Ex-chefe policial é preso no Paraguai por extorsão a traficante na fronteira

Correio do Pantanal

28 set 2018 às 11:21 hs
Ex-chefe policial é preso no Paraguai por extorsão a traficante na fronteira

Ação expõe como a corrupção coloca em risco a segurança pública

Por RENAN NUCCI

O Ministério Público do Paraguai prendeu policiais corruptos por extorsão a traficante na fronteira com o Brasil. Juan José Alonso Meza, ex-comandante do Departamento de Investigações de Alto Paraná, estado paraguaio localizado na linha internacional com Mato Grosso do Sul, ordenou que subordinados exigissem pagamento para “abandonar” investigações contra Reinaldo Javier Cabaña, mais conhecido como Cucho, distribuidor de maconha e cocaína. Além de Juan, também foram presos o subcomissário de polícia Víctor Manuel López Acuña e o suboficial Richard Antonio Sebriano Silvero.
Segundo o jornal ABC Color, o fiscal antidrogas Ysaac Ferreiro pediu a prisão dos agentes por conta de um procedimento realizado pelo fiscal Gustavo Yegros, também investigado, no dia 5 de julho. Na ocasião, a pedido de Alonso Meza, a equipe policial entrou em residência do crime organizado na cidade de Presidente Franco, onde cobrou 30 mil dólares para tornar sem efeito as apreensões. Durante negociação, o policial diminuiu o valor e cobrou 20 mil dólares para abandonar o caso. A pessoa extorquida seria Javier Cabanã, que chegou a remeter 12 mil dólares aos servidores corruptos. Ao todo, 37 pessoas são investigadas no caso.

A ação mostra como a corrupção policial associada ao crime organizado compromete a segurança na fronteira. Em Mato Grosso do Sul, só neste ano, 52 policiais foram presos em operações por receberem propina para facilitar a passagem de drogas e produtos contrabandeados pelas rodovias que cruzam o estado a partir da fronteira com o Paraguai.  Durante a Operação Nepsis, realizada pela Polícia Federal, 12 policiais foram presos, sendo quatro militares, dois civis e seis rodoviários federais. Eles estavam ligados a forte esquema de contrabando de cigarro importado.

Ambos contavam com o auxílio de três policiais militares e um investigador da Polícia Civil, cuja participação era considerada indispensável ao êxito das atividades criminosas. A Laços de Família, deflagrada pela Polícia Federal em Naviraí e com 21 pessoas presas, colocou à mostra esquema chefiado por um subtenente da PM lotado em Mundo Novo. Em maio, durante a Operação Oiketicus, as investigações do Gaeco desmontaram organização criminosa integrada por policiais militares que atuavam na facilitação do contrabando de cigarros. Somente nessa ofensiva foram presos 22 policiais militares, entre  praças e oficiais – dois tenentes-coronéis, comandantes de unidades da PM interior do Estado.

ATENÇÃO: Comente com responsabilidade, os comentários não representam a opnião do Jornal Correio do Pantanal. Comentários ofensivos e que não tenham relação com a notícia, poderão ser retirados sem prévia notificação.

%d blogueiros gostam disto: