Em 4 anos de crise, 3,3 milhões de brasileiros desistiram de procurar emprego, revela IBGE

Correio do Pantanal

18 ago 2018 às 09:40 hs
Em 4 anos de crise, 3,3 milhões de brasileiros desistiram de procurar emprego, revela IBGE

Desde 2014, número de desalentados mais que triplicou no país. Contingente nesta situação chega a quase 5 milhões de pessoas – número maior que a população de estados como Amazonas.


Por Daniel Silveira, G1 Rio

Em meio à crise, aumenta no Brasil o número de pessoas que desistem de procurar emprego. (Foto: Fernando Madeira/Divulgação)
Em meio à crise, aumenta no Brasil o número de pessoas que desistem de procurar emprego. (Foto: Fernando Madeira/Divulgação)

A situação parece ser um contrassenso, já que frente a um cenário de grave recessão econômica seria natural que pessoas que não trabalham – seja porque se dedicam exclusivamente aos estudos ou aos cuidados com filhos, por exemplo – saíssem em busca de emprego para ajudar a compor a renda familiar. Mas, a baixa perspectiva de se conseguir uma vaga e a longa fila de espera fez o Brasil alcançar o recorde de desalentados.

Desalento é o termo utilizado para designar a situação de quem está em idade ativa e em condições de trabalhar, mas por questões diversas não busca emprego. Os dicionários apresentam o desalentado como sendo um indivíduo desanimado, desencorajado e sem vontade de agir.

No 2º trimestre de 2014, havia no mercado de trabalho brasileiro 1,5 milhão de desalentados. De acordo com o IBGE, foi o menor número de pessoas nesta condição desde 2012, quando tem início a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

Foi naquele período que o país começou a sair do chamado pleno emprego, alcançado em dezembro de 2013, e a entrar na maior crise econômica de sua história recente. Desde então, o número de desalentados subiu vertiginosamente até atingir 4,8 milhões de pessoas no 2º trimestre deste ano – o maior número desde que o IBGE começou a fazer o levantamento – o que corresponde a um aumento de 227% neste período.

Desalento cresce vertiginosamente no Brasil após crise
Número de desalentados atingiu recorde no 2º trimestre de 2018.
Número de desalentados (em mil)1º tri 20122º tri 20123º tri 20124º tri 20121º tri 20132º tri 20133º tri 20134º tri 20131º tri 20142º tri 20143º tri 20144º tri 20141º tri 20152º tri 20153º tri 20154º tri 20151º tri 20162º tri 20163º tri 20164º tri 20161º tri 20172º tri 20173º tri 20174º tri 20171º tri 20182º tri 20181k2k3k4k5k6k
Fonte: IBGE

De acordo com o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, vários fatores levam uma pessoa a integrar o grupo dos desalentados. Num período de crise econômica, porém, a própria perda do poder aquisitivo contribui para o aumento desta população.

“Muitas dessas pessoas desalentadas sequer têm dinheiro para pagar passagem e procurar emprego. Mas se você oferecer [uma vaga de emprego], elas vão aceitar e vão poder assumir”, disse o pesquisador.

Também contribui para o aumento do desalento, segundo Azeredo, a percepção subjetiva da população em relação ao mercado de trabalho.

“A dificuldade de outros integrantes da família de conseguir uma vaga, ou mesmo as notícias na mídia sobre o desemprego elevado já influenciam a percepção das pessoas sobre a dificuldade de se conseguir um emprego”, apontou.

Mas o desânimo para procurar emprego tem relação direta também com a fila do desemprego. Dos 13 milhões de desempregados no Brasil no 2º trimestre deste ano, 3,1 milhões buscavam uma oportunidade no mercado há mais de dois anos – o maior contingente do chamado desemprego de longo prazo desde 2012.

“A probabilidade de uma pessoa desistir de procurar emprego está muito relacionada ao tempo que ela ficou procurando uma vaga”, enfatizou Azeredo.

Nordeste concentra 60% dos desalentados

Dos 4,8 milhões de desalentados no país, 2,9 milhões estão no Nordeste, segundo o IBGE, o que corresponde a 60% do total de brasileiros nesta condição. O Sudeste, região mais populosa do Brasil, aparece em segundo lugar, com 1 milhão de desalentados (20% do total). O Sul, por sua vez, concentra o menor contingente – 194 mil pessoas (4%).

Distribuição dos desalentados no Brasil
Havia no país 4,8 milhões de pessoas em situação de desalento no país no 2º trimestre de 2018.
Norte: 12,5 %Nordeste: 55,17 %Sudeste: 23,52 %Sul: 4,05 %Centro-Oeste: 4,76 %
Fonte: IBGE

Dentre os estados com maior número desalentados, a Bahia se destaca com quase 600 mil pessoas nesta situação – o que equivale a 20% do total de pessoas em condição de desalento no Nordeste. O número supera, e muito, o de São Paulo (384 mil) e de Minas Gerais (296 mil), estados com as maiores populações do país.

Ainda conforme o levantamento do IBGE, nos quatro anos de crise econômica o estado de Santa Catarina foi o que teve o maior aumento percentual no número de desalentados – passou de 3 mil pessoas no 2º trimestre de 2014 para 25 mil no 2º trimestre de 2018 – um aumento de 733%.

O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar, com um salto de 621% de pessoas desalentadas neste período – passou de 14 mil para 101 mil. Goiás vem na sequência, com aumento de 571%, passando de 14 mil para 94 mil.

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