Comitê do Senado vota nesta sexta indicação de Kavanaugh à Suprema Corte americana

Correio do Pantanal

28 set 2018 às 10:23 hs
Comitê do Senado vota nesta sexta indicação de Kavanaugh à Suprema Corte americana

Por G1


Brett Kavanaugh fala na Comissão Judiciária do Senado — Foto: AFP/Saul Loeb

Brett Kavanaugh fala na Comissão Judiciária do Senado — Foto: AFP/Saul Loeb

O Comitê Jurídico do Senado vota na manhã desta sexta-feira (28) a indicação do juiz Brett Kavanaugh, acusado por três mulheres de má conduta sexual, a uma vaga na Suprema Corte dos Estados Unidos.

Na quinta-feira (27), o comitê ouviu uma das acusadoras, a professora de psicologia Christine Blasey Ford, que contou ter sido agarrada por Kavanaugh durante uma festa na década de 1980. Ela afirmou que ele tentou tirar sua roupa à força e que acreditou que ele tinha a intenção de estuprá-la. Na época do caso relatado, Christine tinha 15 anos, e ele tinha 17.

Senado americano decide se aprova nome do juiz Brett Kavanaugh para Suprema Corte
Senado americano decide se aprova nome do juiz Brett Kavanaugh para Suprema Corte

Em seguida, o magistrado de 53 anos se defendeu das acusações.

“Não questiono que a doutora Ford tenha sido atacada sexualmente por alguém em algum lugar em algum momento. Mas não por mim. Nunca ataquei ninguém”, afirmou.

O indicado pelo presidente Donald Trump se diz alvo do ódio contra chefe de estado americano. Na sua análise, democratas querem “detoná-lo e derrubá-lo” e o processo de confirmação para a Suprema Corte virou uma “desgraça nacional”.

Christine Blasey Ford depõe contra o juiz indicado por Trump à Suprema Corte dos EUA — Foto: Win McNamee/Pool via REUTERS
Christine Blasey Ford depõe contra o juiz indicado por Trump à Suprema Corte dos EUA — Foto: Win McNamee/Pool via REUTERS

“Desde que fui indicado, em julho, há um frenesi na esquerda para aparecer alguma coisa, qualquer coisa, para me bloquear”, disse, mas afirmou que não será intimidado a desistir.

Além da professora, outras duas mulheres acusaram o juiz de assédio: Deborah Ramirez, de 53 anos, e Julie Swetnick.

Após a audiência, Donald Trump reiterou seu total apoio ao seu indicado à Suprema Corte. “O juiz Kavanaugh mostrou à América exatamente por que o indiquei. Seu testemunho foi poderoso, honesto e cativante. O Senado precisa votar!”.

Trâmite

Os democratas pedem uma investigação independente das acusações contra Kavanaugh. Embora tenham prometido investigá-lo, os republicanos não endossam a proposta de uma investigação externa.

A votação no Comitê Jurídico é um primeiro passo para a confirmação (ou não) do indicado do presidente Donald Trump. Nessa etapa, os senadores podem recomendar a candidatura do magistrado, rejeitar ou simplesmente aprovar sem dar nenhuma recomendação ao plenário.

Os depoimentos de quinta-feira causaram divergências entre os próprios republicanos e vários deles ainda não revelaram seus votos. Alguns dos indecisos fizeram uma reunião privada após as declarações de Ford e Kavanaugh.

Caso a candidatura seja aprovada pelo comitê, ela ainda passará por outras votações no sábado (29) e na segunda (1º). Porém, a confirmação só deve acontecer na terça-feira (2), de acordo com o senador republicano Whip John Cornyn.

Republicanos x Democratas

Os Estados Unidos acompanham com atenção a disputa travada entre democratas e republicanos pela maioria na Suprema Corte – instância composta por nove juízes e que decide questões fundamentais para a sociedade americana.

Caso substitua Anthony Kennedy, Kavanaugh deve adotar posturas mais conservadoras em temas como casamento entre pessoas do mesmo sexo, pena de morte e prisão em solitária, ação afirmativa, leis ambientais e aborto, segundo análise do colunista do G1, Helio Gurovitz.

Kennedy, apesar de também ser conservador, tomava decisões progressistas em temas sociais. Seu voto foi determinante, por exemplo, para legalização do casamento homosexual em 2015.

Caso o nome de Kavanaugh seja rejeitado ou substituído, e as eleições legislativas de novembro resultem em uma maioria democrata, o processo deve se alongar para além de 1º de janeiro, quando assume a nova legislatura. Nesse caso, Trump terá dificuldades em aprovar um nome mais radical.

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