Espera por consulta no SUS demora até 7 anos, revela CGU

Correio do Pantanal

20 set 2018 às 12:22 hs
Espera por consulta no SUS demora até 7 anos, revela CGU

Verificação da Controladoria foi realizada no fim de 2017 e indicou falhas

Por NATALIA YAHN

A demora no atendimento a Flávio é apenas mais uma entre tantas identificadas pela Controladoria-Geral da União em Mato Grosso do Sul (CGU-MS), que investigou o Sistema de Regulação (Sisreg) implantado na Capital. Para consultas, há espera de até sete anos, como mostra a verificação da Controladoria.

A principal constatação feita pela CGU-MS é relativa ao elevado tempo de espera na fila por atendimentos ou cirurgias e exames.

Os dados do Sistema de Regulação apontaram que, para agendar os procedimentos na Central de Regulação, considerando apenas demandas de Campo Grande – separadas por grupo de procedimento –, a maior média de espera por autorização ocorreu com consultas em cirurgia ortopédica, com 1.004 dias (dois anos e sete meses). Porém, o tempo real de espera chegou a 1.406 dias (três anos e oito meses), de acordo com a Controladoria.

A principal constatação feita pela CGU-MS é relativa ao elevado tempo de espera na fila por atendimentos ou cirurgias e exames. Os dados do Sistema de Regulação (Sisreg) apontaram que para agendar os procedimentos na Central de Regulação, considerando apenas demandas de Campo Grande – separadas por grupo de procedimento -, a maior média de espera por autorização ocorreu com consultas em cirurgia ortopédica, com 1004 dias (dois anos e sete meses). Porém, o tempo real de espera chegou a 1406 dias (três anos e outo meses), de acordo com a Controladoria.

No caso de consulta para cirurgia geral, que é o caso de uma das pessoas ouvidas pela reportagem – Ermindia Meireles (Leia mais no box abaixo) – o tempo médio de espera pode chegar a 2.556 dias, ou seja, sete anos.

Atualmente 4.860 pessoas estão na fila aguardando o mesmo procedimento. Já para o atendimento em cardiologia, enquanto são ofertados 2. 057 vagas, a demanda reprimida é de 6.382 pessoas.

A ação de controle e avaliação foi realizada no período de 2 de outubro 2017 a 2 de dezembro de 2017, na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e se refere às atividades executadas no exercício 2017.

No relatório divulgado recentemente, o órgão federal identificou que “há problemas tanto de eficiência regulatória, como de ofertas de especialidades, o que acarreta em tempo elevado de espera dos pacientes pelo atendimento especializado”.

Ou seja, há falta de médicos para o atendimento, equipe qualificada para fazer o serviço, inclusive de acompanhamento dos casos, entre outros problemas.

Essa falta de controle e supervisão dos pacientes na fila de espera também é um dos principais problemas. Para fins de controlar o total de pacientes aguardando em fila de espera, a Gerência de Regulação Ambulatorial dispõe apenas de planilha Excel, na qual registra mensalmente a demanda reprimida existente de cada especialidade, mas não realiza supervisões periódicas nas situações registradas no Sisreg referentes ao quadro clínico de quem aguarda na fila de espera.

“Pode ser que o número de pacientes em fila de espera esteja superestimado, já que muitas vezes aquele paciente que aguardava uma consulta especializada, pode ter sido encaminhado para atendimento em urgência hospitalar, em virtude de uma piora no seu quadro clínico. Ou pode ter optado por realizar o seu tratamento por meios próprios e, numa situação extrema, pode até mesmo ter vindo a óbito”, aponta o relatório.

A reportagem procurou a Sesau e a Secretria de Estado de Saúde (SES) para comentarem os resultados, mas ambas não responderam os questionamentos até o fechamento do texto.

RECOMENDAÇÕES
Por conta das conclusões, a CGU fez série de recomendações de providências à Sesau, entre as quais,  que os fluxos sejam agilizados, sejam feitos protocolos clínicos e de regulação atualizados dos pacientes.

 

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