Condenado pelo homicídio da família foi salvo a 40 minutos da execução

Correio do Pantanal

25 fev 2018 às 10:08 hs
Condenado pelo homicídio da família foi salvo a 40 minutos da execução

Foi a primeira vez que o governador do Texas comutou uma sentença de morte. Jovem pediu a amigo para matar os pais e o irmão em troca de “milhões de dólares”

O governador do Texas decidiu, esta terça-feira, poupar a vida de um homem condenado à morte por ter contratado um assassino para matar os pais e o irmão. Cerca de 40 minutos antes da execução programada, o governador do Texas, Greg Abbott, anunciou que concederia clemência a Thomas “Bart” Whitaker, de 38 anos. Esta é uma decisão rara do Texas Board of Pardons and Paroles, que votou unanimemente para comutar a sentença de morte de Whitaker para prisão perpétua, sem direito a liberdade condicional.

“Em pouco mais de três anos como governador permiti 30 execuções. Não concordei com a comutação de uma sentença de morte até agora “, disse Abbott, num comunicado citado pela ABC News.”

“Os assassinatos da mãe e do irmão do sr. Whitaker são reprováveis. O crime merece uma severa punição para os criminosos que os mataram. A recomendação do Texas Board of Pardons and Paroles, e a minha ação nele, garante que o Sr. Whitaker nunca será libertado da prisão “, acrescentou o governador do Texas.

Bart Whitaker foi condenado pelo homicídio da mãe, Tricia Whitaker, e do irmão mais novo, Kevin Whitaker, que morreram vítimas do ataque de um homem armado contratado por Bart, em dezembro de 2003, no Texas. O pai, Kent Whitaker, também foi alvejado durante o ataque, mas sobreviveu.

Kent Whitaker disse ter perdoado o filho e desde a sua condenação à pena de morte sempre lutou para que este não fosse executado. “Eu amo-o, é meu filho. Não quero vê-lo executado”, disse Kent Whitaker várias vezes ao longo dos últimos anos.

Fred Felcman, o procurador do caso desde o seu início, disse à estação de Houston KTRK que ficou desapontado com a recomendação do conselho de liberdade condicional.

O pai de Bart contou que, desde que está preso, o homicida aprendeu espanhol e ajudou outros reclusos a obterem os diplomas de ensino médio.

“Eu vi essa mudança nele”, disse Kent Whitaker sobre filho. “Ele está preso há 11 anos. São 4.000 dias”. “Há uma questão de doença mental aqui que ainda não entendemos”, acrescentou o pai. “Mas ele aprendeu a reconhecer os pontos de perigo e a trabalhá-los. Eu quero ter a oportunidade de o ver crescer. E há tanto que ele pode fazer”.

A 10 de dezembro de 2003, Bart Whitaker anunciou à família que tinha terminado os exames finais na Universidade Estadual de Sam Houston e que se iria licenciar. Os pais ofereceram-lhe um relógio Rolex e, naquela mesma noite, a família foi um restaurante para celebrar a conquista de Bart.

Enquanto sorria para as fotografias tiradas no restaurante, Bart sabia que o assassino a soldo já se encontrava no interior da casa de família: se tudo corresse como planeado, os pais e o irmão estariam mortos dentro de minutos.

Quando a família chegou a casa, Bart fingiu que se esqueceu do telemóvel no carro e não entrou imediatamente. Kevin Whitaker, de 19 anos, foi o primeiro a abrir a porta e foi baleado, a mãe foi a vítima seguinte. O pai de Bart também foi alvejado, mas sobreviveu.

Bart disse que correu para a casa e fingiu tentar capturar o atirador. Lutaram e Bart foi baleado no braço para que a polícia acreditasse que também era uma vítima.

Kevin e Tricia morreram. Kent e Bart sobreviveram. Os investigadores descobriram mais tarde que Bart nunca se formou na Universidade Estadual de Sam Houston e que continuava como caloiro – não tinha obtido créditos suficientes para passar do primeiro ano.

Quando tiveram alta do hospital, Bart voltou para casa para estar com o pai. A investigação não teria avançado, se não tivesse aparecido Adam Hipp, um antigo amigo de Bart Whitaker. Hipp disse à polícia que Bart lhe tinha pedido para matar a família.

Em agosto de 2005, Steven Champagne, ex-colega e vizinho de Bart, foi à polícia e confessou ter sido coautor dos crimes, fornecendo toda a história do que aconteceu naquela noite de dezembro de 2003. Foi o colega de quarto de Bart, Chris Brashear, quem matou a mãe e o irmão disparou a arma. Entrou em casa da família com uma chave e desativou o alarme com o código que Bart lhe tinha fornecido. “Bart disse que a sua família valia muito dinheiro”, revelou Champagne, explicando o motivo dos crimes.” Prometeu-nos milhões de dólares”.

Ao pai, Bart disse que não se sentia amado pela família e que sempre sentira inveja do irmão mais novo.

Em março de 2007, um júri condenou Bart Whitaker à pena de morte. O atirador, Brashear, foi condenado a prisão perpétua sem direito a liberdade condicional e o motorista, Champagne, foi condenado a 15 anos de prisão.

Kent Whitaker casou-se novamente e dedicou todos estes anos a divulgar a sua mensagem de perdão e a lutar para impedir a execução de seu filho. Kent escreveu também um livro intitulado “Murder by Family”.

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