fev 2018 às 07:11 hs
FBI admite falha no caso do atirador da Florida

Vigília em memória das vítimas de Parkland. Meses antes, o atirador mostrara desejo de matar

  |  EPA

Agência foi alertada em janeiro para Nikolas Cruz. Em 2017, este disse que queria ser “atirador profissional nas escolas”.

O FBI admitiu ontem ter recebido um mês antes do ataque na escola de Parkland (Florida) informações sobre a possibilidade do seu autor levar a cabo uma ação desta natureza, mas não levou a cabo qualquer investigação.

Em comunicado, o FBI refere ter sido contactado por uma pessoa próxima de Nikolas Cruz, o autor do ataque que provocou a morte de 17 pessoas, indicando que este apresentava sinais de profundo desequilíbrio e poderia protagonizar um incidente violento.

A pessoa em causa teria dito que o jovem de 19 anos manifestara o desejo de matar. Apesar dos indícios configurando “uma potencial ameaça letal”,e que teriam sido comunicados no passado 5 de janeiro, “a informação não foi passada aos escritórios de Miami, onde os necessários passos de investigação teriam sido dados”, reconhece-se no comunicado.

O comunicado do FBI surgiu no mesmo dia em que se soube que, no outono de 2017, um “Nikolas Cruz” comentara num vídeo de um blogger, no canal deste no YouTube, que queria transformar-se “num atirador profissional nas escolas”. O blogger entrou em contacto com o FBI, mas a agência não terá conseguido localizar o autor da mensagem, disse ontem à PBS o responsável do FBI em Miami. Ainda segundo este, a agência não estabeleceu se o autor da mensagem no YouTube é o atirador de Parkland.

Além de não ter conseguido localizar o autor da mensagem, o FBI não notificou a polícia da Florida.

No comunicado da agência, é citado o seu diretor, Christopher Wray, que garante “estar comprometido em ir até ao fundo deste caso em particular” e, também, em “levar a cabo a revisão dos procedimentos seguidos quando nos são comunicadas informações pelo público”.

Para um antigo responsável do FBI, Ron Hosko, ouvido pela PBS, “há aqui algo por explicar”, não sendo claro os motivos que levaram os agentes a não investigarem a informação prestada. Se o tivessem feito, teriam descoberto na casa de Cruz, não só armamento, como munições, alvos repletos de furos de bala e dezenas de fotos de vários tipos de armas, como veio a suceder após a detenção do jovem.

The Washington Post recordava ontem que, com o caso de Parkland, esta é a terceira vez que o autor de ataque é referenciado ao FBI, e este não atua da forma mais adequada. Em 2016, Omar Mateen, o autor do tiroteio na discoteca Pulse, em Orlando, que causou 49 mortos, fora investigado, mas sem consequências. No ano seguinte, Esteban Santiago, que matou a tiro cinco pessoas no aeroporto de Fort Lauderdale em janeiro, estivera semanas antes em contacto com o FBI, a quem fizera declarações sobre violência então consideradas estranhas pelos agentes. Nada de concreto foi feito.

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